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Produção automóvel em Portugal cai quase 33% num mês

Publicado a 19 de Outubro de 2026, 14h00  ·  3 min de leitura

O essencial

  • Produção automóvel em Portugal caiu 32,7% em setembro de 2025 face ao mesmo mês de 2024.
  • Foram produzidos 24.621 veículos em setembro, com 97,9% destinados aos mercados internacionais.
  • Nos primeiros nove meses do ano, a produção acumulada foi de 231.473 unidades, menos 10,1% que em igual período de 2024.
  • Montagem de veículos pesados registou crescimento de 12% em setembro, com 28 unidades produzidas.

As fábricas portuguesas produziram 24.621 veículos em setembro, menos 32,7% face ao mesmo mês de 2025. Nos primeiros nove meses do ano, a quebra foi de 10,1%, apesar de 97,9% da produção continuar a ter como destino os mercados internacionais.

A indústria automóvel portuguesa registou uma quebra expressiva em setembro. Segundo os dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP), a produção nacional caiu 32,7% face ao período homólogo, num sinal de abrandamento da atividade industrial que também se reflete nos resultados acumulados desde o início do ano.

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No total, foram produzidos 24.621 veículos nas fábricas instaladas em Portugal durante o mês de setembro. Entre janeiro e setembro, o número chegou às 231.473 unidades, menos 10,1% do que no mesmo período de 2025.

Os números colocam novamente em evidência os desafios enfrentados pelo setor automóvel nacional, cuja atividade depende fortemente da procura externa e da evolução dos principais mercados europeus.

Alemanha lidera as exportações portuguesas

Alemanha continua a liderar as exportações portuguesas

A capacidade exportadora permanece como um dos pilares da indústria automóvel em Portugal. Em setembro, 97,9% dos veículos produzidos no país tiveram como destino os mercados internacionais, confirmando a importância das vendas ao exterior para o funcionamento das unidades industriais nacionais.

A Europa concentrou 93,1% das exportações, mantendo-se como o principal mercado para os veículos fabricados em Portugal.

A Alemanha ocupou a primeira posição, absorvendo 21,2% das unidades exportadas. Seguiram-se a França, com 12,5%, a Itália, com 12,4%, e a Turquia, com 11,3%.

Fora da Europa, África representou 2,9% das exportações, com a África do Sul a destacar-se ao concentrar 1,1% do total. Já o continente americano absorveu 1,6% dos veículos enviados para o estrangeiro.

Esta concentração nos mercados externos demonstra a importância do contexto económico europeu para o desempenho das fábricas portuguesas, sobretudo numa altura em que a produção regista uma evolução negativa.

Veículos pesados escapam à tendência de queda

Veículos pesados escapam à tendência de queda

Nem todos os segmentos da indústria automóvel apresentaram resultados negativos. A montagem de veículos pesados registou uma evolução positiva em setembro, contrariando a tendência observada na produção automóvel.

Durante o mês, foram montadas 28 unidades, mais 12% do que no período homólogo de 2025. No acumulado dos primeiros nove meses, o total atingiu 210 veículos, representando um crescimento de 16,7%.

Também neste segmento, as exportações assumem um peso significativo. Entre janeiro e setembro, foram enviados para mercados externos 158 veículos pesados montados em Portugal, correspondendo a 75,2% do total.

A Alemanha destacou-se como principal destino, recebendo 87,3% destas exportações. Inglaterra ficou com os restantes 12,7%.

Um sinal de alerta para a indústria nacional

Um sinal de alerta para a indústria nacional

A queda registada em setembro reforça a importância de acompanhar a evolução da procura internacional e da atividade industrial nos próximos meses. Embora os dados de um único mês não permitam concluir que existe uma tendência duradoura, a redução de 10,1% na produção acumulada desde janeiro mostra que o abrandamento não se limita ao resultado mensal.

A forte dependência das exportações torna a indústria portuguesa particularmente sensível às oscilações dos principais mercados de destino. Ao mesmo tempo, o crescimento da montagem de veículos pesados demonstra que a evolução pode variar significativamente entre segmentos.

Os próximos resultados serão importantes para perceber se a quebra de setembro corresponde a uma desaceleração pontual ou se traduz uma pressão mais prolongada sobre a produção automóvel nacional.

Para já, os dados da ACAP deixam uma mensagem clara: Portugal mantém uma forte vocação exportadora na indústria automóvel, mas enfrenta um período de recuo na produção que merece atenção.

Ficha técnica

Produção setembro 2025
24.621 veículos
Queda face a setembro 2024
32,7%
Produção jan-set 2025
231.473 unidades
Queda jan-set face a 2024
10,1%
Exportações
97,9% da produção
Destino Europa
93,1% das exportações
Principal mercado
Alemanha (21,2%)
Veículos pesados setembro
28 unidades (+12%)

Ricardo Carvalho

AutoGear  ·  664 artigos

Jornalista de automóveis desde o ano 2000. Iniciou o seu percurso na Motorpress Lisboa, onde escreveu em revistas como o Guia do AUTOMÓVEL, Auto Magazine e Veículos Comerciais. Escreveu ainda para o semanário Autohoje, onde se especializou em testes e reviews de automóveis.
Mudou-se para a Revista Carros & Motores em 2018, permanecendo até 2025. Em 2026 integrou a redação do Autogear, onde tenta dinamizar o site. É também diretor da "Revista" Comerciais & Pesados, um suplemento trimestral da "Carros & Motores" e o membro português do júri do International Truck of the Year (Camião Internacional do Ano).

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