Vasseur aponta long runs de sexta-feira como origem do desastre da Ferrari

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A Ferrari voltou a desiludir no Grande Prémio da Áustria, com Charles Leclerc a cair do segundo lugar na grelha para um modesto oitavo posto final, enquanto Lewis Hamilton, em Mercedes, cruzou a meta em quinto. O resultado foi um claro retrocesso para a Scuderia de Maranello, que ficou a perder terreno face aos principais rivais, numa corrida onde a Red Bull recuperou protagonismo, com Max Verstappen a conquistar o segundo lugar e Isack Hadjar a terminar em sexto. Este desfecho confirmou as dificuldades da Ferrari ao longo de todo o fim de semana no Red Bull Ring, evidenciando fragilidades técnicas e estratégicas numa altura crucial do campeonato de Fórmula 1.

No que diz respeito aos números, o GP da Áustria foi decidido em 71 voltas ao traçado de Spielberg, com tempos de volta a evidenciar a falta de ritmo da Ferrari. Leclerc, depois de uma qualificação promissora, não conseguiu acompanhar o ritmo imposto pelos rivais, terminando a mais de 40 segundos do vencedor. Carlos Sainz, também da Ferrari, não foi além do sétimo lugar, agravando o saldo negativo da equipa italiana neste fim de semana. A Red Bull, por seu lado, demonstrou maior consistência após algumas provas menos conseguidas, ao colocar dois carros no top-6 e ameaçar a hegemonia da McLaren e da própria Mercedes, que desta vez não conseguiu melhor do que a quarta posição de George Russell.

Este resultado tem implicações diretas no Campeonato do Mundo de Fórmula 1. A Ferrari vê-se agora pressionada por Mercedes na luta pelo segundo lugar no Mundial de Construtores, enquanto Leclerc perdeu pontos preciosos na batalha pelo título de pilotos, permitindo a Verstappen reforçar a liderança. O desempenho fraco em Spielberg também expôs algumas das fragilidades do SF-26, nomeadamente a menor potência do motor e a configuração aerodinâmica menos eficaz em altitude. Leclerc já tinha alertado para os pontos fortes e fracos do monolugar depois de Barcelona, mas na Áustria foram as debilidades que vieram ao de cima, dificultando a vida à equipa italiana.

No rescaldo da corrida, Frédéric Vasseur, diretor de equipa da Ferrari, foi direto ao assunto e explicou as razões do insucesso: “Foi um fim de semana complicado: não começámos com o pé direito na sexta-feira, porque tivemos dificuldades tanto na FP1 como na FP2, e não conseguimos completar simulações de corrida representativas.” Vasseur sublinhou ainda que as sessões de treinos livres ficaram marcadas por problemas de afinação e pela necessidade de dar rodagem ao jovem Dino Beganovic, que ocupou o lugar de Leclerc na FP1, o que limitou o trabalho de preparação da corrida. O responsável máximo da Ferrari admitiu que a falta de dados e de ritmo desde sexta-feira condicionou toda a estratégia da equipa para domingo.

Charles Leclerc, visivelmente desiludido, reconheceu as limitações sentidas: “Sabíamos que seria difícil aqui, mas esperávamos um pouco mais após a qualificação. O carro não estava equilibrado e faltava-nos velocidade em reta. Temos de perceber rapidamente onde falhámos.” Já Carlos Sainz reforçou o discurso do colega de equipa: “Foi um fim de semana para esquecer. Vamos analisar tudo e tentar voltar mais fortes já na próxima corrida.” Estas declarações revelam uma Ferrari à procura de respostas e pressionada por resultados, numa fase em que a regularidade é fundamental para manter vivas as aspirações ao título.

Com a próxima ronda marcada para Silverstone, a Ferrari enfrenta agora o desafio de recuperar competitividade num circuito que exige máxima eficiência aerodinâmica e potência. O plantel italiano terá de corrigir rapidamente as falhas evidenciadas na Áustria se quiser evitar perder ainda mais terreno para Red Bull, Mercedes e McLaren. O Campeonato do Mundo entra numa fase decisiva, com cada ponto a ganhar peso na luta pelos lugares cimeiros. A expectativa recai agora sobre a capacidade de resposta da Scuderia e sobre as eventuais atualizações técnicas que possam trazer para o próximo Grande Prémio, na esperança de inverter a tendência negativa e voltar à luta pelas vitórias.

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