Lewis Hamilton viveu um verdadeiro calvário no Grande Prémio da Áustria, ao ver-se privado do gilet térmico logo após a partida e obrigado a enfrentar temperaturas sufocantes dentro do cockpit. O piloto britânico da Ferrari terminou a prova no quinto lugar, mas as condições extremas e as limitações técnicas do seu monolugar marcaram uma das corridas mais exigentes da temporada até ao momento no Red Bull Ring.
A prova, oitava ronda do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 de 2026, decorreu sob um calor abrasador, com o termómetro a rondar os 35ºC e uma sensação térmica ainda superior dentro dos monolugares. O vencedor foi George Russell (Mercedes), com um tempo total de 1:24:15.321, seguido por Max Verstappen (Red Bull) a 4,7 segundos e Charles Leclerc (Ferrari) a 9,2 segundos. Hamilton terminou na quinta posição, a 17,8 segundos do vencedor, depois de ter sido obrigado a gerir não só o desgaste físico mas também problemas de refrigeração da sua Ferrari SF-26. O Red Bull Ring, situado a mais de 750 metros de altitude, colocou à prova toda a engenharia das equipas, que optaram por abrir ao máximo as entradas de ar laterais para facilitar o arrefecimento das power units.
Este resultado tem impacto directo na luta pelo título mundial. Russell reforça a sua posição no topo do campeonato, aumentando a vantagem sobre Verstappen e consolidando a liderança da Mercedes no Mundial de Construtores. Para a Ferrari, o quinto lugar de Hamilton e o pódio de Leclerc mantêm a equipa na luta, mas as dificuldades evidenciadas em situações de calor extremo podem ser determinantes nas próximas rondas, especialmente com várias provas em climas quentes ainda por disputar. A rivalidade entre Russell e Verstappen ganha novo fôlego, enquanto Hamilton procura recuperar o terreno perdido após mais uma corrida condicionada por factores externos.
No final da corrida, Hamilton explicou o seu sofrimento em declarações à ViaPlay: “Foi uma corrida realmente dura. Estava um calor incrível, insuportável. O gilet térmico rinfrescante deixou de funcionar logo após a partida. A power unit também sobreaqueceu e tive de reduzir ainda mais a potência do motor, quando já em modo de corrida temos menos face aos nossos rivais. Limitei-me a minimizar os danos, o calor foi tórrido.” O seu engenheiro de pista, Carlo Santi, confirmou que activaram o modo ‘TS’, cortando ainda mais potência ao motor Ferrari, numa tentativa de evitar danos maiores, mas reconheceu que “foi uma situação limite para o Lewis, que demonstrou uma enorme resiliência ao conseguir terminar nos pontos”.
George Russell, vencedor da corrida, expressou o seu orgulho pelo desempenho: “Estou muito satisfeito, esta não é das minhas pistas favoritas e consegui a pole position e a vitória. Foi uma gestão difícil das temperaturas, mas conseguimos manter o foco.” Charles Leclerc, por seu lado, frisou a dureza do desafio austríaco: “O Russell e o Verstappen foram muito rápidos, mas estou satisfeito com o pódio. O calor tornou tudo mais difícil.” Já Lando Norris (McLaren), que terminou em quarto, lamentou as dificuldades da Ferrari: “Foi um choque ver a Ferrari com tão pouca potência, não estávamos à espera.”
Com este resultado, o campeonato ganha novo fôlego à entrada da segunda metade da época. Russell aumenta a vantagem na liderança, Verstappen mantém-se como principal perseguidor e Leclerc consolida o terceiro posto. Hamilton, apesar do quinto lugar, vê a distância para os líderes crescer e sabe que precisa de reagir já na próxima ronda, o Grande Prémio de Silverstone, onde a Ferrari espera responder com actualizações técnicas e maior fiabilidade sob altas temperaturas. A luta está longe de estar decidida, mas a gestão da fiabilidade e das condições extremas poderá ser o factor-chave para o desfecho do Mundial de 2026.
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