Lewis Hamilton saiu de Spielberg com um aviso claro para a Ferrari: a desilusão no Grande Prémio da Áustria serviu de “reality check” para as aspirações da equipa de Maranello no Campeonato do Mundo de Fórmula 1. Após o entusiasmo criado pela sua vitória anterior e pela possibilidade de uma recuperação na luta pelo título, a prova austríaca acabou por expor fragilidades inesperadas tanto na estratégia como no desempenho do SF-24.
No Red Bull Ring, Hamilton terminou em quinto lugar, a 29,4 segundos do vencedor, Max Verstappen, que reforçou a liderança do campeonato. O britânico ficou atrás de Lando Norris (McLaren), George Russell (Mercedes) e Carlos Sainz (Ferrari), com Charles Leclerc a completar o top-6 após uma corrida marcada por dificuldades na gestão dos pneus. A Ferrari falhou o esperado bloqueio da primeira linha na qualificação, e apesar das esperanças renovadas após os treinos, viu-se rapidamente ultrapassada por rivais diretos devido à degradação excessiva dos pneus, agravada pelas temperaturas elevadas do asfalto, que oscilaram entre os 54 e os 64 graus.
A perda de ritmo foi evidente desde as primeiras voltas, com Hamilton a queixar-se da falta de aderência e incapacidade de atacar os adversários. “Penso que foi mesmo isso. Por alguma razão, simplesmente faltou-nos ritmo. Esta manhã, na reunião de estratégia, disseram-nos que a estratégia de duas paragens seria a ideal, com três paragens a ser quatro segundos mais lenta. Ontem à noite e esta manhã deram-nos essa informação”, revelou Hamilton no final da corrida. O britânico admitiu ainda que esteve inclinado para uma abordagem diferente: “Para mim, era claro que deveria ser uma corrida de três paragens. Achei que a degradação ia ser muito alta, especialmente com a temperatura da pista como estava. Não víamos valores destes há muito tempo.”
O heptacampeão mundial defendeu que um arranque com pneus macios poderia ter permitido um resultado melhor: “Queria começar com os macios, mas a equipa estava nervosa. Acabámos por arrancar de médios, o que, na minha opinião, foi subótimo. Talvez, só talvez, tivesse conseguido lutar pelo quarto lugar se tivesse partido de macios. Podia ter feito um primeiro turno mais curto e atacado no final.”
A prestação aquém das expectativas deixou Hamilton a 46 pontos do líder do campeonato, Kimi Antonelli, agora no terceiro posto da classificação de pilotos. Com treze provas ainda por disputar, o britânico mantém a esperança, mas reconhece que a Ferrari tem de evoluir rapidamente se quiser manter-se na luta pelo título. “É um verdadeiro reality check. Não sabemos bem porque fomos tão competitivos em Barcelona. Esse é um circuito muito forte para mim. Escolhi a estratégia baseada na minha experiência, como em 2021, mas hoje fomos atingidos pela realidade. Ainda temos um bom carro, mas estamos atrás da Mercedes em ritmo puro”, sublinhou Hamilton.
Questionado sobre a diferença para a equipa de Brackley, Hamilton foi perentório: “Eles são simplesmente mais rápidos.” O piloto da Ferrari não esconde a frustração, mas prefere olhar para a frente e sublinhar a importância do desenvolvimento contínuo. “Temos de continuar a evoluir. Isso não significa que não possamos fechar o fosso. Uma vitória não quer dizer que vamos bater a Mercedes em todas as corridas. É exatamente o contrário: há muito trabalho pela frente. Temos de continuar a acrescentar performance ao carro, especialmente em termos de potência, e é nisso que temos de nos concentrar.”
A próxima ronda do Mundial realiza-se já no próximo fim de semana, em Silverstone, onde Hamilton volta a correr perante o público britânico, desta vez vestido de vermelho Ferrari. O formato inclui corrida Sprint, oferecendo mais pontos e oportunidades para recuperar terreno, tanto para o piloto como para a equipa. A Ferrari entra pressionada para responder após o duro teste austríaco, sabendo que cada decisão estratégica e cada melhoria técnica podem ser determinantes numa época em que o equilíbrio entre as equipas de topo é cada vez mais ténue. Resta saber se Hamilton e a Scuderia conseguem transformar o alerta austríaco no impulso necessário para relançar a sua candidatura ao título ou se a vantagem de Antonelli e da Mercedes se irá consolidar nas próximas provas.
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