O Rali de Portugal voltou a mostrar a sua faceta mais cruel e imprevisível na segunda passagem por Cabeceiras de Basto, onde o sueco Oliver Solberg, até então segundo classificado, viu a sua corrida desmoronar-se com um furo na roda da frente direita. O infortúnio aconteceu no último sector do troço e foi devastador: Solberg perdeu preciosos segundos, caiu para o quinto lugar e viu a sua luta pelo pódio desvanecer-se diante dos seus olhos.
“Não sei o que aconteceu. Eu segui as linhas da trajetória, o que posso fazer?”, desabafou Solberg, piloto da Toyota, após o final da especial, ainda incrédulo com o revés inesperado. A liderança pertence agora a Sébastien Ogier, que mantém uma vantagem curta, mas sólida, sobre os seus adversários, Thierry Neuville e Sami Pajari, que se aproximam perigosamente, separados por apenas 3,9 e 5,5 segundos, respetivamente.
A especial de Cabeceiras de Basto não foi apenas um pesadelo para Solberg. Adrien Fourmaux, da Hyundai, brilhou ao marcar o melhor tempo, mostrando que o fator climático pode ser decisivo. “Esperava que chegasse a chuva para os outros… O tempo está realmente a brincar connosco hoje. Quando esperamos chuva, ela não aparece. Quando não esperamos, ela aparece”, comentou Fourmaux, retratando a instabilidade que assola o rali.
E se a chuva em Cabeceiras perturbou a corrida, pior foi a sorte dos pilotos portugueses na segunda passagem por Felgueiras. Armindo Araújo, numa emissão ao vivo da RTP, descreveu a situação como “uma tempestade, com queda de granizo”. “Não se via nada à frente e até ao final foi difícil”, contou, evidenciando a dificuldade extrema enfrentada pela armada nacional num clima que se tem mostrado altamente volátil, alternando entre períodos de chuva intensa e abertas.
Até agora, os principais protagonistas do WRC ainda não enfrentaram as condições meteorológicas severas que se esperavam, mas a chuva já caiu com força no circuito de Lousada, palco da superespecial marcada para as 19h05. Este cenário promete agitar ainda mais a classificação e testar a resistência e a perícia dos pilotos.
No meio deste turbilhão, Ogier perdeu algum tempo para a concorrência na segunda passagem por Felgueiras, mas mantém uma liderança confortável sobre Neuville, com uma margem de 3,9 segundos. O piloto sueco da Toyota, Solberg, apesar dos contratempos, mostrou alguma resiliência ao lidar bem com o piso molhado na manhã do rali, impondo mesmo um ritmo forte que o colocou inicialmente em posição de destaque.
Enquanto isso, Portugal prepara-se para colher frutos da sua aposta no desporto, com o Sporting de Braga a ser apontado como grande impulsionador do rally nacional. Na próxima época, o país poderá tirar ainda mais dividendos, especialmente porque França e Holanda perderão muitos pontos somados nas temporadas anteriores, abrindo espaço para uma maior afirmação portuguesa no cenário internacional.
Com a eliminação do poderoso Bayern Munique no futebol europeu, a responsabilidade recai agora no Friburgo, da Alemanha, para manter a chama viva do país nas competições. Entretanto, no futebol, o treinador português protagonizou uma reação inusitada ao golo de Flaco López, criticando o avançado por “cobrar muito” em campo.
Um episódio dramático também marcou o dia em São João da Madeira, onde Enzo Marques, acompanhado pela família, viveu momentos de terror quando um condutor descontrolado subiu o passeio e atropelou dez adeptos, numa situação que chocou a comunidade desportiva e local.
O Rali de Portugal continua a surpreender e a desafiar todos os que se atrevem a competir nas suas difíceis e imprevisíveis condições. A luta está longe de terminar e a adrenalina promete manter-se em alta até à última curva.




