Porque é que a Jaguar abandonou os motores de combustão?
O essencial
- A Jaguar abandona completamente os motores de combustão e aposta numa gama exclusivamente elétrica posicionada num segmento mais luxuoso.
- A marca pretende vender menos automóveis, mas com preços e margens de lucro superiores, abandonando a competição direta com fabricantes como BMW, Mercedes-Benz e Audi.
- Modelos como XE, XF, XJ, F-Type, E-Pace, F-Pace e I-Pace desapareceram, dando lugar a uma nova geração com identidade distinta.
- Mais de 50 mil pessoas demonstraram interesse no novo GT elétrico da Jaguar, com cerca de 80% sendo novos clientes.
A marca britânica considera que o seu antigo modelo de negócio deixou de ser sustentável e aposta agora numa gama exclusivamente elétrica, posicionada num segmento mais luxuoso. A estratégia passa por vender menos automóveis, mas com preços e margens de lucro superiores.
A Jaguar reconhece que a sua transformação radical poderá afastar parte dos clientes tradicionais, mas defende que a mudança era necessária para garantir o futuro da marca. Depois de anos a tentar competir com fabricantes como a BMW, a Mercedes-Benz e a Audi, a empresa decidiu abandonar a estratégia anterior e apostar numa nova gama de automóveis elétricos, direcionada para um público mais exclusivo.
Em declarações à revista britânica Evo, Rawdon Glover, diretor-geral da Jaguar, explicou que o modelo de negócio anterior não estava a gerar rentabilidade nem crescimento suficientes. Apesar de ter desenvolvido automóveis competitivos, a marca enfrentava dificuldades para se destacar num segmento premium dominado pelos fabricantes alemães.
«Tínhamos criado alguns produtos brilhantes, alguns dos melhores da sua classe, mas a competitividade nesse setor era demasiado forte para a Jaguar conseguir destacar-se», afirmou Glover. Segundo o responsável, continuar a seguir o mesmo caminho nunca seria uma opção viável para assegurar a sobrevivência da marca.
Bons automóveis, mas sem rentabilidade suficiente
Bons automóveis, sem rentabilidade
A Jaguar considera que a qualidade dos seus modelos não era suficiente para garantir o sucesso comercial. Apesar do reconhecimento acumulado ao longo de décadas, os volumes de vendas não permitiam sustentar o negócio de forma satisfatória.
Em declarações à publicação australiana Drive, Glover reforçou que a situação exigia mais do que uma atualização pontual da gama. A marca precisava de uma mudança profunda na forma como se posicionava no mercado, nos automóveis que produzia e nos clientes que pretendia conquistar.

A resposta passou por subir de segmento e abandonar a competição direta com os modelos premium de maior volume. Em vez de procurar vender grandes quantidades de automóveis, a Jaguar pretende apostar em veículos mais caros, com um design diferenciador e um posicionamento mais exclusivo.
Esta decisão explica o desaparecimento progressivo da anterior gama da marca. Modelos como os XE, XF e XJ, o desportivo F-Type e os SUV E-Pace e F-Pace ficaram para trás. Também o elétrico I-Pace saiu de cena, dando lugar a uma nova geração de automóveis com uma identidade distinta da dos seus antecessores.
Menos automóveis, preços mais elevados
Menos volumes, preços mais altos
A nova estratégia representa uma mudança significativa na dimensão do público a que a Jaguar se dirige. Ao entrar num segmento superior, a marca passa a depender de um grupo mais reduzido de potenciais compradores, que terão de estar dispostos a pagar mais por um automóvel de luxo com uma identidade própria.
O risco é considerável. O novo posicionamento e a linguagem de design pouco convencional podem atrair novos clientes, mas também afastar os consumidores habituais da marca.
A polémica em torno da transformação da Jaguar já ficou evidente na reação à nova identidade de marca e à campanha de comunicação, bem como à apresentação do protótipo Type 00. O estilo radical do conceito dividiu opiniões e gerou uma forte discussão pública sobre o rumo escolhido pelo fabricante britânico.
Ainda assim, a Jaguar acredita que romper com o passado lhe dará melhores condições para construir um negócio sustentável. O sucesso dependerá, porém, da capacidade de transformar a atenção gerada pela nova imagem em vendas efetivas.
Mais de 50 mil interessados no novo GT elétrico
50 mil interessados no GT elétrico
A Jaguar afirma que mais de 50 mil pessoas demonstraram interesse no seu novo GT elétrico, um sinal que a empresa interpreta como um indicador inicial de procura. Segundo a marca, cerca de 80% desses potenciais compradores são novos clientes, um dado que poderá ajudar a avaliar a capacidade da estratégia para atrair público que não estava anteriormente ligado à Jaguar.
O interesse manifestado não garante, contudo, que essas pessoas venham efetivamente a comprar o automóvel. A marca terá de demonstrar que existe procura suficiente para sustentar o novo posicionamento e justificar os preços mais elevados.
No fundo, a Jaguar considera que continuar a fabricar automóveis segundo a fórmula anterior não era uma solução sustentável. A aposta passa agora por uma reinvenção profunda, com uma gama exclusivamente elétrica e uma ambição mais luxuosa. A decisão poderá abrir uma nova etapa para a marca britânica, mas só os resultados comerciais permitirão perceber se abandonar por completo a sua antiga gama foi a escolha certa.
AutoGear · 647 artigos
Jornalista de automóveis desde o ano 2000. Iniciou o seu percurso na Motorpress Lisboa, onde escreveu em revistas como o Guia do AUTOMÓVEL, Auto Magazine e Veículos Comerciais. Escreveu ainda para o semanário Autohoje, onde se especializou em testes e reviews de automóveis.
Mudou-se para a Revista Carros & Motores em 2018, permanecendo até 2025. Em 2026 integrou a redação do Autogear, onde tenta dinamizar o site. É também diretor da "Revista" Comerciais & Pesados, um suplemento trimestral da "Carros & Motores" e o membro português do júri do International Truck of the Year (Camião Internacional do Ano).