Piastri alerta para precedente perigoso após pódio devolvido a Gasly

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A reatribuição do pódio do Grande Prémio do Mónaco a Pierre Gasly gerou ondas de choque no paddock da Fórmula 1 e deixou Oscar Piastri visivelmente preocupado com o que considera ser um precedente perigoso para o desfecho das corridas. O piloto australiano da McLaren, que viu a sua própria posição ser afetada pela decisão dos comissários, alerta para o risco de equipas poderem agora recusar penalizações em pista, optando por disputar as decisões nos bastidores e lançando dúvidas sobre os resultados finais durante semanas.

No rescaldo do Grande Prémio do Mónaco, realizado no circuito citadino de Monte Carlo, a classificação foi tudo menos estável. Pierre Gasly, ao volante do Alpine, cortou a meta em terceiro lugar, mas duas penalizações de cinco segundos por alegado excesso de velocidade na via das boxes relegaram-no para a sétima posição. A Alpine, em vez de cumprir a penalização durante a prova, preferiu aceitar a adição do tempo no final, preparando de imediato um pedido de revisão junto da FIA. A argumentação centrou-se em novos dados fornecidos pela FOM, que mostravam que a distância utilizada para calcular as velocidades na via das boxes estava incorreta, levando a um erro no sistema de cronometragem e a uma sobrestimação das velocidades dos pilotos.

Perante a evidência, os comissários anularam ambas as penalizações, devolvendo o terceiro lugar a Gasly, atrás apenas de Kimi Antonelli – vencedor da prova – e de Lewis Hamilton, que ficou em segundo. Esta decisão gerou protestos formais tanto da McLaren como da Red Bull, que avançaram com recursos para o Tribunal Internacional de Apelo da FIA, ainda sem data para serem ouvidos. Isack Hadjar, da Red Bull, tinha sido promovido a terceiro lugar após as penalizações originais, enquanto Oscar Piastri perdeu uma posição na classificação revista.

O episódio, que já está a marcar o campeonato de 2024, levanta questões fundamentais sobre a aplicação das regras e a integridade desportiva da Fórmula 1. Piastri, um dos cinco pilotos penalizados em Monte Carlo por excesso de velocidade na via das boxes, cumpriu o castigo durante a corrida, condicionando a estratégia da McLaren e o seu resultado final. Em declarações aos jornalistas no Red Bull Ring, durante o fim de semana do Grande Prémio da Áustria, o piloto australiano não escondeu a sua perplexidade: “Acho que o mais óbvio é garantir que a via das boxes está corretamente medida. É um bom ponto de partida, obviamente. O que é difícil nesta situação é que a Alpine contestou a penalização. Penso que toda a gente questionou as penalizações. Nunca vi uma corrida com tantas penalizações por velocidade na via das boxes.”

Piastri acrescentou: “No meu caso específico, sabia que não estava em excesso de velocidade, mas a abordagem habitual é, ‘Tens a penalização, não podes discutir muito’, o que em 99 por cento dos casos é positivo.” O australiano reforçou que a opção da Alpine – não cumprir a penalização e depois desafiar a decisão – cria um dilema inédito: “O risco agora é que, sempre que uma equipa ou um piloto sentir que uma penalização é injusta ou que pode ser revertida, entramos num ciclo em que não sabemos oficialmente o resultado da corrida durante semanas, o que é o mais grave.”

Do lado da Alpine, Pierre Gasly defendeu que a revisão apenas corrigiu um erro claro da FIA, restabelecendo a justiça desportiva. O francês recebeu finalmente o troféu do terceiro lugar, mas reconheceu compreender a frustração dos adversários, sublinhando que “se há uma decisão errada, deve ser corrigida, mas é importante evitar que tal situação se repita.”

Piastri concluiu: “Concordo com o Pierre, se é possível corrigir um erro, faz sentido. Mas também cria um precedente complicado, porque pode levar todas as equipas a não cumprirem penalizações e depois a discutirem durante semanas, o que ninguém quer ver. É uma situação difícil, com vários lados.”

Com o campeonato a meio, o ambiente aquece não só em pista mas também nos corredores jurídicos da FIA. A decisão dos apelos de McLaren e Red Bull pode vir a alterar novamente a classificação do Grande Prémio do Mónaco e ter impacto direto na luta pelo Mundial de Pilotos e Construtores. Segue-se agora o Grande Prémio do Reino Unido em Silverstone, onde se espera que novas diretrizes sejam discutidas para garantir que a via das boxes seja corretamente medida e que a aplicação das penalizações seja inequívoca. Os próximos capítulos prometem manter a tensão elevada, tanto na pista como fora dela, com o desfecho deste caso a poder definir o tom para o resto da época.

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