Tem caixa automática? O óleo «para a vida» não é o que parece
Imagem apenas representativa. Na imagem, a caixa de dupla embraiagem DSG de sete velocidades da Volkswagen, numa fotografia de arquivo de 2008 da marca. O artigo não trata de nenhuma marca nem de nenhum modelo em particular. Fotografia: sala de imprensa da marca, https://www.volkswagen-newsroom.com/en/images/detail/the-7-speed-dual-clutch-gearbox-by-volkswagen-17638
O óleo da caixa automática anunciado como «para a vida» deve ser mudado três a quatro vezes ao longo da vida do veículo, defende um formador técnico da Meyle citado pela publicação francesa Caradisiac. O intervalo certo para cada modelo é o que o fabricante indica.
O essencial
- Um formador técnico da Meyle defende três a quatro mudanças do óleo da caixa automática ao longo da vida do veículo.
- A expressão «para a vida» assenta num ciclo teórico de 200 000 a 240 000 km, o mesmo dos motores.
- Em França, a intervenção vai de menos de 1000 euros a 2000 euros, segundo a Caradisiac, que não dá preços para Portugal.
A ideia de que uma caixa automática nunca precisa de óleo novo é um mito, segundo um artigo da Caradisiac publicado a 5 de outubro. A publicação francesa ouviu François Couraudon, formador técnico da Meyle, um fabricante de peças, que explica de onde veio a expressão.
A Caradisiac escreve, sem indicar a fonte nem o mercado a que se refere, que as caixas automáticas são hoje mais de 80% das vendas de automóveis novos e cerca de 40% da oferta de usados. Do outro lado ficam exceções como o Hennessey Venom F5-M de 2031 cv, que o AutoGear mostrou em julho e que mantém a caixa manual de seis velocidades.
De onde vem o «para a vida»
Segundo Couraudon, a expressão «para a vida» aplicada ao óleo da caixa colou-se à dos motores, com um ciclo teórico de 200 000 a 240 000 km. Ou seja, «para a vida» quer dizer até esses quilómetros.
O técnico reconhece que a teoria tem onde se apoiar. “Os casos de quebra antes dos 200 000 km são bastante raros” nas caixas automáticas, disse. A Caradisiac acrescenta que a caixa automática é um componente muito fiável, seja qual for a tecnologia, e que pode chegar aos 500 000 km.
Porque se degrada o óleo

O óleo arrefece a caixa, lubrifica-a e transmite a pressão de que o conjunto precisa para funcionar, explica a publicação. Com o uso, as peças mecânicas libertam limalha que se mistura com o lubrificante, e o óleo perde propriedades. A Caradisiac avisa que deixar a mudança por fazer pode levar à avaria.
A promessa de um óleo que nunca se muda existe noutros órgãos da transmissão. O AutoGear contou em setembro o caso do óleo do diferencial da BMW, posto em causa numa ação coletiva apresentada nos Estados Unidos, que abrange os X5, X6 e X7.
Quando mudar o óleo da caixa automática

“Hoje, toda a gente concorda que é preciso mudar o óleo da caixa três a quatro vezes ao longo de toda a vida do veículo”, afirmou François Couraudon.
A Caradisiac não dá um intervalo em quilómetros nem em anos. Escreve que a frequência depende mais do fabricante da caixa, como a ZF ou a Aisin, do que da tecnologia usada, seja conversor de binário, dupla embraiagem ou variação contínua. Comum a todas, segundo a publicação, é a mecatrónica que comanda a caixa por via hidráulica.
Por isso não há um número que sirva a todos os modelos. O intervalo certo é o que o fabricante indica para cada caixa.
Por gravidade ou com máquina
Há duas formas de fazer a mudança, de acordo com a Caradisiac. Por gravidade renova-se cerca de 40% do óleo. É o método apontado para as caixas com muitos quilómetros cujo óleo nunca foi mudado, porque deixa a caixa habituar-se ao novo lubrificante. Nalguns casos surgem solavancos depois da intervenção, que desaparecem quando a caixa reaprende a funcionar com o óleo novo.
Nos automóveis modernos e com quilometragem razoável, a publicação diz que é necessária uma máquina. Por vezes é preciso também um aparelho de diagnóstico eletrónico.
Quanto custa em França
A Caradisiac indica que a intervenção pode começar abaixo dos 1000 euros e chegar aos 2000 euros, consoante se recorra a uma oficina independente ou a um concessionário. São valores do mercado francês, e a fonte não dá preços para Portugal.
Segundo a publicação, que não identifica o estudo, 31% dos clientes franceses recusam a mudança por causa do preço e 20% não lhe veem utilidade. A Caradisiac conclui que mais vale prevenir do que remediar.
Para quem tem uma caixa automática em Portugal ficam dois números por saber, o intervalo em quilómetros e o preço. O primeiro está no plano de manutenção do fabricante, o segundo no orçamento da oficina.
Leia também
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- Quem precisa de uma caixa automática quando se tem 2.031 CV?
Perguntas e respostas
O óleo da caixa automática «para a vida» tem de ser mudado?
Sim. François Couraudon, formador técnico da Meyle, disse à Caradisiac que é preciso mudar o óleo da caixa três a quatro vezes ao longo da vida do veículo. A expressão «para a vida» assenta num ciclo teórico de 200 000 a 240 000 km.
De quantos em quantos quilómetros se muda o óleo da caixa automática?
A Caradisiac não dá um intervalo em quilómetros nem em anos. Escreve que a frequência depende mais do fabricante da caixa, como a ZF ou a Aisin, do que da tecnologia usada. O intervalo certo é o que o fabricante indica para cada caixa.
Quanto custa mudar o óleo da caixa automática?
Em França, a intervenção pode começar abaixo dos 1000 euros e chegar aos 2000 euros, segundo a Caradisiac, consoante se recorra a uma oficina independente ou a um concessionário. A fonte não indica preços para Portugal.
Fotografia: sala de imprensa da marca, https://www.volkswagen-newsroom.com/en/images/detail/the-7-speed-dual-clutch-gearbox-by-volkswagen-17638
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Ficha técnica
- Intervalo de mudanças
- Três a quatro vezes ao longo da vida do veículo
- Ciclo teórico
- 200 000 a 240 000 km
- Custo em França
- Entre menos de 1000 euros e 2000 euros
AutoGear · 3430 artigos
Assinatura colectiva da redação do AutoGear. Assina os textos dos colaboradores da casa, Pedro Albuquerque, Diogo Mota e Vasco Santos, e o acompanhamento diário do desporto motorizado e do mercado automóvel, produzido com apoio de ferramentas automáticas.
A revisão do desporto motorizado é assinada por Diogo Soure, jornalista com longo percurso em televisão e passagem pela SIC, onde foi um dos responsáveis pelo programa Volante. A responsabilidade editorial das restantes áreas é de Ricardo Marques Carvalho, jornalista de automóveis e membro português do júri do International Truck of the Year.