Lewis Hamilton prepara-se para o Grande Prémio do Canadá com uma estratégia inédita, numa tentativa clara de recuperar terreno na luta pelo título em 2026. Depois de um início de temporada marcado por dificuldades, especialmente face ao seu companheiro de equipa na Ferrari, Charles Leclerc, o britânico decidiu alterar a sua abordagem à preparação, abandonando temporariamente o uso do simulador, ferramenta que até aqui considerava essencial.
A excepção foi o GP da China, onde Hamilton não recorreu ao simulador e registou o seu melhor desempenho da temporada, um sinal claro de que algo no método de preparação tradicional não está a funcionar. “Estou a adotar uma abordagem diferente para a próxima corrida, porque a forma como temos preparado até agora não está a ajudar,” revelou o piloto britânico após o GP de Miami, onde ficou a 24 segundos de Leclerc antes do incidente do monegasco na última volta.
Hamilton explicou que, apesar do trabalho intenso no simulador, o carro acaba por se comportar de forma diferente em pista, o que complica a adaptação e a definição do set-up ideal. “Passo tempo no simulador, mas não gosto muito dele. Na preparação para esta corrida estive todas as semanas a tentar melhorar a correlação, mas quando chego à pista o carro não responde como esperado,” confessou o sete vezes campeão do mundo.
No GP de Miami, esta discrepância foi especialmente evidente. “Durante o fim de semana de sprint só temos um treino livre, pelo que não podemos fazer grandes alterações ao set-up. Mantemos o que temos e depois tentamos melhorar para a qualificação, mas só temos seis voltas para encontrar o equilíbrio,” explicou Hamilton. “Idealmente, deveria ter começado o fim de semana com um set-up semelhante ao do Charles, o que teria feito a diferença.”
Apesar das dificuldades, Hamilton destacou que gosta do SF-26, que considera mais pequeno e ágil, características que preferencialmente se adaptam ao seu estilo de condução. Contudo, reconhece que a Ferrari continua a sofrer com a falta de potência, especialmente nas retas longas do circuito canadiano, que apresenta sucessivas retas de 600m, 550m, 1,2km e 650m. “Estamos a perder três a quatro décimos só na velocidade em linha reta. Isso vai continuar até conseguirmos reduzir o arrasto,” avisou o britânico.
À medida que o campeonato avança, a Ferrari terá de encontrar soluções para esses desafios aerodinâmicos e mecânicos, enquanto Hamilton tenta recuperar competitividade e confiança com esta nova abordagem à preparação. A decisão de afastar temporariamente o simulador, mantendo apenas reuniões técnicas na fábrica, poderá ser o ponto de viragem para o piloto tentar inverter a tendência e voltar a lutar pelo topo da tabela.
Com a temporada a desenrolar-se cada vez mais competitiva, o GP do Canadá promete ser um teste crucial para Hamilton e para a Ferrari, numa batalha onde cada décimo de segundo conta e onde a inovação e adaptação podem fazer toda a diferença.




