Lewis Hamilton criticou duramente as novas regras da Fórmula 1 para 2026 após a qualificação no Grande Prémio da Bélgica em Spa-Francorchamps, onde ficou evidente uma falha significativa: os pilotos perdiam até 50 km/h nas retas devido à descarga das baterias. O piloto britânico não poupou ironia ao afirmar, “Eles ainda têm os seus empregos”, numa alusão clara à decisão das autoridades da modalidade.
Na sessão de qualificação no emblemático circuito belga, conhecido por zonas como Eau Rouge, Kemmel, Pouhon e Blanchimont, a nova regulamentação que equilibra quase a 50/50 a potência entre o motor elétrico e o motor de combustão interna revelou-se problemática. O traçado de Spa, com longas rectas e poucas zonas de travagem intensa, não permitiu uma recarga eficiente das baterias. Em especial, no final da curva Blanchimont, as velocidades caíram cerca de 50 km/h, enquanto na zona de Pouhon a perda rondou os 40 km/h face à qualificação do ano anterior.
Max Verstappen, também crítico da situação, comparou a performance dos monolugares às de carros de Fórmula 3, afirmando que durante grande parte do segundo sector os carros estavam a correr apenas com o motor de combustão, “com cerca de 450 a 500 cavalos de potência, algo semelhante ao que um carro de Fórmula 3 tem, mas com a carga aerodinâmica de um Fórmula 1”. Verstappen concluiu que isso tornava a condução pouco emocionante para os pilotos.
Lewis Hamilton concordou com o colega da Red Bull, sublinhando que, embora a performance nas curvas se mantivesse excelente, “não é nada bom nas rectas”. Questionado sobre se a diferença para o primeiro classificado, superior a meio segundo, teria sido agravada pela unidade motriz da Ferrari, o piloto da Mercedes admitiu que “não tem a certeza, não viu o overlay, mas sabe que perdeu alguma performance no último sector”. Hamilton realçou que a Mercedes já esperava dificuldades num circuito caracterizado por mais 50% de rectas.
O britânico deixou ainda uma crítica direta à decisão da Fórmula 1 em manter este regulamento, sugerindo que a falha era óbvia desde o início: “Tenho a certeza que o problema foi detectado imediatamente. Não sei quem tomou a decisão, mas quem quer que tenha sido, ainda tem o seu emprego”, rematou sarcástico.
Hamilton qualificou-se em quinto, beneficiando da penalização no motor de Lando Norris, e prepara-se para a corrida de 44 voltas no domingo, num traçado onde o equilíbrio entre potência elétrica e combustão se revelou um desafio para todos os pilotos. A polémica em torno das regras para 2026 promete continuar a marcar o campeonato.
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