Gabriel Bortoleto apelou à FIA para evitar alterações drásticas no regulamento do safety car após o Grande Prémio da Grã-Bretanha, alertando que mudanças reativas podem agravar os problemas em vez de os resolver. A corrida de 52 voltas em Silverstone terminou atrás do safety car, depois de Max Verstappen ter perdido o controlo do seu Red Bull na curva Stowe à volta 48, ficando preso na gravilha e forçando a neutralização nas últimas quatro voltas.
A situação complicou-se com a aplicação do artigo B5.13.5 do regulamento do safety car, que obriga a cumprir uma volta completa após a ultrapassagem dos carros retardatários antes da saída do safety car. A mensagem “os carros retardatários podem ultrapassar” foi enviada quando Charles Leclerc, líder da corrida, já iniciava a volta 51, o que implicou que o safety car só poderia sair na volta 52, a última da prova, tornando impossível uma relargada com bandeira verde. A confusão aumentou com a exibição errónea da mensagem “Safety Car In This Lap” durante a penúltima volta, sugerindo uma relargada iminente, algo que a FIA esclareceu ter sido um erro de software.
Leclerc venceu a corrida ao volante da Ferrari, seguido por George Russell e Lewis Hamilton. Bortoleto, que terminou em oitavo lugar com a Audi, comentou sobre a controvérsia no dia de imprensa do Grande Prémio da Bélgica. “Se não há uma preocupação de segurança, não há razão para manter o safety car na pista,” afirmou o piloto brasileiro. “Sendo muito honesto, a minha corrida não mudou com ou sem o safety car. Provavelmente ia terminar naquela posição.”
Inicialmente, Bortoleto sugeriu que a mensagem tardia tinha sido um erro, antes de clarificar que o procedimento do safety car foi aplicado corretamente, sendo a mensagem eletrónica que apresentou erro devido a um problema de software. “Ouvi dizer que foi um erro, se não estou enganado, o que aconteceu na última volta,” explicou. “Tenho a certeza de que a FIA não está satisfeita com estes erros e vai querer fazer alterações para melhorar. Contudo, acho que as regras do safety car e do virtual safety car têm funcionado razoavelmente bem nos últimos anos, por isso não me preocupa muito a mudança das regras.”
Sobre a necessidade da ultrapassagem dos carros retardatários nos momentos finais da corrida, Bortoleto reconheceu a complexidade da situação. “Se ainda faltam muitas voltas, acho que é bom porque todos voltam a competir juntos, o que é interessante. Mas no fim da corrida, quando o tempo é curto para reagrupar os carros, talvez não seja necessário.” Contudo, o piloto admitiu que não tem visão completa da situação durante a prova, pelo que qualquer decisão da organização não cabe a ele julgar.
Vários pilotos têm debatido a possibilidade do recurso mais frequente a bandeiras vermelhas para evitar finais de corrida atrás do safety car. Pierre Gasly confirmou que os pilotos discutiriam o tema com a FIA, procurando soluções práticas para não terminar as provas sob neutralização. Lewis Hamilton defende maior liberdade para usar bandeiras vermelhas, enquanto George Russell admite opiniões “conflitantes”, apontando que uma bandeira vermelha tardia pode prejudicar o líder da corrida, que pode ter construído uma vantagem significativa.
Bortoleto foi firme ao afirmar que as bandeiras vermelhas devem ser reservadas para acidentes graves, não para entretenimento. “É importante esclarecer: bandeira vermelha é para acidentes grandes. Não devemos focar apenas no espetáculo para terminar a corrida. Temos 70 voltas, 60 de corrida; isso é entretenimento suficiente.” Acrescentou ainda que incidentes como o de Verstappen, onde não houve acidente, não justificam bandeira vermelha só para prolongar a corrida: “Devemos manter a bandeira vermelha para acidentes graves, falhas nas estruturas, e a bandeira amarela para incidentes como o de Silverstone.”
O piloto alertou para os riscos de misturar critérios e criar mais problemas ao tentar resolver situações que acontecem esporadicamente: “Quando começamos a fazer isto, surgem dúvidas do género ‘por que apareceu a bandeira vermelha aqui?’ e isso gera mais dez problemas para tentar corrigir algo que acontece uma vez em 50 corridas.”
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