França trava o FSD da Tesla e diz que a tecnologia ainda não é suficientemente segura

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A Tesla está a avançar com a sua tecnologia de condução assistida na Europa, mas nem todos os países estão dispostos a abrir-lhe as portas. França decidiu travar, para já, a utilização do FSD (Full Self-Driving), alegando que ainda não existem garantias de segurança suficientes para autorizar o sistema na sua forma atual.

A decisão foi confirmada por Philippe Tabarot, ministro francês dos Transportes, que explicou que as autoridades continuam a ter dúvidas sobre a segurança da tecnologia. “As garantias de segurança ainda não são suficientes para a autorização na sua forma atual”, afirmou o responsável num vídeo.

A posição francesa contrasta com a de outros países europeus, onde a Tesla tem vindo a avançar com a implementação do sistema. Nos Países Baixos, por exemplo, o FSD está a ser implementado há cerca de três meses, enquanto França prefere manter uma postura mais cautelosa.

Um dos principais problemas identificados pelas autoridades francesas está relacionado com a velocidade. Segundo o ministro dos Transportes, o sistema pode, em determinadas situações, ultrapassar o limite permitido em até 50%.

Esta possibilidade é particularmente preocupante em zonas onde os limites são baixos. Num local com velocidade máxima de 30 km/h, por exemplo, um aumento de 50% significaria atingir 45 km/h. De acordo com informações divulgadas sobre o funcionamento do sistema nos Estados Unidos, podem existir situações em que o veículo circula até 16 km/h acima do limite.

Mas a velocidade não é a única preocupação francesa. O governo também questiona a capacidade do sistema para garantir que o condutor está devidamente preparado e atento em algumas das situações mais exigentes da condução.

Mudanças de faixa, cruzamentos e rotundas estão entre os cenários que levantam dúvidas às autoridades francesas. O problema está relacionado com a forma como o sistema monitoriza o condutor e avalia se este está em condições de assumir o controlo do veículo quando necessário.

E há outro ponto que o ministro fez questão de sublinhar: apesar das capacidades do FSD, o condutor continua a ser responsável pelo veículo. Em caso de acidente com o sistema ativado, a responsabilidade criminal continua a recair sobre quem está ao volante.

A decisão representa um revés para a Tesla num momento em que a marca tenta expandir o FSD para mais mercados europeus. A tecnologia promete assumir uma parte cada vez maior das tarefas de condução, mas continua a estar sujeita às regras e limitações impostas pelas autoridades de cada país.

França, pelo menos para já, não parece estar disposta a correr riscos

Ainda assim, o governo francês não pretende fechar a porta à condução autónoma. Philippe Tabarot revelou que pretende reunir no outono o setor francês ligado aos veículos autónomos para discutir medidas que permitam acelerar o desenvolvimento e a implementação desta tecnologia.

Ou seja, Paris não diz não à condução autónoma. Diz apenas que, no caso da Tesla, ainda não está convencida de que o FSD esteja preparado para circular livremente nas estradas francesas.

A Tesla terá agora de convencer as autoridades de que o sistema consegue garantir um nível de segurança adequado. Até lá, os condutores franceses que esperavam experimentar o FSD terão de continuar à espera.

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