Carregamento Mobi.E: quem cobra o quê num posto público em Portugal
Imagem ilustrativa. Fotografia: Pexels, Reinhard Bruckner, https://www.pexels.com/photo/public-charger-for-electric-vehicles-4678065/ (Licença Pexels, uso livre com crédito)
Num carregamento Mobi.E, o comercializador do cartão ou da aplicação cobra a energia, o operador cobra o uso do posto e somam-se o IEC e o IVA, segundo a ERSE. Em 2026, a tarifa da entidade gestora é de 0,1088 euros por carregamento, e é a tarifa do operador que faz a conta mudar de posto para posto.
O essencial
- A fatura de um posto público junta a componente do CEME, a do operador do posto (OPC), o IEC e o IVA, segundo a ERSE.
- A tarifa EGME é de 0,1088 euros por carregamento em 2026, menos 30,8% do que os 0,1572 euros de 2025, segundo a Mobi.E.
- O Conselho de Ministros aprovou a 11 de junho de 2026 a prorrogação do período transitório do regime da mobilidade elétrica até 31 de dezembro de 2027.
A fatura de um carregamento na rede pública tem três blocos, segundo a ERSE, a entidade reguladora dos serviços energéticos: a parte do comercializador, a do operador do posto e os impostos. Quem a emite é o comercializador com quem o condutor tem contrato.
O que entra num carregamento Mobi.E
O comercializador de eletricidade para a mobilidade elétrica (CEME) cobra a energia, e no preço dele entram as tarifas de acesso às redes e a tarifa da entidade gestora da mobilidade elétrica (EGME). O operador do ponto de carregamento (OPC) cobra a utilização do posto, e a sua parte também inclui a tarifa EGME.
No bloco dos impostos estão o imposto especial sobre o consumo de energia elétrica (IEC) e o IVA. A Mobi.E indica um IEC de 0,001 euros por kWh no continente e um IVA de 23% no continente, 22% na Madeira e 16% nos Açores.
As tarifas de acesso às redes são fixadas todos os anos pela ERSE e, na mobilidade elétrica, só têm parte variável, em euros por kWh. Há uma para baixa tensão e outra para média tensão, segundo as perguntas frequentes da Mobi.E.
Porque é que as contas mudam de posto para posto
A Mobi.E explica que o CEME e o operador podem cobrar por kWh, por minuto, por sessão ou por uma combinação destas. Para um dado contrato, o preço do CEME é igual em toda a rede, e é na tarifa do operador que os postos se distinguem. No mesmo posto, dois condutores com cartões de comercializadores diferentes podem pagar a energia a preços diferentes.
A taxa da Mobi.E em 2026
O AutoGear foi buscar os valores deste ano ao comunicado da Mobi.E de 16 de dezembro de 2025. A tarifa EGME é de 0,1088 euros por carregamento em 2026, contra 0,1572 euros em 2025, uma descida de 30,8%. A ERSE aprovou as tarifas EGME de 2026 pela Diretiva n.º 12/2025, de 29 de dezembro.
Pagam-na o CEME e o operador, por cada carregamento na rede nacional. Segundo a Mobi.E, estas tarifas deverão pesar entre 3% e 4% do preço final pago pelo utilizador.
Um exemplo com 30 kWh
Num carregamento de 30 kWh, a energia paga-se ao preço do contrato com o CEME, igual num posto rápido e num lento. Soma-se a tarifa de acesso às redes, por kWh, que muda consoante o posto esteja ligado em baixa ou em média tensão. O IEC dá 3 cêntimos no continente, ou seja, 30 vezes 0,001 euros. A tarifa EGME conta por carregamento, e não por kWh, tanto na parte do CEME como na do operador.
O resto da diferença está no operador. Pela conta simples da potência, 30 kWh pedem pelo menos 36 minutos num posto de 50 kW e mais de quatro horas num de 7,4 kW, se o automóvel aceitar sempre a potência máxima. Se o operador cobra ao minuto, o posto lento sai mais caro na parte dele; se cobra ao kWh, o tempo não pesa. O IVA entra no fim, e o carregamento rápido já não é só para ligeiros, como o AutoGear contou quando a estação para camiões elétricos chegou à A8.
Onde ver o preço antes de ligar o cabo
A tarifa de cada operador aparece na pesquisa de postos do site da Mobi.E, nas aplicações de mobilidade elétrica e na placa informativa do posto, segundo as perguntas frequentes da entidade gestora. A Mobi.E aconselha as aplicações, porque calculam o custo total para o posto e o contrato escolhidos. Sugere também comparar as tarifas dos operadores e preferir as cobradas por kWh, mais fáceis de perceber, embora possam sair mais caras.
O novo regime e o período transitório
O Decreto-Lei n.º 93/2025, de 14 de agosto, aprovou o novo regime jurídico da mobilidade elétrica. Com ele, os utilizadores deixam de precisar de contrato com um comercializador, segundo o Governo. A análise da CMS acrescenta que o diploma torna obrigatório em todos os pontos o carregamento ad hoc, feito sem contrato.
O período transitório acabava a 31 de dezembro de 2026. A 11 de junho de 2026, o Conselho de Ministros aprovou um decreto-lei que o prolonga até 31 de dezembro de 2027. O objetivo é dar tempo à revisão dos contratos de concessão, que abrangem cerca de 70% da rede existente. Segundo o Governo, a Mobi.E continua a integrar novos pontos e os investimentos dos detentores de pontos de carregamento ficam protegidos, o que a Mobi.E confirmou a 12 de junho.
Os 0,1088 euros da tarifa EGME valem para 2026. O valor de 2027 será fixado pela ERSE, que aprova esta tarifa todos os anos.
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Perguntas e respostas
Quem cobra o quê num carregamento Mobi.E, num posto público em Portugal?
O comercializador (CEME) cobra a energia, com as tarifas de acesso às redes e a tarifa EGME, e o operador do posto (OPC) cobra a utilização, também com a tarifa EGME. Somam-se o imposto especial sobre o consumo de energia elétrica (IEC) e o IVA, segundo a ERSE.
Quanto é a tarifa EGME da Mobi.E em 2026?
É de 0,1088 euros por carregamento, contra 0,1572 euros em 2025, segundo a Mobi.E. É paga pelo CEME e pelo operador, e a entidade gestora diz que estas tarifas deverão pesar entre 3% e 4% do preço final.
Até quando dura o período transitório do novo regime da mobilidade elétrica?
Até 31 de dezembro de 2027. O Conselho de Ministros aprovou a 11 de junho de 2026 um decreto-lei que o prolonga, quando antes acabava no fim de 2026. Segundo o Governo, a Mobi.E continua a integrar novos pontos de carregamento durante esse período.
Fotografia: Pexels, Reinhard Bruckner, https://www.pexels.com/photo/public-charger-for-electric-vehicles-4678065/ (Licença Pexels, uso livre com crédito)
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Ficha técnica
- Tarifa EGME 2026
- 0,1088 euros por carregamento
- Tarifa EGME 2025
- 0,1572 euros por carregamento
- Redução tarifa 2025 para 2026
- 30,8%
- IEC continente
- 0,001 euros por kWh
- IVA continente
- 23%
- IVA Madeira
- 22%
- IVA Açores
- 16%
- Peso tarifa EGME no preço final
- 3% a 4%
AutoGear · 3257 artigos
Assinatura colectiva da redação do AutoGear. Assina os textos dos colaboradores da casa, Pedro Albuquerque, Diogo Mota e Vasco Santos, e o acompanhamento diário do desporto motorizado e do mercado automóvel, produzido com apoio de ferramentas automáticas.
A revisão do desporto motorizado é assinada por Diogo Soure, jornalista com longo percurso em televisão e passagem pela SIC, onde foi um dos responsáveis pelo programa Volante. A responsabilidade editorial das restantes áreas é de Ricardo Marques Carvalho, jornalista de automóveis e membro português do júri do International Truck of the Year.