Aston Martin despediu-se da versão mais fraca do seu monolugar de Fórmula 1 em 2026 com uma prestação desastrosa no Grande Prémio da Bélgica, no circuito de Spa-Francorchamps. Fernando Alonso terminou a qualificação em 21.º lugar, a mais de quatro segundos do tempo da pole position, e acabou a corrida duas voltas atrás do líder, evidenciando as graves limitações do carro. A equipa enfrenta agora o primeiro teste decisivo sob a liderança de Adrian Newey, na esperança de recuperar a sua reputação e convencer Alonso a permanecer.
No evento do campeonato de 2026, Aston Martin sofreu com um carro que apresenta problemas de aerodinâmica, falta de potência e baixa fiabilidade. Alonso destacou que o modelo atual é “a pior versão” da Fórmula 1 que alguma vez conduziu, revelando mesmo que tem recorrido a carros antigos do seu museu pessoal para manter a paixão pelo desporto enquanto o presente o desilude. “Tenho carros antigos, de 2007, 2012, os meus próprios carros de Fórmula 1 que conduzo de vez em quando e gosto muito disso”, afirmou após a prova na Bélgica.
Apesar da frustração, Alonso manteve que a sua decisão sobre o futuro não depende do desempenho deste ano. “O meu desfecho não é sobre o desempenho deste ano. Começámos com o pé errado e não posso basear a minha decisão numa realidade que não representa o verdadeiro potencial da equipa”, explicou o piloto espanhol. A Aston Martin planeia introduzir um pacote de atualizações, incluindo um chassis mais leve e melhorias aerodinâmicas, no Grande Prémio da Hungria, e um upgrade do motor Honda para o GP da Holanda, após a pausa de verão. Estima-se que estas melhorias possam acrescentar até dois segundos por volta, embora Alonso tenha avisado que, mesmo com este ganho, a equipa continuará atrás de algumas das equipas de topo do meio do pelotão.
Lance Stroll, colega de equipa de Alonso, expôs ainda mais os problemas do monolugar ao reconhecer que “não há nada de positivo no carro, não tem pontos fortes, só podemos melhorar”. O canadiano provocou intencionalmente o carro em Silverstone para evidenciar as falhas aerodinâmicas e de estabilidade que afetam a condução em curvas de baixa e média velocidade, além da falta de downforce e problemas no equilíbrio do veículo.
A Aston Martin está a lutar para resolver também os desafios técnicos do motor Honda, que enfrenta dificuldades com a taxa de compressão e problemas de detonação. Shintaro Orihara, responsável pela gestão da equipa no circuito, confirmou que o foco está exclusivamente no motor de combustão interna, sem melhorias previstas para componentes elétricos, como a bateria ou o MGU-K.
Mike Krack, diretor técnico da equipa, afirmou que a montagem das peças do novo carro para o GP da Hungria está praticamente concluída, embora os prazos tenham sido apertados. “Estou confiante que temos tudo o que precisamos”, disse após a prova na Bélgica. A equipa tem feito um esforço para extrair o máximo rendimento do carro atual, apesar das peças estarem “muito gastas”.
Com o circuito rápido e exigente de Spa a evidenciar as fragilidades do conjunto, o traçado sinuoso do Hungaroring poderá ser uma oportunidade para Aston Martin avaliar a eficácia das atualizações. Alonso reconhece que o projeto de Newey ainda pode ter futuro, mas não esconde a sua impaciência. Com 45 anos prestes a fazer, o piloto espanhol está numa encruzilhada: continuar a lutar com uma equipa que ainda não mostrou soluções definitivas, ou ponderar o fim da sua carreira na Fórmula 1. A decisão de Alonso será um dos momentos mais aguardados da temporada, num contexto onde as opções no mercado estão limitadas e as equipas de topo praticamente fechadas para 2027.
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