Antonelli questiona via rádio a pole de Russell no GP da áustria

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George Russell surpreendeu tudo e todos ao garantir a pole position para o Grande Prémio da Áustria, numa sessão de qualificação marcada pelo acidente tardio de Max Verstappen e pela confusão gerada pelos avisos de bandeiras amarelas. Enquanto o piloto da Mercedes celebrava um regresso ao topo da grelha, as comunicações de rádio não transmitidas em direto revelaram o espanto e frustração de Kimi Antonelli, seu colega de equipa, ao perceber como Russell conseguiu melhorar o tempo numa situação aparentemente adversa.

Na fase decisiva da qualificação, Q3, o acidente de Verstappen na curva 9 deixou a pista sob bandeiras amarelas e obrigou todos os pilotos a abrandar. George Russell, porém, conseguiu uma volta em 1:06.113, colocando-se na frente de Charles Leclerc (Ferrari) por dois décimos de segundo. Lewis Hamilton garantiu o terceiro posto, enquanto Kimi Antonelli, depois de liderar as duas primeiras fases da qualificação, viu-se relegado para o quarto lugar após abortar a sua última tentativa devido à perceção de bandeiras duplas amarelas. O Top 5 ficou fechado por Carlos Sainz, também da Ferrari, que não conseguiu replicar o ritmo dos colegas da frente.

A diferença entre Russell e Leclerc foi de 0,207 segundos, com Hamilton a cerca de três décimos do topo. O Grande Prémio da Áustria, disputado no Red Bull Ring, ganha assim contornos decisivos para o campeonato de 2026, especialmente depois de Antonelli ter sofrido a sua primeira desistência da época em Barcelona e chegar a Spielberg com 41 pontos de vantagem sobre Hamilton. Russell, por sua vez, estava nove pontos atrás do heptacampeão, sem vencer desde a primeira ronda do ano, na Austrália.

O momento-chave da sessão foi, sem dúvida, o acidente de Verstappen – que não só retirou o holandês da luta pela pole, como criou confusão entre os pilotos quanto ao tipo de bandeira amarela em vigor. A polémica acentuou-se quando se percebeu que Russell, apesar de ter abrandado, conseguiu ainda assim melhorar o seu tempo. Do lado de Antonelli, a frustração foi clara nas comunicações de rádio. Assim que percebeu que Russell tinha feito a pole, questionou Peter Bonnington, seu engenheiro de pista: “Como é que o George melhorou?”. Bonnington respondeu: “Ele aparentemente levantou o pé durante a amarela”. Antonelli, visivelmente descontente, insistiu: “Sim, mas era bandeira dupla amarela”. Bonnington admitiu: “Tenho de confirmar isso”. Antes, quando viu as bandeiras, Antonelli já tinha expressado o seu desânimo: “Amarela, amarela. Amarela, amarela”. E logo de seguida: “****! Era esta a volta, pá! Era esta a volta! Meu Deus. Era esta a volta, pá!”

Do lado de Russell, a reação após passar pelo acidente de Verstappen foi igualmente esclarecedora. O britânico explicou no rádio da Mercedes: “Levantei a entrada naquela curva. Perdi bastante tempo, mas levantei”. E acrescentou: “Grande levantamento na entrada daquela curva. Perdi mais de um décimo”.

No rescaldo, Antonelli apelou a uma revisão do episódio, considerando que o acidente de Verstappen justificava a aplicação da bandeira dupla amarela, obrigando todos os pilotos a abortar a volta. A decisão dos comissários da FIA acabou por validar a volta de Russell, mas o episódio promete manter acesa a discussão sobre o rigor na aplicação das regras de segurança e justiça desportiva na Fórmula 1.

Com este resultado, Russell relança-se na luta pelo campeonato, aproximando-se de Hamilton e mantendo Antonelli sob pressão. O próximo desafio será já no circuito de Silverstone, onde a Mercedes tentará capitalizar o momento positivo e onde Antonelli terá de responder à adversidade. As posições no campeonato estão mais apertadas, e cada ponto pode ser determinante até ao final da temporada.

Este desfecho no Red Bull Ring coloca Russell novamente em destaque, mas também expõe a tensão crescente dentro da Mercedes, com Antonelli a exigir respostas e a FIA sob escrutínio. O confronto entre os três candidatos ao título promete intensificar-se, e as decisões estratégicas e administrativas podem vir a ser tão determinantes como o talento ao volante.

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