Kimi Antonelli deixou a sua marca logo na primeira fase da qualificação para o Grande Prémio da Áustria de Fórmula 1, ao garantir a melhor volta com um impressionante 1m07,083s, num traçado de Spielberg onde a velocidade e precisão foram determinantes. O grande destaque, contudo, ficou pela eliminação prematura dos dois pilotos da Williams, Cadillac e Aston Martin ainda na Q1, um desfecho inesperado que baralha por completo as contas do pelotão intermédio e promete uma corrida de domingo recheada de reviravoltas.
A sessão foi marcada por tensão máxima desde o primeiro minuto, com o asfalto a apresentar níveis de aderência em rápida evolução. Nico Hülkenberg, ao volante do Audi, conseguiu surpreender nos primeiros minutos ao colocar-se provisoriamente na liderança, mas rapidamente viu o seu tempo batido por Lando Norris, que estabeleceu um 1m07,259s. Russell, Hamilton e Verstappen também se intrometeram na discussão, mas foi Antonelli, com um sector final irrepreensível, a carimbar a pole provisória desta primeira ronda. No final da Q1, Carlos Sainz (Williams) acabou por ser a grande vítima, terminando num desapontante 17.º lugar, depois de perder o controlo na última curva e comprometer uma volta promissora. Alexander Albon, também da Williams, ficou logo atrás, em 18.º, enquanto Sergio Pérez e Valtteri Bottas, ambos ao serviço da Cadillac, não foram além do 19.º e 20.º postos. A Aston Martin viveu igualmente um pesadelo com Fernando Alonso e Lance Stroll a fecharem a tabela, em 21.º e 22.º, respectivamente. Franco Colapinto, ao volante do Sauber, foi um dos heróis do dia ao garantir o nono tempo, depois de uma recuperação notável nos instantes finais.
No contexto do campeonato, este resultado tem implicações significativas. A Williams, que tinha vindo a mostrar sinais de recuperação nas últimas provas, volta a sofrer um duro revés, com ambos os seus pilotos a sair de posições muito modestas na grelha. A Cadillac, após um início de temporada promissor, vê-se agora obrigada a repensar a estratégia, especialmente com Pérez e Bottas fora dos pontos de partida ideais. Para a Aston Martin, o cenário é ainda mais preocupante: Alonso e Stroll ficam a precisar de uma autêntica epopeia para alcançar lugares pontuáveis, hipotecando desde logo as aspirações de encurtar distâncias para rivais directos no campeonato de construtores.
No final da sessão, as reações dos protagonistas não se fizeram esperar. Carlos Sainz, visivelmente desiludido, explicou: “Perdi a traseira na última curva, a aderência simplesmente desapareceu. Sabíamos que seria apertado, mas não esperava sair tão cedo. Vamos ter de arriscar tudo na corrida.” Alexander Albon, igualmente abatido, acrescentou: “Faltou-nos ritmo desde o início, e isso tornou impossível escapar à eliminação. Há muito trabalho pela frente.” Já Fernando Alonso, perante os jornalistas, afirmou: “Foi uma sessão para esquecer. A pista evoluiu muito e não conseguimos estar no sítio certo no momento certo. Amanhã é outra história.” Lance Stroll, por seu lado, resumiu: “Simplesmente não tínhamos velocidade. Temos de analisar tudo com calma.”
À entrada para o resto do fim-de-semana, a pressão recai agora sobre as equipas eliminadas na Q1, que terão de apostar em estratégias alternativas e, possivelmente, arriscar com pneus ou janelas de paragem para tentar recuperar posições. O Grande Prémio da Áustria promete assim uma luta intensa no meio do pelotão, com a luta pela liderança a adivinhar-se igualmente renhida entre Antonelli, Norris, Russell, Hamilton e Verstappen, que continuam a mostrar argumentos para disputar a vitória. A próxima ronda do campeonato trará ainda mais pressão, com as equipas a precisar urgentemente de pontos para manterem vivas as ambições tanto nos títulos de pilotos como de construtores. Para Williams, Cadillac e Aston Martin, a palavra de ordem é reagir — e rápido.
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