Verstappen critica RB22 após acidente e admite frustração na áustria

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O acidente de Max Verstappen na penúltima curva da qualificação para o Grande Prémio da Áustria surpreendeu todos no Red Bull Ring e baralhou as contas do fim-de-semana. O neerlandês, que procurava garantir mais uma presença na primeira linha da grelha, viu a sua tentativa promissora terminar contra o muro, um episódio que não só comprometeu as suas aspirações para a corrida, como também reacendeu o debate sobre a fiabilidade e comportamento da sua RB22.

George Russell, da Mercedes, acabou por conquistar a pole position com um tempo de 1:04.376, beneficiando do erro do campeão mundial da Red Bull. Verstappen, que estava a caminho de uma volta potencialmente mais rápida, não conseguiu completar o seu esforço, ficando fora do top-3, enquanto Lando Norris, da McLaren, garantiu o segundo lugar na grelha a apenas 0,087 segundos de Russell. Charles Leclerc, da Ferrari, completou o trio da frente, a 0,142 segundos do líder. O incidente de Verstappen na curva 9, já no limite do sector final, deixou-o com um tempo incapaz de rivalizar com os adversários directos, aumentando a pressão sobre a Red Bull para o resto do fim-de-semana austríaco.

Este revés representa mais do que um simples erro de pilotagem. Verstappen, que lidera o Campeonato do Mundo de Fórmula 1, vê a sua margem de manobra encurtar perante a recuperação das rivais Mercedes e McLaren. As dificuldades da RB22 têm sido crescentes, especialmente em contextos de pista fria e condições variáveis, o que coloca em xeque a consistência que a equipa de Milton Keynes exibiu nas primeiras provas da época. Com Russell a conquistar pontos preciosos para a Mercedes e Norris a consolidar-se como ameaça real, a liderança de Verstappen no campeonato poderá ser posta em causa caso persistam os problemas técnicos e de afinação no monolugar.

No rescaldo da qualificação, Verstappen não escondeu a frustração. Em declarações ao jornal neerlandês De Telegraaf, o tetracampeão mundial recorreu ao humor para aliviar a tensão: “Penso que no final do ano vou para o Tibete e vou relaxar como Buda”, brincou, sublinhando o desgaste emocional causado pelas dificuldades técnicas. Sobre o incidente, Verstappen foi claro: “Tenho de contar até dez, às vezes até cem, antes de falar destas máquinas complicadíssimas. Não forcei demasiado, estas situações podem sempre acontecer e, normalmente, conseguimos corrigir, mas desta vez o carro estava completamente fora de controlo.” O piloto da Red Bull acrescentou ainda: “Estão a acontecer coisas muito estranhas, não sei bem o que sucedeu naquela última volta. Tive bastante sobreviragem na curva 6, o que já foi estranho, e perdi ali algum tempo. Sabia que tinha margem no último sector. Virei para o interior e o carro perdeu totalmente a trajectória, nem sequer consegui tentar corrigir. Temos de verificar a asa traseira, ver se fechou no momento certo, porque me pareceu mesmo um acidente estranho.”

Christian Horner, director da equipa Red Bull, admitiu após a sessão que “as condições estavam traiçoeiras e a reacção do carro não foi a esperada”, prometendo uma análise minuciosa ao sistema de DRS e à aerodinâmica traseira do monolugar. Apesar do contratempo, Horner garantiu que “a equipa está focada em perceber a origem do problema para recuperar na corrida”.

Com a próxima prova a ter lugar já dentro de uma semana em Silverstone, o paddock aguarda com expectativa a resposta da Red Bull e de Verstappen à adversidade. Se os problemas persistirem, tanto Russell como Norris podem capitalizar e aproximar-se ainda mais do topo da classificação geral. O campeonato ganha nova vida, com três equipas a disputar a supremacia e a incerteza a pairar sobre o domínio recente de Verstappen. O neerlandês terá agora de encontrar respostas rápidas e a Red Bull precisa de uma solução técnica convincente para evitar que as aspirações ao título sejam colocadas em risco logo na fase intermédia da temporada.

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