Verstappen rejeita desfile lego na F1: «não somos crianças nem palhaços»

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Max Verstappen voltou a criar polémica ao criticar abertamente o regresso do desfile de pilotos em carros de Lego, agendado para o Grande Prémio da Grã-Bretanha, em Silverstone. O neerlandês, que lidera o Campeonato do Mundo de Fórmula 1, não escondeu o desagrado em relação à iniciativa, considerando que os pilotos “não devem parecer crianças ou palhaços”, numa altura em que o espectáculo fora da pista assume cada vez maior protagonismo.

Este fim-de-semana, todos os 22 pilotos do Mundial vão cumprir uma volta ao icónico circuito britânico ao volante de minicars de Lego, cada um construído com mais de 28 mil peças. A iniciativa, que teve a sua estreia no Grande Prémio de Miami do ano passado, volta agora a palco europeu, com os pequenos veículos a atingirem velocidades máximas de 25 km/h. Em 2023, o evento foi marcado por colisões insólitas entre pilotos, com peças de Lego a voar pela pista e a arrancar gargalhadas ao público nas bancadas.

Apesar do sucesso junto dos fãs e de alguns pilotos, Verstappen mantém-se fiel à tradição. “Prefiro brincar com Lego em casa, com as crianças. Aqui, para ser sincero, não faz sentido”, afirmou o piloto da Red Bull em declarações à Viaplay, antes do fim-de-semana de Silverstone. “Prefiro estar em cima do camião, todos juntos. Acho mais divertido e parece-me mais profissional”, sublinhou, defendendo o habitual desfile em camião, onde os pilotos dão uma volta ao circuito — acenando aos adeptos e concedendo pequenas entrevistas à F1 TV.

Verstappen foi ainda mais longe nas críticas à imagem que o evento transmite. “No final do dia, somos pilotos de Fórmula 1, não devemos parecer crianças ou palhaços a tentar bater uns nos outros. Não acho que seja isso que a Fórmula 1 precisa, mas é o que é”, afirmou, reiterando a sua preferência pela sobriedade e pelo profissionalismo que, segundo ele, devem caracterizar a elite do automobilismo.

O neerlandês garantiu que não vai participar em manobras caricatas, ao contrário do que aconteceu em Miami. “Vou só dar a minha volta e acenar aos fãs, porque eles merecem ver-nos. Mas, sinceramente, preferia que fosse de outra maneira”, sublinhou Verstappen, mostrando respeito pelo público mas também alguma resignação face à inevitabilidade do espectáculo.

Se Verstappen se mostra crítico, outros pilotos encaram o desfile de Lego com entusiasmo. Lando Norris, campeão em título e rosto da renovação geracional na Fórmula 1, partilhou a sua expectativa positiva durante a conferência de imprensa da FIA: “Estou mesmo entusiasmado! Se for como em Miami, acho que quem conseguir chegar ao fim já é um vencedor. É uma iniciativa gira, diferente do habitual”, afirmou o britânico da McLaren. “Obviamente, estar todos juntos no camião é divertido e permite conversar e ver os fãs, mas também é bom fazer algo diferente de vez em quando. Desde que seja seguro e todos se comportem, vai ser uma experiência divertida”, acrescentou Norris.

Valtteri Bottas, piloto da equipa Cadillac, revelou até a sua estratégia para a ‘corrida’: “Estou mesmo empolgado porque não participei em Miami no ano passado e, ao ver, pareceu-me muito divertido. Como todos estamos limitados a 25 km/h, poupar distância deve ser a chave. Vou apostar nisso… e no cone de aspiração”, brincou o finlandês, mostrando que, mesmo em modo recreativo, o espírito competitivo nunca desaparece.

Em termos de impacto no campeonato, o desfile de Lego não interfere directamente com os resultados, mas reflecte o esforço crescente da Fórmula 1 em captar novos públicos e proporcionar experiências inovadoras fora da grelha de partida. O Grande Prémio da Grã-Bretanha, uma das provas mais emblemáticas e com maior tradição do calendário, torna-se assim palco de mais um capítulo na batalha entre inovação e tradição, espectáculo e desportivismo.

Com Verstappen firme na liderança do campeonato e a McLaren de Norris e a Mercedes de Hamilton a tentarem recuperar terreno, Silverstone promete emoção tanto dentro como fora da pista. Após o desfile de Lego, as atenções voltam-se para a qualificação e para a corrida de domingo, onde cada ponto poderá ser determinante na luta pelo título. O próximo desafio será o Grande Prémio da Hungria, onde as rivalidades voltarão a aquecer e as diferenças pontuais poderão sofrer novas reviravoltas.

A discussão sobre o equilíbrio entre espectáculo e desporto está ao rubro, e Silverstone torna-se, uma vez mais, o palco ideal para que a Fórmula 1 mostre todas as suas facetas — das mais sérias às mais lúdicas. Resta saber se, no final, será a tradição ou a inovação a conquistar a preferência dos adeptos e dos protagonistas do paddock.

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