Lando Norris e Oscar Piastri enfrentaram a realidade dura da qualificação para o Grande Prémio da Áustria, com o sexto e o sétimo lugares, respectivamente, a reflectirem a falta de velocidade da McLaren face aos seus principais rivais. O contraste com o domínio da equipa nesta mesma pista há apenas um ano é gritante, colocando em evidência o declínio do ritmo competitivo da MCL40 em relação à Ferrari, Red Bull e Mercedes. O traçado de Spielberg, palco da 11.ª ronda do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 de 2025, revelou as debilidades actuais do projecto de Woking, que parece pagar o preço de um desenvolvimento tardio após a intensa luta pelo título na época passada.
Na sessão decisiva de qualificação, Norris cravou um tempo de 1:05.780, ficando a 0,672 segundos da pole position conquistada por Max Verstappen, enquanto Piastri ficou logo atrás, com 1:05.824. Entre ambos, a diferença foi mínima – apenas 44 milésimos –, mas significativa face aos adversários directos. Verstappen arrancará da frente, acompanhado por Charles Leclerc, com as Ferrari e as Mercedes a demonstrarem ritmo superior ao dos carros da McLaren. Este resultado obriga a equipa britânica a repensar estratégias, num momento em que lutam para não perder o comboio dos candidatos ao título.
O contexto desta qualificação não poderia ser mais importante: a McLaren, campeã do mundo em 2024, vê-se agora em dificuldades para acompanhar o ritmo dos seus concorrentes. A cada prova, a pressão aumenta, não só por causa dos resultados actuais, mas também devido à expectativa criada após uma temporada passada de sonho. O sexto e sétimo lugares em Spielberg não só colocam em causa as aspirações ao título como também ameaçam a posição da McLaren no pelotão da frente, com a Mercedes a recuperar terreno e a Ferrari a consolidar-se. O resultado confirma o que se tem notado desde o início do novo ciclo técnico: a falta de desenvolvimento atempado está a custar caro à equipa de Woking, que já não consegue surpreender nos momentos decisivos, como o Q3.
Após a sessão, Lando Norris mostrou-se realista mas determinado: “No geral, foi um bom dia, o sexto lugar é um resultado que espelha a nossa situação. É fácil olhar para os tempos dos treinos livres e esperar algo mais, mas sabemos que os carros à nossa frente são fortes, como se tem visto durante toda a época. Realisticamente, esta é a nossa posição actual, mas temos os nossos pontos fortes que vamos tentar explorar e estamos bastante próximos para lutar amanhã”, sublinhou o campeão do mundo, já a pensar numa corrida marcada pelo calor intenso e pelo elevado desgaste dos pneus. “A corrida terá temperaturas incrivelmente elevadas e o desgaste dos pneus será um factor determinante, tal como aconteceu em Barcelona. Muito pode acontecer com a estratégia e as paragens nas boxes, mas se conseguirmos gerir bem a corrida e aproveitar todas as oportunidades, poderemos alcançar um bom resultado”, concluiu Norris, numa antevisão pragmática de domingo.
Oscar Piastri, por sua vez, alinhou pelo mesmo discurso de realismo, destacando a proximidade de desempenhos dentro da equipa: “O sétimo lugar reflete realisticamente a nossa situação actual. Fizemos um bom trabalho a optimizar o nosso pacote, os tempos por volta entre mim e o Lando foram incrivelmente próximos durante todo o fim de semana: isto sugere que extraímos quase tudo o que era possível do carro. Falta-nos aquele toque de velocidade em relação aos nossos adversários mais directos. Sabemos que a Mercedes tem uma vantagem e que a Ferrari está forte, conhecemos as áreas em que temos de melhorar”, analisou o australiano, evidenciando a necessidade de evolução para voltar ao topo.
Olhando para o futuro, a próxima ronda será decisiva para as aspirações da McLaren em 2025. Caso não surja uma resposta forte já no próximo Grande Prémio, a equipa arrisca-se a perder definitivamente o contacto com os líderes do campeonato. A luta directa com a Mercedes pelo terceiro lugar nos construtores pode transformar-se numa batalha renhida, enquanto Norris e Piastri terão de explorar cada oportunidade estratégica para capitalizar o desgaste dos pneus e as eventuais falhas dos adversários. Resta agora saber se a McLaren conseguirá inverter a tendência e regressar às vitórias, ou se ficará a assistir de longe à luta pelo título, numa temporada que se adivinha cada vez mais exigente e imprevisível.
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