Lewis Hamilton lançou um repto à Ferrari para elevar o desempenho do seu SF-26 antes da última sessão de treinos livres e da qualificação para o Grande Prémio da Áustria. O piloto britânico, que chegou ao Red Bull Ring embalado pela sua primeira vitória ao serviço da Scuderia, viu-se forçado a encarar a realidade ao registar apenas o quinto melhor tempo tanto na primeira como na segunda sessão de treinos livres, numa pista onde cada centésimo conta.
No asfalto escaldante das montanhas da Estíria, todos os pilotos e equipas sentiram a exigência extra das elevadas temperaturas, mas Hamilton ficou a pelo menos seis décimos de segundo de Kimi Antonelli em ambas as sessões, um sinal claro de preocupação para os adeptos da Ferrari. O sete vezes campeão do mundo completou a melhor volta em 1:06.412 na FP2, a 0.617s do topo da tabela de tempos, ocupada pelo jovem prodígio da Mercedes. Entre os principais rivais, Max Verstappen (Red Bull) ficou a apenas 0.089s de Antonelli, enquanto George Russell fechou o top-4, com Hamilton a inserir-se entre os dois Mercedes.
Este desempenho coloca Hamilton numa situação delicada no campeonato mundial de pilotos. Actualmente, o britânico é terceiro, a 41 pontos de Antonelli e com uma vantagem de nove pontos sobre George Russell – uma diferença que, curiosamente, se reflectiu também nas posições em pista na FP2. O piloto da Ferrari procura manter o ímpeto de forma que tem vindo a exibir, depois de conquistar o seu primeiro pódio pela Ferrari na China, somando desde então dois segundos lugares e, mais recentemente, a vitória em Espanha.
Após a segunda sessão de treinos livres, Hamilton admitiu as dificuldades sentidas: “Diria que foi um início de fim-de-semana sólido mas desafiante, com as altas temperaturas a tornarem um circuito já exigente ainda mais complicado.” O britânico acrescentou ainda: “O carro pareceu bastante positivo logo de início, mas esta pista é muito implacável, por isso mesmo um pequeno problema de equilíbrio faz-te perder muito tempo por volta.” Estas declarações, feitas à saída do cockpit, demonstram a frustração de Hamilton por não conseguir extrair mais do SF-26, apesar das melhorias evidentes nas últimas provas.
O piloto de 41 anos não escondeu que espera progressos significativos da Ferrari durante a noite: “Definitivamente temos trabalho a fazer para encontrar a afinação certa, o equilíbrio e desbloquear alguma performance,” sublinhou. “Tudo se resume a manter o foco, perceber onde estamos a perder e ver o que podemos fazer antes de amanhã.” Segundo Hamilton, a chave está em analisar minuciosamente os dados recolhidos e identificar áreas em que a Ferrari pode responder ao ritmo apresentado pela Mercedes e pela Red Bull.
Com a qualificação à porta, a pressão recai sobre a Scuderia para converter o potencial do SF-26 numa volta rápida competitiva, especialmente quando o traçado curto do Red Bull Ring não perdoa erros e valoriza a precisão máxima em cada sector. A expectativa é elevada para perceber se a Ferrari conseguirá responder ao desafio e permitir que Hamilton continue na luta pelo título, num campeonato que tem sido dominado por Antonelli e onde cada detalhe faz a diferença.
Segue-se agora a terceira sessão de treinos livres, crucial para afinar os últimos detalhes antes de uma qualificação que promete ser renhida. O desfecho da prova austríaca poderá redefinir as contas do campeonato e, para Hamilton, representa uma oportunidade de ouro para recuperar terreno face ao líder. Com apenas nove pontos a separá-lo de Russell e a perseguição a Antonelli a intensificar-se, o britânico necessita urgentemente de uma resposta forte da Ferrari para manter vivas as aspirações ao oitavo título mundial.
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