Pierre Gasly recuperou o pódio no Grande Prémio do Mónaco após a FIA anular as penalizações que o tinham afastado do terceiro lugar, numa decisão que não só agitou o paddock, como reacendeu o debate sobre justiça desportiva na Fórmula 1. O piloto francês da Alpine viu-lhe ser restituído o resultado depois de um erro nos sensores de velocidade da via das boxes ter penalizado injustamente seis pilotos durante a prova monegasca.
No rescaldo da corrida de 78 voltas no traçado citadino do Mónaco, Gasly tinha sido inicialmente relegado para a sétima posição devido a duas penalizações por alegado excesso de velocidade nas boxes. Os tempos de volta e as diferenças tornaram-se, assim, absolutamente decisivos: Gasly cruzou a meta a escassos 4,8 segundos do vencedor, Max Verstappen, antes do tempo extra ser imposto. No entanto, uma análise detalhada revelou que o sistema de medição estava deslocado 77 metros, distorcendo os cálculos da FIA. A Alpine exerceu então o Direito de Revisão, que permitiu anular as penalizações e devolver o francês ao pódio, relegando Isack Hadjar para quarto.
A decisão teve, contudo, impactos significativos na luta pelo campeonato e levantou questões prementes entre equipas rivais. Oscar Piastri (McLaren) e George Russell (Mercedes) serviram as suas penalizações durante a corrida, o que impossibilita reversão de resultados, pois o regulamento não prevê a anulação de penalizações já cumpridas. Este cenário reacendeu rivalidades e suscitou dúvidas quanto à equidade das decisões desportivas, com McLaren e Red Bull já a preparar recursos para o Tribunal Internacional de Apelo (ICA). A situação não só coloca em causa a classificação final do Grande Prémio do Mónaco, como pode ter implicações nos pontos atribuídos ao campeonato de pilotos e construtores.
Gasly, em declarações à imprensa poucos dias após a decisão, mostrou-se satisfeito com o desfecho, mas admitiu compreender a frustração dos colegas de profissão. “Acho que, para o bem do desporto, ninguém quer ver o que aconteceu voltar a repetir-se no futuro”, afirmou o piloto de 30 anos, sublinhando: “Houve um erro nesse fim de semana e é importante que todos aprendamos com isso. Se um erro pode ser corrigido porque a penalização foi dada injustamente, e se existe essa possibilidade, é o correcto a fazer enquanto desporto.” Gasly destacou ainda o papel da Alpine e dos comissários: “Fiquei muito satisfeito com as acções e o resultado da decisão após a corrida, mas obviamente compreendo que, do lado da McLaren, do Oscar e do George, por tudo o que fizeram em pista, sintam algum tipo de injustiça. Não tive qualquer influência nos resultados deles, mas entendo perfeitamente o seu ponto de vista.”
O piloto francês fez questão de separar a situação da Alpine da dos adversários directos, sublinhando que cada caso deve ser analisado individualmente: “Isso nada tem a ver com a Alpine ou com a nossa corrida, e acho que é algo que eles terão de resolver do seu lado. Mas acredito que, se se pode corrigir um erro que foi cometido, é a abordagem certa e é isso que gostaria de ver no futuro. Obviamente ninguém quer que estas situações aconteçam, mas, se eventualmente acontecerem, penso que o caminho correcto é corrigi-las.”
Com o regresso ao pódio, Gasly soma pontos preciosos para a Alpine e ganha novo fôlego no campeonato, enquanto Piastri e Russell vêem as suas hipóteses de recuperação limitadas devido à impossibilidade de reverter penalizações já servidas. O próximo desafio será o Grande Prémio do Canadá, onde as equipas procurarão não apenas somar resultados, mas também garantir que a integridade das decisões desportivas não volta a ser posta em causa. A pressão sobre a FIA para clarificar e actualizar os procedimentos de revisão de penalizações é agora maior do que nunca, com o desfecho dos recursos de McLaren e Red Bull a poder criar um precedente para futuras situações semelhantes. O campeonato segue mais imprevisível e polémico, com pilotos e equipas atentos a cada detalhe regulamentar e a cada decisão dos comissários.
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