Mercedes identifica causas dos problemas de fiabilidade após desistências de Russell e Antonelli

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O abandono de George Russell na liderança do Grande Prémio do Canadá e a desistência dramática de Kimi Antonelli, a três voltas do fim quando ocupava o segundo lugar no Grande Prémio de Espanha, abalaram a confiança da Mercedes numa temporada em que, apesar de liderar ambos os campeonatos, enfrenta problemas de fiabilidade que ameaçam a sua vantagem. Estes incidentes custaram pontos valiosos e reacenderam debates sobre a robustez do novo sistema híbrido da equipa de Brackley, num contexto em que a luta pelo título está mais intensa do que nunca.

No rescaldo da ronda de Barcelona, onde Lewis Hamilton, agora ao serviço da Ferrari, conquistou a vitória com uma vantagem expressiva de 19,6 segundos sobre Russell, ficou claro que os problemas da Mercedes não se limitam apenas à fiabilidade dos seus próprios carros. As equipas-cliente, como a McLaren, também têm sentido dificuldades relacionadas com a unidade motriz fornecida pela marca alemã. Kimi Antonelli, que viu o seu W17 ir abaixo devido a uma falha eléctrica, estava a caminho de um pódio seguro, enquanto Russell, no Canadá, foi forçado a abandonar quando liderava confortavelmente.

James Allison, director técnico da Mercedes, abordou o tema no programa “Nu Silver Arrows Radio Show”, explicando detalhadamente a origem dos problemas: “Penso que qualquer pessoa que acompanhe a modalidade já percebeu que estas falhas afectaram vários carros com motor Mercedes esta época. Não são todas idênticas, mas têm origem na mesma zona da bateria. Acreditamos que já identificámos a maioria das áreas de risco e, com alguma sorte, à medida que introduzirmos os novos módulos – como chamamos à bateria – ao longo da temporada, deveremos conseguir inverter esta tendência.” Allison reconheceu a frustração interna: “Estes abandonos são muito, muito dolorosos.”

Questionado sobre a conciliação entre o desempenho e a fiabilidade, Allison foi pragmático: “Aceita-se que haverá falhas. Tentamos garantir que acontecem em testes, não em corrida. Mas, quando surge um abandono, é sinal de que o nosso processo falhou. Num primeiro momento, tomamos uma posição mais cautelosa, reduzindo o esforço sobre os componentes para proteger o equipamento, enquanto outra parte da equipa investiga a fundo a causa raiz do problema, procurando uma solução robusta que nos permita voltar a puxar pelo carro sem reservas.”

A Mercedes, até aqui à frente no desenvolvimento do novo regulamento técnico, viu a Ferrari aproximar-se perigosamente graças a um grande pacote de actualizações introduzido em Espanha. Hamilton, agora com as cores da Scuderia, quase conquistou também a pole position, ficando a menos de uma décima de Russell no sábado. A diferença competitiva entre as duas equipas reduziu-se significativamente, o que ficou patente no ritmo de corrida e na gestão de pneus da Ferrari, especialmente com uma estratégia de três paragens optimizada por um Safety Car Virtual.

Allison destacou as dinâmicas do desenvolvimento: “Estas regras ainda são novas e a nossa vantagem inicial foi fruto de termos sido rápidos a interpretá-las. Com os regulamentos ainda pouco explorados, é relativamente fácil encontrar ganhos de desempenho. Um pacote de evoluções significativo pode eliminar a diferença que parecia confortável. Se a Ferrari trouxer novidades sem resposta nossa, a distância encurta. Mas não estamos desarmados; também estamos a preparar actualizações para o nosso carro.”

Nos campeonatos, a Mercedes mantém ainda 72 pontos de vantagem sobre a Ferrari nos Construtores, enquanto Antonelli lidera com 41 pontos de margem para Hamilton e 50 para Russell entre os pilotos. Contudo, a pressão está a aumentar e cada falha pode ser fatal para o desfecho da temporada. O próximo capítulo será escrito já no Grande Prémio da Áustria, de 26 a 28 de Junho, circuito onde a gestão do sistema híbrido e as exigências técnicas voltam a estar em foco.

A equipa de Brackley terá de equilibrar o risco de novas falhas com a necessidade de responder às evoluções da concorrência. A Ferrari, galvanizada pela vitória e pelo progresso evidenciado, prepara-se para atacar de novo, enquanto a Mercedes aposta tudo em soluções técnicas que lhe permitam recuperar a fiabilidade sem sacrificar o desempenho. Com o campeonato ainda longe do fim, a luta pelo título ganha um novo fôlego e promete manter os adeptos portugueses agarrados à emoção da Fórmula 1 nas próximas semanas.

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