O regresso de Lando Norris ao pódio no Grande Prémio de Espanha surpreendeu não só os adeptos, como o próprio piloto britânico, que admitiu não esperar terminar entre os três primeiros após uma série de desaires técnicos nas provas anteriores. A McLaren, a atravessar um período complicado, encontrou em Barcelona o alívio tão desejado, com Norris a garantir um valioso terceiro lugar que revitaliza as aspirações da equipa de Woking no Campeonato do Mundo de Fórmula 1 de 2026.
Na pista do Circuit de Barcelona-Catalunha, a qualificação já tinha mostrado alguma competitividade da McLaren, com Norris a arrancar da quarta posição da grelha, imediatamente atrás dos rivais da Mercedes e Ferrari, que eram amplamente favoritos à vitória. Durante a corrida, o britânico manteve-se sempre no encalço dos Mercedes, sobretudo de Lewis Hamilton, que optou por uma estratégia agressiva de três paragens. O ritmo do MCL40 não foi suficiente para desafiar os líderes em andamento puro, mas Norris executou na perfeição a sua estratégia, beneficiando dos acontecimentos tardios da prova. O abandono de Kimi Antonelli devido a um problema eléctrico e as dificuldades de Charles Leclerc com a direcção assistida abriram caminho para que Norris ascendesse ao terceiro lugar, cruzando a meta a 19,8 segundos do vencedor, George Russell, e a 7,2 segundos de Lewis Hamilton, segundo classificado.
Este resultado representa o segundo pódio da temporada para Norris e um tónico fundamental para a McLaren, depois de duas provas em que a fiabilidade foi o principal calcanhar de Aquiles. Num campeonato marcado pelo equilíbrio entre Mercedes e Ferrari, este terceiro lugar permite à McLaren consolidar o terceiro posto no Mundial de Construtores, mantendo a pressão sobre os dois gigantes, embora o fosso para os da frente ainda seja notório.
No rescaldo da corrida, Lando Norris destacou o significado deste resultado para o moral da equipa, mas não escondeu que há trabalho a fazer: “Bastante, na verdade”, respondeu Norris quando questionado sobre a confiança retirada de Barcelona. “Não estava propriamente a lutar com os Mercedes, mas estive sempre ali. Não estava nada longe e, sinceramente, não esperava estar tão próximo durante toda a corrida, especialmente porque depois do primeiro stint creio que já estava uns 12 segundos atrás do George. O facto de termos conseguido recuperar e de termos feito as paragens nas voltas certas mostra sinais positivos. Fiquei satisfeito com a corrida de hoje. Ficou claro o quanto precisei de forçar, sobretudo nas primeiras partes dos stints, porque depois pagava com maior degradação dos pneus no último terço.”
O britânico acrescentou ainda: “O facto de ter estado tão perto mostra pontos positivos para nós enquanto equipa. Foi um dia melhor do que esperava. Não contava mesmo estar no pódio hoje, por isso é bom estar de volta e terminar uma corrida. Já não via a bandeira de xadrez há algum tempo, por isso é óptimo estar aqui e recompensar novamente a equipa.” As declarações do piloto da McLaren, feitas logo após a corrida, revelam não só surpresa, mas também o alívio por finalmente transformar potencial em resultados concretos.
O director da equipa, Andrea Stella, também sublinhou a importância deste resultado para a motivação do grupo: “Depois das dificuldades técnicas em Montreal e no Mónaco, este pódio era fundamental para restaurar a confiança interna. Mostrámos que, mesmo sem o carro mais rápido, conseguimos capitalizar em situações adversas.”
No entanto, Norris foi taxativo quanto à necessidade de continuar a evoluir, especialmente face ao progresso demonstrado pela Ferrari, que em Barcelona apresentou um pacote de evoluções muito eficaz: “Temos de trabalhar para aproximar-nos, a Ferrari pareceu claramente ter dado um passo em frente, e os Mercedes continuam muito fortes. Ainda não estamos em posição de ditar o ritmo quando tudo corre bem às outras equipas.”
Com esta prestação, Norris reforça o seu estatuto como um dos pilotos mais consistentes do pelotão, capaz de maximizar cada oportunidade, mesmo quando o equipamento não está à altura dos rivais directos. A McLaren, por sua vez, ganha um novo fôlego na luta pelo top-3 do campeonato, mas sabe que precisa de melhorar o comportamento do MCL40, nomeadamente na gestão dos pneus, para desafiar de forma regular Mercedes e Ferrari.
Segue-se agora o Grande Prémio da Áustria, onde a McLaren espera confirmar a tendência de recuperação e, quem sabe, aproximar-se ainda mais dos lugares cimeiros. Com este resultado, Norris sobe ao quarto lugar do Mundial de Pilotos, ultrapassando Carlos Sainz, enquanto a McLaren mantém o terceiro posto nos Construtores, mas com Ferrari a aumentar a vantagem. O campeonato aquece e a equipa de Woking sabe que cada ponto conquistado pode ser decisivo na batalha pelo prestígio e pela recuperação definitiva no topo da Fórmula 1.
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