George Russell garantiu a pole position para a Mercedes no Circuito de Barcelona-Catalunha, superando Lewis Hamilton por meros 0,064 segundos, naquela que foi a sua primeira pole desde a Austrália. Andrea Kimi Antonelli, companheiro de equipa e líder do campeonato, viu a sua impressionante sequência de poles terminar, tendo conseguido apenas o terceiro melhor tempo, a três décimos de Russell. No entanto, como bem refere Toto Wolff, o verdadeiro desafio chega no domingo, quando se disputam os pontos que contam para o campeonato.
Os resultados da qualificação para o Grande Prémio de Espanha deixaram Russell na frente, Hamilton em segundo e Antonelli em terceiro, com uma diferença mínima entre os dois britânicos – apenas seis centésimos de segundo separaram os colegas da Mercedes. Charles Leclerc (Ferrari) ficou fora do top 3, uma surpresa dada a competitividade da Scuderia nesta fase do campeonato. A volta de Russell ficou registada em 1m11,876s, enquanto Hamilton parou o cronómetro em 1m11,940s. Antonelli, apesar do domínio recente, não conseguiu melhor que 1m12,202s. A diferença para o líder do mundial é agora crucial, com Russell a tentar recuperar terreno e Hamilton a manter-se na luta pelo título.
Este resultado adensa ainda mais a luta pelo campeonato. A Mercedes reforça o seu domínio na qualificação, mas a Ferrari surge com melhorias claras, trazendo para Barcelona um pacote de oito actualizações no SF-26. Hamilton, que ainda persegue a primeira vitória com a Ferrari, está apenas dois pontos à frente de Russell no Mundial de Pilotos, mas 66 atrás de Antonelli. A rivalidade interna da Mercedes adquire nova dimensão, enquanto a pressão sobre a Ferrari aumenta para converter as melhorias de sábado em resultados de domingo. A degradação dos pneus e a partida para a primeira curva serão factores decisivos, especialmente num traçado onde o calor e o desgaste dos compostos podem ditar o desfecho da prova.
Toto Wolff, chefe de equipa da Mercedes, sublinhou as preocupações perante a ameaça de Hamilton ao arrancar de segundo, especialmente tendo em conta os arranques potentes da Ferrari. Em conversa com a imprensa no final da qualificação, Wolff afirmou: “Temos de contar com o Lewis, e foi isso que ele fez. Se não tivesse havido um pequeno erro no final, teria sido um décimo e meio mais rápido do que nós. Acredito que tudo se vai decidir na gestão dos pneus, onde fomos bastante consistentes nas simulações de corrida de sexta-feira, mas tudo depende do arranque. Se o Lewis ficar à frente depois da partida, vai ser complicado para todos; estou realmente curioso para ver como se desenrola.”
Hamilton, por seu turno, não mostrou sinais de hesitação: “Acho que é a vez em que estive mais perto da frente numa qualificação, certo?”, referiu aos jornalistas, já depois da sessão. “Vou dar tudo. Está claro que o que estamos a fazer está a resultar, estamos a melhorar como equipa. Estes rapazes parecem sempre ter algo extra na manga, mas cada vez que trazemos uma evolução, eles continuam à frente. Ainda temos trabalho pela frente. Não sei quando vão trazer mais novidades, talvez já na próxima corrida. Vai ser uma troca constante, mas é óptimo para nós – é o mais próximo que estivemos em termos de ritmo numa qualificação.” O piloto britânico fez ainda questão de agradecer ao pessoal da Ferrari: “Estou extremamente grato à equipa. Vejo como todos estão focados, trabalham arduamente e com paixão. Quero que saibam o quanto agradeço, porque foi fantástico conseguir juntar tudo numa volta e ver que estamos tão perto, nesta altura do ano.”
Hamilton reforçou ainda, em declarações à Sky Sports: “Há muito trabalho para fazer para bater estes Mercedes. Vai ser preciso um desempenho perfeito de todos nós para lutar pela vitória. A gestão dos pneus vai ser fundamental, principalmente com a pista a 50 graus. Na sexta-feira, estávamos a deslizar imenso, foi o mais difícil que senti aqui. E a degradação foi o dobro do esperado. Mas o carro está melhor e espero que isso signifique menos desgaste. Vou lutar com dois Mercedes, o que dificulta a estratégia. A recta até à Curva 1 é longa e precisamos de um bom arranque – é aí que tudo se decide.”
Com a próxima ronda do campeonato marcada para o Red Bull Ring, na Áustria, as apostas estão em alta. A Mercedes entra moralizada, mas a Ferrari parece finalmente pronta para responder e ameaçar o domínio germânico. Russell pode relançar a sua candidatura ao título, enquanto Hamilton tentará conquistar a primeira vitória de vermelho. Antonelli, apesar de menos eficaz na qualificação, mantém a liderança e a consistência habitual em corrida. Resta saber quem irá capitalizar num domingo onde a estratégia, a gestão dos pneus e um arranque perfeito podem definir não só o vencedor da corrida, mas também o novo rumo do campeonato de Fórmula 1.
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