A McLaren saiu do Grande Prémio do Mónaco com um duro aviso ao resto do pelotão e, acima de tudo, a si própria: a luta pelo título está seriamente comprometida caso não haja uma inversão de marcha imediata. Apesar dos esforços de Oscar Piastri, que terminou em quarto lugar, a equipa de Woking viu a distância para os líderes da Mercedes aumentar para mais do dobro dos seus pontos no Campeonato de Construtores, enquanto Lando Norris somou mais um abandono, acentuando o sentimento de frustração no seio da estrutura.
No rescaldo de mais uma prova em que a McLaren não conseguiu acompanhar o ritmo dos da frente, Andrea Stella, chefe de equipa, foi taxativo sobre a situação: “Há certamente um importante reality check que advém do Canadá e do Mónaco”, começou por afirmar Stella aos jornalistas após a corrida no Principado. “Antes de mais, olhando para os factos, não temos sido suficientemente rápidos, especialmente em termos de ritmo de corrida em ambos os circuitos, e não temos sido fiáveis o suficiente. Tivemos problemas praticamente em todas as áreas do carro; não se trata de uma área específica.” Na corrida do Mónaco, o problema centrou-se na unidade motriz, enquanto no Canadá foi a caixa de velocidades de Lando Norris a ceder, ilustrando uma fiabilidade globalmente questionável.
Os números falam por si: a Mercedes lidera confortavelmente o campeonato de construtores com mais do dobro dos pontos da McLaren, enquanto Red Bull e Ferrari continuam também a apresentar soluções técnicas mais eficazes. Em Mónaco, a McLaren foi apenas a quarta força, com Piastri a salvar pontos importantes mas sem qualquer hipótese de lutar pelo pódio. O próprio Stella reconheceu: “Do ponto de vista do desempenho, é muito claro que não temos aderência suficiente, principalmente por falta de carga aerodinâmica, e também não conseguimos colocar os pneus a funcionar na janela ideal, o que, em circuitos como este e o Canadá, com asfalto extremamente liso, se torna crítico.”
A importância de ser equipa cliente foi novamente referida por Stella, que sublinhou as limitações sentidas face às equipas de fábrica: “Nunca como agora sentimos que ser equipa cliente nos colocou em desvantagem. Não se trata de sermos menos prioritários para a HPP [Mercedes High Performance Powertrains], mas sim de termos menos oportunidades de integração e de alinhar o nosso desenvolvimento de fiabilidade e performance com o da unidade motriz. Falta-nos capacidade para experimentar soluções em conjunto e beneficiar de sinergias que só as equipas de fábrica conseguem explorar.”
Apesar das dificuldades técnicas e estratégicas, Stella mantém alguma esperança de uma recuperação à imagem do que aconteceu em 2024, mas reconhece que o contexto é bem mais adverso: “Mantemos a mentalidade de que este ano pode ser outra recuperação como em 2024, mas a nossa trajectória de fiabilidade e performance era bem mais convincente nessa altura. Se queremos continuar na luta pelo campeonato, precisamos de um turnaround.”
Para Lando Norris, as duas últimas corridas sem pontuar são um duro golpe nas aspirações pessoais e colectivas. Já Oscar Piastri, apesar do quarto lugar, não escondeu a necessidade de melhorias urgentes: “Estamos a dar tudo, mas precisamos de mais actualizações e de resolver estas quebras de fiabilidade. Só assim poderemos desafiar os da frente de forma consistente”, afirmou o piloto australiano após a prova.
O próximo desafio será no Circuito da Catalunha, palco do Grande Prémio de Espanha, onde a McLaren terá de provar que consegue reagir a tempo de não perder definitivamente o comboio dos títulos. A pressão está agora do lado de Stella e dos seus engenheiros para encontrar soluções técnicas e operacionais que permitam a Norris e Piastri recuperar terreno num campeonato que, a cada corrida, parece escapar-lhes mais um pouco. Se não houver resposta imediata em Barcelona, a McLaren arrisca-se a ver as suas aspirações de 2024 reduzidas a meros objectivos intermédios, numa época em que a consistência e fiabilidade são palavras de ordem entre os candidatos ao topo.
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