Flavio Briatore critica Otro Capital após falhanço no negócio com Alpine

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O colapso inesperado do negócio para a venda de 24% da Alpine à Mercedes, liderada por Toto Wolff, abalou o paddock da Fórmula 1 e deixou Flavio Briatore visivelmente frustrado. O experiente dirigente italiano não poupou críticas à Otro Capital, apontando o dedo aos investidores americanos pelo fracasso das negociações e acusando-os de terem tratado a Mercedes de forma injusta, ao inflacionarem o valor da equipa francesa de forma desproporcionada.

O negócio dizia respeito à aquisição de uma participação significativa na Alpine, com a Mercedes a procurar reforçar a sua ligação ao construtor francês após o término do fornecimento de motores por parte da Renault. Inicialmente, a parceria parecia limitar-se ao fornecimento de unidades motrizes, similar ao que sucede com a Williams e a McLaren, mas rapidamente evoluiu para negociações de aquisição de capital, prevendo-se a entrada de Toto Wolff como accionista já em 2026. Segundo informações de bastidores, a Otro Capital valorizou a sua fatia de 24% em cerca de 700 milhões de dólares, o que equivaleria a uma avaliação total da Alpine na ordem dos 3 mil milhões de dólares — um valor que surpreendeu o universo da Fórmula 1, tendo em conta que em 2023 a equipa estava avaliada em apenas 900 milhões.

A tentativa de compra foi formalmente aprovada pela Renault, que permaneceria com 76% das acções e direito de veto em futuras transacções. No entanto, a disparidade de avaliações levou à desistência da Mercedes e de Toto Wolff, que consideraram o preço pedido absolutamente irrealista e fora de mercado para o contexto atual da modalidade. Flavio Briatore, conselheiro especial da Alpine, não escondeu o desagrado, explicando aos jornalistas em Monte Carlo: “Muito simples. O preço estava demasiado alto,” afirmou. “A certa altura, eles começaram a inflacionar o preço e penso que… O Toto foi muito correcto. Acredito nisso. Não acho que as pessoas da Otro tenham sido correctas. O Toto, em todas as negociações, foi sempre muito justo.”

A oposição de algumas figuras do paddock, como Zak Brown, CEO da McLaren, foi também um tema recorrente, com receios de que a Alpine pudesse transformar-se numa espécie de equipa satélite da Mercedes, beneficiando, por exemplo, no desenvolvimento de pilotos e em estratégias conjuntas — um modelo já visto entre a Red Bull e a Racing Bulls.

A especulação sobre o papel da Renault no desfecho das negociações rapidamente ganhou força, tendo em conta o historial instável do construtor francês enquanto participante e fornecedor de motores na Fórmula 1. No entanto, Briatore apressou-se a isentar a Renault de qualquer responsabilidade, enfatizando: “Realmente, tem outra pergunta? De certa forma, a Otro nada tem a ver com a equipa,” salientou o italiano, visivelmente irritado. “A Otro, os seus fundadores compraram 24% da Alpine há dois anos e neste momento querem vender, como todos sabem. Foi negociado com o Toto Wolff, à margem da Williams e da Mercedes. Parece que há três dias o acordo caiu, toda a negociação. Basicamente, foi isto que aconteceu. Não tem nada a ver com a equipa. Não temos qualquer pressão do Grupo Renault relativamente à Otro. Este é o verdadeiro problema. O Grupo Renault não é o problema da equipa Alpine.”

Com este desenlace, a Alpine mantém-se sob o controlo maioritário da Renault, mas a incerteza sobre a valorização do projecto e o interesse de potenciais investidores paira sobre Enstone. Para Toto Wolff e a Mercedes, a prioridade volta a centrar-se na preparação para as novas regulamentações de 2026, enquanto procuram garantir competitividade sem o apoio estratégico de uma terceira equipa. A próxima ronda do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 terá lugar em Imola, onde as atenções estarão novamente centradas nas movimentações do mercado e na performance das equipas face às mudanças nos bastidores. Para já, a Mercedes perde a hipótese de expandir a sua influência na grelha e a Alpine fica numa posição delicada, entre o desejo de valorização e a necessidade de estabilidade, com a incerteza a dominar a sua trajectória futura no campeonato.

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