Pedro de la Rosa: Aston Martin só verá luz no verão

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A Aston Martin enfrenta um arranque de temporada marcado por grandes desafios técnicos, com o seu desempenho em pista muito aquém das expectativas inicialmente criadas. Pedro de la Rosa, embaixador e porta-voz da equipa britânica, não esconde a realidade e mantém um discurso transparente sobre as dificuldades enfrentadas. Em entrevista exclusiva, o antigo piloto espanhol revela que a verdadeira viragem só deverá acontecer com as evoluções previstas para o verão, apesar do empenho notável dos pilotos Fernando Alonso e Lance Stroll.

De la Rosa reconhece que o monolugar AMR26 tem-se revelado “demasiado difícil de guiar”, colocando os pilotos numa batalha constante para extrair o máximo rendimento, mantendo a fiabilidade e segurança. Questionado sobre a tão aguardada luz ao fundo do túnel, o espanhol é direto: “Ainda não. Estamos onde estamos. É um início difícil, especialmente porque não estávamos à espera de estar nesta posição.” Contudo, deixa uma nota de esperança para o futuro: “Há muita coisa a acontecer nos bastidores da fábrica que nos faz acreditar que as evoluções que iremos introduzir por volta do verão vão dar frutos.”

No que toca à fiabilidade, De la Rosa confirma progressos, sobretudo na resolução dos problemas de vibração que afetaram as últimas provas. A questão do banco de pilotagem, que gerou queixas públicas por parte de Fernando Alonso, foi também alvo de atenção: “O Fernando não disse nada pelo rádio após a primeira sessão de treinos em Mónaco, o que é positivo. O trabalho para adaptar o banco de 2025 ao carro de 2026 funcionou.” Por outro lado, Lance Stroll continua a sentir desconfortos, pelo que ainda há ajustes a fazer.

O antigo piloto destaca o enorme profissionalismo e motivação dos seus colegas na pista, sobretudo de Alonso, que, apesar do desgaste evidente, mantém uma atitude resiliente. “É difícil para todos, especialmente para os pilotos, porque têm de lidar com o carro, com a comunicação social e explicar sempre os mesmos problemas. Eles têm dado imenso apoio, dedicando o seu tempo no simulador e na fábrica, mas é complicado quando não estás onde querias estar,” explica.

Recordando o seu passado profissional ao lado de Adrian Newey, agora a liderar o projecto da Aston Martin, De la Rosa elogia a ética de trabalho e a sensibilidade do engenheiro britânico: “Ele ouve sempre o piloto mais do que qualquer outro engenheiro com quem trabalhei. No mundo moderno, onde os dados dominam, Newey valoriza o feedback humano e traduz isso em soluções práticas.” O engenheiro continua a ser uma inspiração dentro da equipa, orientando jovens engenheiros e impulsionando a inovação.

Sobre o desafio específico do circuito de Mónaco, De la Rosa sublinha a complexidade técnica e a importância da paciência: “É a pista mais desafiante do calendário. O melhor conselho que posso dar, sobretudo aos mais jovens, é que só precisam de uma volta boa durante todo o fim de semana, na qualificação. É importante ir construindo o ritmo com calma e garantir essa única volta decisiva.”

No que respeita ao incidente de Fernando Alonso na chicane durante os treinos livres, o porta-voz da Aston Martin esclarece que foi causado por um bloqueio das rodas traseiras, possivelmente agravado pelas dificuldades na gestão da caixa de velocidades: “Não analisei os dados nem falei com o Fernando, mas foi um problema maciço de bloqueio. Ele conseguiu recuperar o carro, evitando um pião completo, o que demonstra a sua perícia.” De la Rosa reforça que a dificuldade do carro se manifesta em todas as zonas do circuito, não só em Mónaco, e que a equipa está empenhada em melhorar a “facilidade de condução e a previsibilidade do monolugar”.

Por fim, o embaixador da Aston Martin conclui que 2026 está a ser um ano particularmente exigente para todas as equipas, devido à complexidade técnica das unidades de potência e à necessidade de gerir cuidadosamente o binário nas mudanças, para optimizar o desempenho e a recuperação de energia. “Estamos a trabalhar arduamente para ultrapassar estas dificuldades e esperamos que as evoluções de verão sejam o ponto de viragem que todos ansiamos.”

A Aston Martin mantém, assim, a esperança num futuro mais promissor, sustentado numa base sólida de conhecimento e trabalho árduo, com a certeza de que os próximos meses serão cruciais para inverter a tendência atual e voltar a competir nos lugares cimeiros do pelotão.

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