Fernando Alonso não escondeu a sua frustração com os actuais monolugares híbridos da Fórmula 1, criticando duramente a gestão de energia, mesmo num circuito tão particular como Mónaco. O bicampeão do mundo considera que a dependência excessiva do sistema híbrido está a condicionar o desempenho dos carros e a retirar emoção às corridas.
Durante os treinos livres no Principado, Alonso afirmou categoricamente que “esta é provavelmente a pior geração de carros que já conduzi em Mónaco”. O piloto da Aston Martin explicou que a forma como a bateria é carregada, através da travagem e do alívio do acelerador, provoca “muita inconsistência no travão do motor do carro”. Para Alonso, esta instabilidade afecta o comportamento do monolugar, que ora tem menos travagem, ora empurra mais, dependendo do estado da carga da bateria.
“Se a bateria está completamente cheia, não se pode recarregar, logo não há travão do motor. É como se estivéssemos sempre a empurrar”, afirmou o espanhol, sublinhando que “os carros híbridos não deviam estar a competir. É tão simples quanto isto.” Esta crítica surge no contexto da divisão 50/50 entre potência de combustão e eléctrica que tem sido alvo de polémica nas primeiras provas da temporada, com vários pilotos a queixarem-se da necessidade constante de gerir energia, o que obriga a levantar o pé em curvas onde, idealmente, se deveria manter o máximo de velocidade.
Alonso teve ainda de lidar com problemas técnicos da Aston Martin, nomeadamente uma avaria na caixa de velocidades que poderá ter contribuído para o seu acidente na primeira sessão de treinos livres, quando tocou no muro à entrada da chicane, danificando a asa dianteira. “Agora, durante as travagens, a traseira está a carregar a bateria de forma massiva. Depois, temos estas reduções de caixa que exigem uma interação complexa com o 'blip' do motor para engrenar a mudança seguinte. Há muitas coisas a acontecer este ano e parece que ainda não estamos ao nível desejado”, explicou o espanhol.
Até ao momento, a Aston Martin ainda não conseguiu somar pontos nesta temporada, sendo uma das duas únicas equipas, juntamente com a Cadillac, a não pontuar. Os melhores resultados da equipa foram dois 15.º lugares: Alonso em Miami e Lance Stroll no GP do Canadá.
A temporada está a mostrar que o desafio da gestão energética continua a ser uma das maiores dificuldades para as equipas e pilotos, especialmente em circuitos urbanos como Mónaco, onde a margem para erros é mínima e a pilotagem agressiva se torna quase impossível com as limitações actuais dos monolugares híbridos. A insatisfação de Alonso reflete um sentimento crescente no paddock sobre o futuro da Fórmula 1 e o equilíbrio entre tecnologia e espectáculo.
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