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Alfa Romeo Sprint faz 50 anos: o coupé italiano que acelera corações

Publicado a 7 de Novembro de 2026, 14h00  ·  4 min de leitura

O essencial

  • O Alfa Romeo Sprint foi apresentado em 1976, inicialmente com o nome Alfasud Sprint, como coupé desportivo para um público mais abrangente.
  • A carroçaria foi desenhada por Giorgetto Giugiaro, com silhueta baixa e alongada, linha de tejadilho descendente e proporções equilibradas.
  • Os motores boxer de quatro cilindros evoluíram de 1,3 para 1,5 e 1,7 litros, oferecendo entre 76 cv (165 km/h) e 118 cv (196 km/h máximos.

Há automóveis que não precisam de números impressionantes ou de motores de grande cilindrada para deixar uma marca na história. O Alfa Romeo Sprint é um desses casos. Meio século depois da sua apresentação, o coupé italiano continua a ser recordado pela combinação de estilo, personalidade mecânica e prazer de condução.

Conhecido inicialmente como Alfasud Sprint, o modelo chegou ao mercado em 1976, numa altura em que a Alfa Romeo procurava levar a sua tradição desportiva a um público mais abrangente. A receita passava por uma carroçaria elegante, dimensões compactas e uma mecânica capaz de proporcionar sensações de condução que poucos rivais conseguiam oferecer na mesma faixa de preço.

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O resultado foi um automóvel que atravessou as décadas de 1970 e 1980 sem perder a sua identidade e que acabaria por conquistar um lugar especial entre os clássicos da marca do Biscione.

Uma assinatura de Giorgetto Giugiaro que resistiu ao tempo

Uma assinatura de Giorgetto Giugiaro

Um dos principais responsáveis pelo sucesso do Sprint foi o seu desenho. A carroçaria saiu do lápis de Giorgetto Giugiaro e apresentava uma silhueta baixa e alongada, com uma linha de tejadilho descendente e uma traseira de inspiração fastback.

A frente afilada e as proporções equilibradas conferiam-lhe uma imagem desportiva sem recorrer a elementos exagerados. Era um coupé com personalidade, mas suficientemente discreto para continuar atual mesmo quando comparado com automóveis de gerações posteriores.

Também havia uma preocupação com a funcionalidade. Apesar da configuração de duas portas, o Sprint conseguia acomodar quatro ocupantes e disponibilizava uma bagageira com 425 litros de capacidade. Uma versatilidade pouco habitual num automóvel com estas aspirações.

Os motores boxer eram a alma do Sprint

Os motores boxer eram a alma

Se o desenho conquistava à primeira vista, era a mecânica que tornava o Alfa Romeo Sprint especial ao volante.

A marca italiana apostou nos seus característicos motores boxer de quatro cilindros, com os cilindros dispostos horizontalmente em oposição. Esta arquitetura permitia instalar o motor numa posição baixa, contribuindo para um centro de gravidade reduzido e para um comportamento particularmente interessante em curva.

Ao longo da carreira comercial, a oferta mecânica foi evoluindo. Dos primeiros motores de 1,3 litros passou-se para unidades de 1,5 e, posteriormente, 1,7 litros, com diferentes soluções de alimentação, incluindo carburadores e injeção eletrónica.

As primeiras versões mais potentes disponibilizavam 76 cv e atingiam cerca de 165 km/h. Já nas últimas evoluções, a potência chegou aos 118 cv, permitindo alcançar uma velocidade máxima próxima dos 196 km/h. Valores que, tendo em conta a época e a dimensão do automóvel, demonstravam bem a ambição desportiva da Alfa Romeo.

Caixa de cinco velocidades e travões de disco nas quatro rodas

O Sprint não se distinguia apenas pelo motor. A componente técnica também contribuía para uma experiência de condução acima da média no seu segmento.

Entre os elementos de destaque encontravam-se a caixa manual de cinco velocidades e os travões de disco nas quatro rodas, soluções que ajudavam a explorar as capacidades dinâmicas do pequeno coupé.

A tração dianteira, combinada com o baixo centro de gravidade e a arquitetura boxer, proporcionava um comportamento ágil e previsível, tornando-o especialmente interessante em estradas sinuosas.

Em 1983, o modelo passou a utilizar simplesmente a designação Alfa Romeo Sprint, abandonando o nome Alfasud Sprint. Foi também uma fase de consolidação da sua identidade, marcada por diferentes atualizações estéticas e mecânicas.

Entre as versões mais desejadas encontra-se o Quadrifoglio Verde, que acrescentava uma dimensão ainda mais desportiva à personalidade do modelo.

Um coupé que também brilhou na competição

A ligação da Alfa Romeo ao automobilismo sempre fez parte da identidade da marca, e o Sprint não ficou de fora dessa tradição.

A sua leveza, os motores boxer e o comportamento dinâmico tornaram-no numa base interessante para a competição, nomeadamente nas corridas de turismos.

O Trofeo Alfasud foi uma das iniciativas mais importantes associadas a esta família de modelos, proporcionando corridas muito disputadas e servindo de plataforma para a descoberta de novos talentos do automobilismo.

O Sprint ajudou, assim, a reforçar a imagem de um automóvel que não vivia apenas da sua estética. Era uma máquina pensada para quem gostava verdadeiramente de conduzir.

Mais de 120 mil unidades produzidas

Mais de 120 mil unidades produzidas

A carreira comercial do Alfa Romeo Sprint prolongou-se até 1989, ano em que a produção terminou. Ao longo de mais de uma década, foram fabricadas mais de 120 mil unidades, um resultado que demonstra a importância do modelo para a marca italiana.

Hoje, o Sprint é recordado como um dos coupés mais representativos da Alfa Romeo durante as décadas de 1970 e 1980. O desenho de Giugiaro, os motores boxer e a experiência de condução continuam a ser argumentos que explicam o interesse dos colecionadores e entusiastas.

Cinquenta anos depois da sua estreia, o Alfa Romeo Sprint mantém intacto aquilo que o tornou especial: a capacidade de transformar um automóvel relativamente simples num verdadeiro objeto de paixão.

Ficha técnica

Motor
Boxer de quatro cilindros
Cilindrada
1,3 / 1,5 / 1,7 litros
Potencia
76 a 118 cv
Velocidade maxima
165 a 196 km/h
Transmissao
Caixa manual de cinco velocidades
Travagem
Disco nas quatro rodas
Producao
1976-1989, mais de 120 mil unidades
Capacidade bagageira
425 litros

Ricardo Carvalho

AutoGear  ·  798 artigos

Jornalista de automóveis desde o ano 2000. Iniciou o seu percurso na Motorpress Lisboa, onde escreveu em revistas como o Guia do AUTOMÓVEL, Auto Magazine e Veículos Comerciais. Escreveu ainda para o semanário Autohoje, onde se especializou em testes e reviews de automóveis.
Mudou-se para a Revista Carros & Motores em 2018, permanecendo até 2025. Em 2026 integrou a redação do Autogear, onde tenta dinamizar o site. É também diretor da "Revista" Comerciais & Pesados, um suplemento trimestral da "Carros & Motores" e o membro português do júri do International Truck of the Year (Camião Internacional do Ano).

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