Nem Verstappen compensava sempre as dificuldades do RB22, diz Schmidt
O Red Bull RB22 ganhou equilíbrio e previsibilidade, numa recuperação que já deu 2 vitórias a Max Verstappen, na Malásia e em Singapura. Na análise de Michael Schmidt, a equipa deixou de procurar apenas mais carga aerodinâmica e passou a trabalhar sobre uma base técnica mais consistente.
O essencial
- Max Verstappen venceu na Malásia e em Singapura.
- Michael Schmidt atribui parte da melhoria do RB22 a uma janela de funcionamento mais ampla.
- A Red Bull manteve e aperfeiçoou gradualmente o conjunto introduzido na Áustria, no final de junho.
A Red Bull voltou a ganhar sem procurar sempre mais carga aerodinâmica. Segundo a análise do especialista em Fórmula 1 Michael Schmidt, publicada pela auto motor und sport, as vitórias na Malásia e em Singapura refletem uma mudança de filosofia. O RB22 tornou-se mais equilibrado e previsível, recuperando argumentos para enfrentar a Mercedes.
A principal diferença apontada por Schmidt, segundo o AutoGear apurou, está numa janela de funcionamento mais ampla. Antes, a procura de carga aerodinâmica estreitava as condições em que o monolugar era rápido. Fora delas, nem Verstappen conseguia compensar as dificuldades do RB22.
Red Bull RB22 mais previsível
Nos últimos 3 Grandes Prémios, explica Schmidt, a equipa começou geralmente a sexta-feira com uma base de afinação já satisfatória. Antes, chegava a precisar das 3 sessões de treinos para encontrar um conjunto utilizável. Esse tempo perdido pesava sobretudo nos fins de semana com corrida Sprint, enquanto a nova base permite trabalhar mais cedo nos ajustes finos.
A recuperação também não nasceu de uma sucessão de alterações radicais, sublinha o especialista. Depois da grande atualização introduzida na Áustria, no final de junho, a Red Bull manteve esse conjunto e melhorou-o gradualmente. Em Baku, as alterações foram sobretudo de pormenor, numa abordagem que Schmidt considera mais sustentável do que mudar constantemente de conceito.
O motor surpreendeu Schmidt
A unidade motriz é outro elemento decisivo nesta recuperação, de acordo com a análise. A Red Bull Powertrains desenvolveu-a, pela primeira vez, maioritariamente pelos seus próprios meios. Embora tenha o logótipo da Ford, o artigo distingue essa identificação da origem técnica do motor, que não apresenta como um propulsor desenvolvido pela Ford.
Schmidt considera extraordinário que um fabricante privado tenha criado, logo à primeira tentativa, um motor que classifica como o mais forte. Na sua avaliação, a componente de combustão poderá até superar a da Mercedes, embora esta possa conservar vantagem no conjunto da unidade motriz. Coloca ainda a Red Bull à frente da Audi, Honda e Ferrari, com a componente elétrica a ajudar a formar um conjunto capaz de vencer.
A rapidez com que a divisão foi criada reforça o mérito, argumenta Schmidt, sobretudo perante uma estrutura da Mercedes construída ao longo de décadas. O especialista atribui a Christian Horner, antigo chefe de equipa, o recrutamento das pessoas e a organização que permitiram chegar a este resultado.
Verstappen recuperou a motivação
Para Schmidt, voltar a dispor de um monolugar capaz de vencer também mudou a atitude de Verstappen. O especialista entende que o neerlandês percebeu após 3 ou 4 corridas que dificilmente seria campeão este ano, perdendo alguma motivação. Compara essa situação à de Ayrton Senna em 1992, quando a perspetiva de lutar pelo título também se afastou cedo.
O arranque de Singapura, no duelo com Charles Leclerc, mostrou essa disposição para arriscar pela vitória, considera Schmidt. Na sua interpretação, Verstappen estava disposto a aceitar um abandono, porque terminar em 2.º ou 3.º tinha pouca importância naquela situação.
Um candidato para 2027
Schmidt volta a colocar a Red Bull entre os candidatos ao título de 2027 e admite um possível duelo entre Verstappen e Kimi Antonelli. Mercedes, McLaren, Ferrari e Red Bull estão próximas, com diferenças que variam conforme o circuito. O especialista não antecipa uma equipa dominadora e espera distâncias menores à medida que todos compreendam melhor o novo regulamento.
É nessa disputa que Schmidt vê valor numa janela de funcionamento mais estável para o RB22. Um monolugar rápido fora das condições ideais pode somar pontos com maior regularidade ao longo de uma temporada.
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Perguntas e respostas
Como a Red Bull voltou a vencer ao mudar o desenvolvimento do RB22?
Segundo Michael Schmidt, o RB22 tornou-se mais equilibrado e previsível, com uma janela de funcionamento mais ampla. Depois da atualização introduzida na Áustria, a equipa manteve esse conjunto e melhorou-o gradualmente.
Quem desenvolveu o motor da Red Bull?
A Red Bull Powertrains desenvolveu a unidade motriz maioritariamente pelos seus próprios meios. Embora tenha o logótipo da Ford, o artigo distingue essa identificação da origem técnica do motor.
A Red Bull pode lutar pelo título em 2027?
Michael Schmidt volta a colocar a Red Bull entre os candidatos ao título de 2027. O especialista não antecipa uma equipa dominadora e espera distâncias menores com a melhor compreensão do novo regulamento.

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AutoGear · 50 artigos
Gosta de motos e de automóveis, e gosta ainda mais de perceber o negócio que os põe na estrada. Vai atrás da notícia que está por trás da notícia: a estratégia das marcas, os patrocínios, as decisões que raramente chegam aos títulos. Nos tempos livres não dispensa uma boa caminhada, para largar o stress dos estudos.
Colaboradora do AutoGear. Faz parte da equipa da Rose & Lemon Productions, que produz o AutoGear, o Motociclismo e o M Sports.