Félix da Costa – “Vimos os jogos que a Porsche estava a fazer, mas eles tinham a posição em pista para o fazer. Não é necessariamente aquilo que queremos ver”

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Pascal Wehrlein conquistou uma vitória dominante na Ronda 16 do Campeonato do Mundo ABB FIA de Fórmula E, no Hankook London E-Prix, assumindo uma vantagem de cinco pontos na classificação de Pilotos antes da final da temporada de domingo. Mas, no meio da exibição dominante do alemão, foi António Félix da Costa quem protagonizou uma das grandes corridas do dia, lutando até chegar ao pódio para manter bem vivo o sonho da Jaguar TCS Racing no Campeonato de Equipas.

Partindo da pole position, Wehrlein executou uma estratégia perfeita, aproveitando da melhor forma um Full Course Yellow acionado para retirar de pista o Lola Yamaha ABT de Lucas di Grassi, que tinha ficado imobilizado. A neutralização cronometrada permitiu ao piloto da Porsche cumprir de forma eficiente a sua paragem obrigatória para o Pit Boost e manter o controlo da corrida, que geriu de forma exímia até à bandeira de xadrez. Jake Dennis protagonizou uma excelente recuperação para terminar em segundo pela Andretti, guardando o seu último Attack Mode para a fase final da corrida e subindo na classificação para limitar a vantagem de Wehrlein no campeonato a apenas cinco pontos. Mitch Evans completou o pódio em terceiro pela Jaguar, embora o neozelandês tenha ficado a lamentar o timing cruel do Full Course Yellow, que travou a sua recuperação e o deixou a 21 pontos da liderança à entrada para a final.

Para Félix da Costa, no entanto, o London E-Prix proporcionou exatamente o tipo de exibição aguerrida e oportunista que tem definido a sua temporada. O piloto português beneficiou do timing perfeito do Full Course Yellow, entrando nas boxes exatamente no momento certo para garantir uma posição valiosa em pista na frente do pelotão — e depois manteve a serenidade numa intensa batalha com Dan Ticktum para levar o seu Jaguar até ao final numa posição forte, mantendo viva a luta pelo Campeonato de Equipas antes da decisão.

No final, Félix da Costa falou com franqueza sobre os jogos táticos que estavam a acontecer na frente, a sorte que esteve do seu lado e a tensa final que se aproxima. “Vimos os jogos que a Porsche estava a fazer, mas eles tinham a posição em pista para o fazer. Não é necessariamente aquilo que queremos ver, e já ouvi outras pessoas dizerem que eram jogos sujos, mas eles fizeram-nos — tudo bem”, afirmou. “Infelizmente para o Mitch, ele teve muito azar com o timing do Full Course Yellow. Eu tive sorte, consegui entrar nas boxes durante esse período e, sim, garantir esta posição em pista na frente.”

O piloto português também refletiu sobre a sua luta roda com roda com Ticktum, uma rivalidade que já gerou alguns momentos de tensão esta temporada. “E depois, uma boa luta com o Dan. Desta vez mantivemos as coisas um pouco mais justas do que da última vez! Ainda houve algum movimento da parte dele, mas estou feliz por conseguir um pódio e manter vivo o Campeonato de Equipas.”

Olhando para uma final que promete ser tão dramática quanto decisiva, Félix da Costa não deixou dúvidas sobre a dimensão do desafio — e da oportunidade — que espera a Jaguar. “Vai ser um dia divertido e tenso amanhã. Uma vantagem de cinco pontos não é nada. Dois carros a pontuar por cada equipa, isso pode subir ou descer muito, muito depressa. Portanto, temos ritmo, temos o pacote, eles também. Vai ser divertido amanhã.”

O contexto dificilmente poderia ser mais interessante. Três pilotos — Wehrlein, Dennis e Evans — continuam matematicamente na luta pelo título de Pilotos, enquanto o Campeonato de Equipas, no qual o contributo de Félix da Costa tem sido decisivo, continua em aberto. O seu pódio em Londres foi muito mais do que um forte resultado individual; foi um ato vital para manter vivas as aspirações da Jaguar ao campeonato, deixando a formação britânica plenamente na luta quando a temporada chega ao seu momento decisivo.

O Campeonato do Mundo ABB FIA de Fórmula E 2025/26 termina no domingo, 16 de agosto, no ExCeL London, onde os títulos mundiais de Pilotos e Equipas serão decididos na Ronda 17. E com Félix da Costa num dos melhores momentos da sua carreira, levando para a final um ritmo muito forte e um temperamento já comprovado em grandes corridas, o piloto português terá um papel central num dos desfechos de campeonato mais tensos e equilibrados que a Fórmula E já produziu.

O ritmo está lá. O pacote está lá. E, como o próprio Félix da Costa afirmou, amanhã vai ser divertido. Para a Jaguar e para os fãs portugueses do desporto motorizado, promete ser imperdível.

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