Ott Tänak regressa à Toyota e equipa destaca impacto do campeão mundial

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Ott Tänak voltou a vestir o fato da Toyota Gazoo Racing em pleno Rally di Roma, marcando o seu regresso ao universo da marca japonesa após quase cinco anos desde a célebre saída, ao lado de Martin Järveoja, que se seguiu à conquista do título mundial de 2019. A imagem dos estónios de novo com as cores da Toyota foi um dos momentos mais marcantes da cerimónia de arranque desta ronda do Campeonato Europeu de Ralis, quebrando um longo hiato que muitos julgavam definitivo.

O piloto estónio, agora com estatuto de campeão mundial, fez a sua primeira aparição pública pela Toyota desde 27 de Outubro de 2019, precisamente no mesmo palco onde se despediu da equipa, levando consigo o título mundial. Tänak participou na demonstração do Toyota GR Yaris Rally2, fora de competição, servindo de momento simbólico e estratégico para o construtor nipónico na terceira ronda do Europeu de Ralis. O regresso do piloto que, nos dois anos ao serviço da Toyota, somou dez vitórias em 26 eventos — um registo estatisticamente ímpar — não passou despercebido no paddock. Tom Fowler, director técnico da Toyota Gazoo Racing, não escondeu a satisfação com o reencontro: “O Ott Tänak é uma lenda. Digo isto sem qualquer ironia. Ele é mesmo. O trabalho que tem feito connosco este ano, a nível de testes e desenvolvimento, tem sido incrível.”

Fowler recordou ainda o impacto de Tänak nos tempos áureos do Yaris WRC: “Quando cá esteve antes, não havia tanto trabalho de desenvolvimento — o carro de 2017 já estava afinado. Mas havia detalhes específicos que ele queria melhorar em 2018. Não vou entrar em detalhes, mas havia áreas de que ele não gostava nada e trabalhámos juntos para encontrar uma solução. Isso fez de nós campeões do mundo.” O responsável técnico sublinhou o perfil exigente e directo do piloto: “Ter o Ott de volta é excelente para a equipa. Sabes que vais precisar de tradutor. Ele começa por dizer: ‘A direcção está uma m****.’ Isso, em linguagem Tänak, significa que o sistema de direcção é subótimo para o Mundial de Ralis e preferia que fosse melhorado. É muito frontal. E, em algum momento, vai mandar-te à fava e pode ofender alguém, mas o pensamento dele é completamente altruísta — só quer ajudar a equipa e tornar o carro mais rápido. Com isso, consigo trabalhar.”

Esta colaboração renovada assume particular relevo tendo em conta o envolvimento de Tänak no desenvolvimento dos projectos da Toyota até 2027, um sinal claro da aposta a longo prazo da equipa em manter-se na vanguarda tecnológica dos ralis. O regresso do campeão mundial é visto não só como um reforço técnico, mas também como um trunfo psicológico: reacende memórias de uma época de ouro e traz know-how valioso para um plantel em constante evolução. Entretanto, a presença de Tänak em Roma, ainda que fora de competição, foi interpretada como um teste crucial para afinar o Yaris Rally2 — um modelo fundamental para as ambições da Toyota no panorama europeu.

No imediato, esta aproximação não altera as contas do Campeonato Europeu de Ralis, mas reconfigura as dinâmicas internas da Toyota e lança um precedente interessante para futuras participações do piloto em eventos internacionais. O próximo grande desafio da marca será no WRC, onde a equipa conta agora com um consultor de luxo para acelerar o desenvolvimento do novo pacote técnico, algo que poderá fazer a diferença na luta contra rivais como Hyundai e M-Sport Ford. Resta saber se este reencontro abre portas a uma participação competitiva de Tänak no futuro próximo — algo que, depois da recepção calorosa e franca de toda a estrutura, parece menos improvável do que há uns meses.

À medida que o Campeonato Europeu de Ralis se encaminha para a sua fase decisiva, a Toyota reforça-se nos bastidores, apostando numa combinação de experiência, talento e inovação. Com Tänak a contribuir activamente nos testes e no desenvolvimento, a expectativa é que a equipa japonesa continue a ser protagonista, tanto nas listas de inscritos como nas tabelas de tempos. O Rally di Roma mostrou que, no mundo dos ralis, regressos improváveis podem tornar-se armas secretas para quem sabe capitalizá-los.

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