Ford admite que a Europa está atrasada na corrida aos elétricos chineses
O essencial
- Jim Farley, CEO da Ford, considera que os fabricantes europeus perderam terreno demais para os construtores chineses na corrida aos elétricos.
- A Ford está a preparar uma parceria com a Geely para produzir um novo modelo em Valência, utilizando plataforma chinesa.
- Os fabricantes chineses beneficiam de cadeia de fornecimento de baterias desenvolvida e integração industrial forte.
Jim Farley considera que os fabricantes europeus já perderam demasiado terreno para os construtores chineses. O mais curioso é que a própria Ford está a preparar uma parceria com a Geely para produzir um novo modelo em Valência.
A indústria automóvel europeia enfrenta uma concorrência cada vez mais difícil por parte dos fabricantes chineses e, segundo Jim Farley, CEO da Ford, recuperar o terreno perdido poderá já ser demasiado complicado.
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O responsável considera que as marcas europeias chegaram tarde à corrida dos veículos elétricos e enfrentam atualmente desvantagens significativas nos custos de produção, baterias e cadeias de fornecimento.
Nos Estados Unidos, a posição de Farley é diferente. O executivo defende que os veículos chineses devem continuar afastados daquele mercado, invocando também preocupações relacionadas com segurança nacional e recolha de dados por parte dos automóveis conectados.
A Ford vai trabalhar com a Geely
A posição da Ford ganha particular interesse quando analisada à luz das suas próprias decisões na Europa. A empresa está a preparar uma parceria com a Geely, que deverá utilizar parte da fábrica de Almussafes, em Valência, para produzir um novo modelo destinado ao mercado europeu.
O futuro automóvel deverá recorrer a uma plataforma da fabricante chinesa e poderá assumir a forma de um crossover com diferentes soluções de motorização. A designação Focus é apontada como uma possibilidade para este projeto, embora ainda não esteja oficialmente confirmada.
Ou seja, enquanto Farley considera que os construtores europeus têm dificuldade em acompanhar a indústria chinesa, a própria Ford poderá recorrer diretamente à tecnologia de uma das empresas que estão a ganhar terreno no mercado europeu.
Dependência crescente de parceiros externos
Uma gama europeia cada vez mais dependente de parceiros
A estratégia da Ford na Europa mostra também como as alianças entre fabricantes se tornaram importantes. O Explorer e o Capri, por exemplo, utilizam a plataforma MEB do Grupo Volkswagen. A próxima geração do Focus deverá recorrer à tecnologia da Geely, enquanto futuros modelos de menor dimensão deverão resultar de uma colaboração com a Renault.
Entre os automóveis elétricos de passageiros, a Ford mantém ainda modelos como o Puma Gen-E e o Mustang Mach-E, enquanto a gama de veículos comerciais inclui propostas elétricas como a E-Transit e outras variantes da família Transit.
Esta abordagem permite reduzir o investimento necessário para desenvolver plataformas totalmente novas, num momento em que os fabricantes enfrentam elevados custos associados à eletrificação.
A batalha também passa pelos preços
O problema identificado por Farley não está apenas relacionado com tecnologia. O custo de produzir um automóvel elétrico tornou-se um dos principais campos de batalha da indústria.
Os fabricantes chineses beneficiam de uma cadeia de fornecimento de baterias muito desenvolvida e de uma forte integração industrial, enquanto as marcas europeias procuram reduzir custos através de novas plataformas, alianças e produção conjunta.
É também por isso que a evolução do mercado europeu nos próximos anos deverá passar cada vez mais por parcerias entre fabricantes, plataformas partilhadas e componentes desenvolvidos em conjunto.
Para quem compra um automóvel, a consequência poderá ser uma oferta com mais tecnologia partilhada entre marcas — e com fabricantes europeus cada vez mais dependentes de parceiros externos para conseguirem competir num mercado elétrico onde os custos assumem um peso decisivo.
AutoGear · 547 artigos
Jornalista de automóveis, especializado em testes. É diretor da revista Comerciais & Pesados e o membro português do júri do International Truck of the Year. Editor dos sites da Revista Carros e Motores e da Revista Motos, e colaborador permanente do Jornal das Oficinas e da Revista dos Pneus, publicações de referência no pós-venda automóvel. Formado pela Universidade Autónoma de Lisboa. No AutoGear escreve sobre mercado, novidades e mobilidade elétrica.