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Ford admite que a Europa está atrasada na corrida aos elétricos chineses

Publicado a 5 de Outubro de 2026, 14h00  ·  Atualizado a 6 de Outubro de 2026, 12h29  ·  3 min de leitura

O essencial

  • Jim Farley, CEO da Ford, considera que os fabricantes europeus perderam terreno demais para os construtores chineses na corrida aos elétricos.
  • A Ford está a preparar uma parceria com a Geely para produzir um novo modelo em Valência, utilizando plataforma chinesa.
  • Os fabricantes chineses beneficiam de cadeia de fornecimento de baterias desenvolvida e integração industrial forte.

Jim Farley considera que os fabricantes europeus já perderam demasiado terreno para os construtores chineses. O mais curioso é que a própria Ford está a preparar uma parceria com a Geely para produzir um novo modelo em Valência.

A indústria automóvel europeia enfrenta uma concorrência cada vez mais difícil por parte dos fabricantes chineses e, segundo Jim Farley, CEO da Ford, recuperar o terreno perdido poderá já ser demasiado complicado.

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O responsável considera que as marcas europeias chegaram tarde à corrida dos veículos elétricos e enfrentam atualmente desvantagens significativas nos custos de produção, baterias e cadeias de fornecimento.

Nos Estados Unidos, a posição de Farley é diferente. O executivo defende que os veículos chineses devem continuar afastados daquele mercado, invocando também preocupações relacionadas com segurança nacional e recolha de dados por parte dos automóveis conectados.

A Ford vai trabalhar com a Geely

A posição da Ford ganha particular interesse quando analisada à luz das suas próprias decisões na Europa. A empresa está a preparar uma parceria com a Geely, que deverá utilizar parte da fábrica de Almussafes, em Valência, para produzir um novo modelo destinado ao mercado europeu.

O futuro automóvel deverá recorrer a uma plataforma da fabricante chinesa e poderá assumir a forma de um crossover com diferentes soluções de motorização. A designação Focus é apontada como uma possibilidade para este projeto, embora ainda não esteja oficialmente confirmada.

Ou seja, enquanto Farley considera que os construtores europeus têm dificuldade em acompanhar a indústria chinesa, a própria Ford poderá recorrer diretamente à tecnologia de uma das empresas que estão a ganhar terreno no mercado europeu.

Dependência crescente de parceiros externos

Uma gama europeia cada vez mais dependente de parceiros

A estratégia da Ford na Europa mostra também como as alianças entre fabricantes se tornaram importantes. O Explorer e o Capri, por exemplo, utilizam a plataforma MEB do Grupo Volkswagen. A próxima geração do Focus deverá recorrer à tecnologia da Geely, enquanto futuros modelos de menor dimensão deverão resultar de uma colaboração com a Renault.

Entre os automóveis elétricos de passageiros, a Ford mantém ainda modelos como o Puma Gen-E e o Mustang Mach-E, enquanto a gama de veículos comerciais inclui propostas elétricas como a E-Transit e outras variantes da família Transit.

Esta abordagem permite reduzir o investimento necessário para desenvolver plataformas totalmente novas, num momento em que os fabricantes enfrentam elevados custos associados à eletrificação.

A batalha também passa pelos preços

O problema identificado por Farley não está apenas relacionado com tecnologia. O custo de produzir um automóvel elétrico tornou-se um dos principais campos de batalha da indústria.

Os fabricantes chineses beneficiam de uma cadeia de fornecimento de baterias muito desenvolvida e de uma forte integração industrial, enquanto as marcas europeias procuram reduzir custos através de novas plataformas, alianças e produção conjunta.

É também por isso que a evolução do mercado europeu nos próximos anos deverá passar cada vez mais por parcerias entre fabricantes, plataformas partilhadas e componentes desenvolvidos em conjunto.

Para quem compra um automóvel, a consequência poderá ser uma oferta com mais tecnologia partilhada entre marcas — e com fabricantes europeus cada vez mais dependentes de parceiros externos para conseguirem competir num mercado elétrico onde os custos assumem um peso decisivo.

Ricardo Carvalho

AutoGear  ·  712 artigos

Jornalista de automóveis desde o ano 2000. Iniciou o seu percurso na Motorpress Lisboa, onde escreveu em revistas como o Guia do AUTOMÓVEL, Auto Magazine e Veículos Comerciais. Escreveu ainda para o semanário Autohoje, onde se especializou em testes e reviews de automóveis.
Mudou-se para a Revista Carros & Motores em 2018, permanecendo até 2025. Em 2026 integrou a redação do Autogear, onde tenta dinamizar o site. É também diretor da "Revista" Comerciais & Pesados, um suplemento trimestral da "Carros & Motores" e o membro português do júri do International Truck of the Year (Camião Internacional do Ano).

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