Flavio Briatore lançou luz sobre a recente falhança nas negociações entre Toto Wolff, Mercedes e o fundo Otro Capital para a aquisição de 24% da Alpine, esclarecendo que o principal obstáculo residiu no valor exigido pelas ações, enquanto Christian Horner permanece na retaguarda, atento a possíveis desenvolvimentos.
Esta semana, tornou-se público que Wolff e a Mercedes desistiram da tentativa de compra de uma participação minoritária na Alpine, detida pelo fundo Otro Capital. Fontes indicaram que o preço pedido, cerca de 720 milhões de dólares (536 milhões de libras), foi considerado excessivo, avaliando a Alpine em cerca de 3 mil milhões de dólares (2,2 mil milhões de libras). Este valor representa um aumento substancial de quase 350 milhões de libras relativamente aos 171 milhões que Otro pagou em junho de 2023 para adquirir essa fatia.
Briatore, ex-piloto e gestor com ligações históricas à Fórmula 1, foi categórico ao afirmar que o impasse não tem qualquer relação direta com a Alpine enquanto equipa, mas sim com a negociação entre Mercedes e Otro Capital. “Otro não tem nada a ver com a equipa, é um hedge fund que comprou 24% do grupo há dois anos e agora quer vender,” explicou Briatore em declarações à imprensa, incluindo o RacingNews365. “Como é do conhecimento geral, estavam a negociar com Toto Wolff e a Mercedes, mas há três dias esse acordo falhou, o que é normal em negociações deste tipo.”
Questionado sobre a razão para o fracasso nas conversações, Briatore realçou que “o preço era demasiado alto”. E acrescentou: “Toto foi sempre muito justo durante as negociações, mas não acredito que o pessoal da Otro tenha sido tão justo quanto isso.”
Quanto à presença de Christian Horner, chefe da Red Bull, também apontado como possível interessado na compra da participação da Otro, Briatore foi claro ao afirmar que está “disponível para aceitar qualquer solução que a Renault decida”. “Otro é um problema do grupo Renault, há muitas negociações em curso com diferentes equipas e pessoas, incluindo o Christian,” referiu. “Para mim, seja qual for a solução encontrada pela Renault, estou feliz em aceitar, mas qualquer acordo feito com Otro precisa da aprovação da Renault. Acho difícil alguém investir 600 milhões de dólares numa participação minoritária sem o acordo da maioria. Não entendo a política da Otro.”
Sobre a possibilidade de colaborar diretamente com Horner, Briatore mostrou-se aberto e positivo: “Estaria feliz em trabalhar com qualquer pessoa. Neste momento, não sei se o Christian está envolvido no grupo que quer comprar a Otro, mas não tenho nenhum problema com ele. Tenho uma relação excelente com o Christian, conheço-o há 20 anos e é tudo muito bom, zero problemas.”
Para Briatore, o verdadeiro interlocutor nesta questão é o grupo Renault, não ele próprio. “Quem tem de decidir e negociar são eles, não eu.”
Este episódio revela as complexas dinâmicas e interesses cruzados num mercado onde as participações em equipas de Fórmula 1 valem centenas de milhões e onde as estratégias de expansão das grandes marcas continuam a gerar tensões e oportunidades. A atenção agora volta-se para a Renault e para o desenrolar das negociações, com Christian Horner a manter-se uma figura chave no tabuleiro, enquanto Toto Wolff retira-se temporariamente, mas sem fechar portas a futuras movimentações.
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