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Há teto na F1, mas os salários dos pilotos não entram

Publicado a 19 de Outubro de 2026, 23h12  ·  4 min de leitura

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Christian Horner estima que cada equipa de Fórmula 1 gasta entre cerca de 445,4 e 534,5 milhões de euros por ano. O antigo chefe da Red Bull quer aumentar o teto orçamental e incluir mais despesas nas contas sujeitas ao limite.

O essencial

  • Horner estima despesas anuais por equipa entre cerca de 445,4 e 534,5 milhões de euros.
  • O teto atual exclui salários dos pilotos, viagens, marketing e outras rubricas.
  • James Vowles considera que o sistema favorece as equipas que investiram antes da introdução do limite.

O teto orçamental da Fórmula 1 deixa uma parte das despesas de fora.
Segundo o Motorsport-Total, Christian Horner defende que o limite seja aumentado, mas passe a abranger mais rubricas.
O antigo chefe da Red Bull estima gastos anuais por equipa entre cerca de 445,4 e 534,5 milhões de euros.

O limite atual, conforme o AutoGear apurou, corresponde a cerca de 191,5 milhões de euros e exclui salários dos pilotos, viagens e marketing.
Também ficam de fora os salários dos 3 funcionários mais bem pagos, além dos pilotos, entre outras despesas.
Existe ainda um teto separado para as unidades de potência, de cerca de 169,3 milhões de euros.

O que pede Christian Horner

Nas declarações reproduzidas pelo Motorsport-Total, Horner considera positivo o caráter abrangente do limite aplicado aos motores e defende uma abordagem semelhante para as equipas.
A questão, sustenta, está no valor a fixar.
Na sua leitura, as equipas gastam todo o dinheiro disponível, pelo que limitar uma área acaba por deslocar recursos para outra.

Horner compara esse efeito ao ar de um balão, que muda de sítio quando se aperta uma extremidade.
Aponta os salários dos pilotos, hoje bastante superiores aos anteriores à introdução do teto, como exemplo dessa deslocação.
Ainda assim, considera que as equipas deixaram de ser negócios deficitários e que até a mais pequena tem uma avaliação na ordem dos milhares de milhões.

Williams vê uma vantagem desigual

O mesmo artigo recorda as críticas de James Vowles, chefe da Williams, para quem o sistema beneficia sobretudo as equipas de topo.
A Williams tem de financiar investimentos abrangidos pelo teto, o que restringe o dinheiro disponível para o monolugar e para o pessoal.
Red Bull, Mercedes e Ferrari já tinham investido fortemente nas instalações antes da entrada em vigor do limite.

Segundo a explicação apresentada, essas equipas podem agora concentrar os recursos abrangidos pelo teto no desempenho em pista.
Horner reconhece, porém, que o sistema deu valor às equipas enquanto negócios, citando a subida de Haas e Williams nas avaliações.
Há 5, 6 ou 7 anos, acrescenta, seriam vistas como empresas deficitárias.

A experiência da Red Bull

A Fórmula 1 introduziu o teto em 2021, inicialmente equivalente a cerca de 129,2 milhões de euros, antes da subida até ao valor atual.
Segundo o Motorsport-Total, a Red Bull ultrapassou o limite de 2021 em 5%.
Recebeu uma multa de cerca de 6,2 milhões de euros e uma redução de 10% nos testes em túnel de vento e simulação computacional de fluidos.

Horner argumenta que os primeiros anos exigiram adaptação e que várias regras ficaram entretanto mais claras.
Na sua interpretação, os motivos da penalização inicial já não constituiriam um problema no segundo ano, nem atualmente.
O artigo assinala também maior estabilidade financeira nas equipas, com a Force India, em 2018, como último construtor a entrar em insolvência.

Menos peças nas prateleiras

Horner recorda que, antes do teto, a Red Bull terminava épocas com material por utilizar que valia dezenas de milhões de euros.
Fundos, asas e peças de suspensão enchiam armazéns, porque a equipa não queria destruí-los nem deixar sair propriedade intelectual.
Compara esses espaços aos armazéns de «Os Salteadores da Arca Perdida», de Indiana Jones.

O limite obrigou a selecionar melhor o que fabricar, como gastar e como aproveitar cada componente, defende Horner.
Para o antigo responsável, a contabilidade passou a pesar nas vitórias tanto como o departamento de projeto.
Quando deixou a Red Bull, em 2025, os 2 departamentos tinham a mesma dimensão, porque as regras financeiras passaram a importar tanto como as desportivas e técnicas.

Leia também

Perguntas e respostas

O que quer Christian Horner mudar no teto orçamental da F1?

Christian Horner defende que o limite seja aumentado, mas passe a abranger mais rubricas.
Considera positivo o caráter abrangente do limite aplicado aos motores e defende uma abordagem semelhante para as equipas.

Que despesas ficam fora do teto orçamental da F1?

O limite atual exclui salários dos pilotos, viagens e marketing.
Também ficam de fora os salários dos 3 funcionários mais bem pagos, além dos pilotos, entre outras despesas.

Porque considera James Vowles que o teto beneficia as equipas de topo?

A Williams tem de financiar investimentos abrangidos pelo teto, o que restringe o dinheiro disponível para o monolugar e para o pessoal.
Red Bull, Mercedes e Ferrari já tinham investido fortemente nas instalações antes da entrada em vigor do limite.

Ficha técnica

Teto orçamental atual
191,5 milhões de euros
Teto das unidades de potência
169,3 milhões de euros
Estimativa de gastos por equipa
445,4 a 534,5 milhões de euros
Multa da Red Bull por ultrapassar teto 2021
6,2 milhões de euros
Introdução do teto orçamental
2021

Martim Campos

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Prefere passar uma semana numa história a despachar dez num dia. Escreve as peças que não cabem numa notícia: o perfil de um piloto, a engenharia por trás de uma moto ou de um automóvel, a equipa que se reconstrói depois de um ano difícil. Mas também colabora com o resto da equipa no dia a dia. O que faz no tempo livre não diz: guarda para ele.

Colaborador do AutoGear. Faz parte da equipa da Rose & Lemon Productions, que produz o AutoGear, o Motociclismo e o M Sports.

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