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O que verificar num carro elétrico usado antes de comprar?

Publicado a 20 de Setembro de 2026, 14h59  ·  Atualizado a 20 de Setembro de 2026, 16h47  ·  4 min de leitura

Imagem ilustrativa. Fotografia: Pexels, Giant Asparagus, https://www.pexels.com/photo/electric-vehicle-charging-close-up-in-sunlight-37576219/ (Licença Pexels, uso livre com crédito)

Quem compra um carro elétrico usado deve exigir um teste independente à bateria, porque a quilometragem não diz tudo. A AVILOO analisou mais de 500 mil testes e encontrou diferenças de até 16,4 pontos percentuais no estado de saúde entre exemplares do mesmo modelo.

O essencial

  • A AVILOO analisou mais de 500 mil testes a baterias de 20 modelos elétricos, feitos entre 2022 e 2026.
  • Aos 150 000 km, o estado de saúde mediano das baterias fica entre 85,9% e 93,4% nos modelos detalhados pela AVILOO.
  • Entre dois exemplares do mesmo modelo a diferença chega a 16,4 pontos percentuais, o que vale até 46 km de autonomia real.

O que o estudo mediu

A AVILOO, empresa austríaca de diagnóstico de baterias, publicou a 3 de setembro a nova edição do AVILOO Certified EV Battery Report. Segundo a AVILOO, o documento cruza mais de 500 mil testes feitos entre 2022 e 2026 a 20 dos modelos elétricos mais vendidos, retirados de uma base de dados mundial com mais de um milhão de diagnósticos.

Os valores saem do FLASH Test, uma leitura de três minutos feita pela tomada de diagnóstico (OBD) que calcula o estado de saúde da bateria (SoH) sem depender do que o quadro de bordo mostra. A empresa apresenta os resultados em três marcos: 50 000 km, 100 000 km e 150 000 km.

Quanto perde aos 150 000 km

Aos 150 000 km, a mediana do estado de saúde fica entre 85,9% e 93,4% nos modelos que a AVILOO detalha. O Hyundai Ioniq 5 é o melhor desse grupo, com 93,4% nesse marco, contra 97,3% aos 50 000 km. O Nissan Leaf ZE1 de 40 kWh é o que mais perde, dos 90,8% aos 50 000 km para 85,9% aos 150 000 km.

Entre os modelos de maior volume, o Tesla Model Y passa de 94,5% para 90,1% e o Volkswagen ID.4 de 95,4% para 90,9%.

Porque é que a média não chega

Para quem compra, a dispersão pesa mais do que a mediana. Aos 150 000 km, a distância entre o melhor e o pior exemplar do mesmo modelo chega a 16,4 pontos percentuais de SoH. Em autonomia real, a AVILOO calcula que essa diferença entre dois carros iguais vale entre 30 e 46 km.

“A verdade destes dados é que as médias escondem muito”, disse Marcus Berger, presidente executivo da AVILOO. “O estado da bateria varia muito entre modelos e ainda mais entre exemplares do mesmo modelo.”

A conta faz-se sempre com o preço ao lado, e o AutoGear já mostrou que há elétricos novos com 250 km de autonomia anunciados por menos de 18 mil euros em Itália. Com essa referência no mercado, um usado sem relatório de bateria perde interesse depressa.

O que verificar num carro elétrico usado

Pedir o SoH ao vendedor é o primeiro passo, mas por escrito e com contexto: a data do teste, os quilómetros a que foi feito e quem o fez. A AVILOO defende que só um teste individual mostra em que ponto está aquela bateria. Um valor solto, tirado do ecrã do carro, não serve de prova.

Depois vem a garantia. O padrão do mercado, recordado pela electrive, são oito anos ou 160 000 km com um mínimo de 70% de capacidade. Convém confirmar no contrato se essa cobertura passa para o segundo dono e pedir o histórico de revisões do carro.

Vale ainda ler a letra pequena das promessas de durabilidade, como o AutoGear contou a propósito do óleo do diferencial que a BMW dizia durar a vida do carro. Uma peça anunciada como vitalícia raramente o é sem condições.

A AVILOO diz que vai publicar o relatório duas vezes por ano.

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Perguntas e respostas

O que verificar num carro elétrico usado antes de comprar?

O estado de saúde da bateria (SoH), confirmado por um teste independente e entregue por escrito, com a data e a quilometragem a que foi feito. A AVILOO defende que só um teste individual dá essa informação, porque entre carros do mesmo modelo a diferença chega a 16,4 pontos percentuais aos 150 000 km. Deve confirmar-se ainda no contrato se a garantia de bateria passa para o segundo dono.

Quanto dura a bateria de um carro elétrico?

Segundo a AVILOO, aos 150 000 km a mediana do estado de saúde situa-se entre 85,9% e 93,4% nos modelos detalhados no relatório. O Hyundai Ioniq 5 ficou nos 93,4% e o Nissan Leaf ZE1 de 40 kWh nos 85,9%. O Tesla Model Y passa de 94,5% aos 50 000 km para 90,1% aos 150 000 km.

A garantia da bateria cobre um carro elétrico usado?

O padrão do mercado são oito anos ou 160 000 km, com a marca a garantir um mínimo de 70% da capacidade, segundo a electrive. Convém confirmar no contrato se a cobertura se transmite ao novo proprietário e pedir o histórico de revisões do carro.

Fotografia: Pexels, Giant Asparagus, https://www.pexels.com/photo/electric-vehicle-charging-close-up-in-sunlight-37576219/ (Licença Pexels, uso livre com crédito)

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Ficha técnica

Modelos analisados
20 dos mais vendidos
Testes analisados
Mais de 500 mil entre 2022 e 2026
Estado de saúde aos 150 000 km
Entre 85,9% e 93,4%
Diferença máxima entre exemplares
16,4 pontos percentuais
Diferença em autonomia real
Entre 30 e 46 km
Garantia padrão de bateria
8 anos ou 160 000 km, mínimo 70% de capacidade

Redação

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Assinatura colectiva da redação do AutoGear. Assina os textos dos colaboradores da casa, Pedro Albuquerque, Diogo Mota e Vasco Santos, e o acompanhamento diário do desporto motorizado e do mercado automóvel, produzido com apoio de ferramentas automáticas.

A revisão do desporto motorizado é assinada por Diogo Soure, jornalista com longo percurso em televisão e passagem pela SIC, onde foi um dos responsáveis pelo programa Volante. A responsabilidade editorial das restantes áreas é de Ricardo Marques Carvalho, jornalista de automóveis e membro português do júri do International Truck of the Year.

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