Gabriel Bortoleto voltou a sentir na pele as fragilidades da Audi R26 no GP do Canadá, onde terminou a corrida sprint no 12.º lugar, após mais uma largada desastrosa que comprometeu as suas hipóteses desde o arranque. O jovem piloto brasileiro, que tem sido um dos mais regulares da equipa, não esconde a frustração perante um problema crónico que mina o desempenho da Audi desde a primeira corrida da temporada.
Largando do 12.º posto, Bortoleto caiu para 17.º logo nos primeiros metros, repetindo o padrão que tem atormentado a equipa ao longo do ano. Durante a prova, o brasileiro chegou a reportar dificuldades no motor via rádio, algo que a equipa desmentiu, mantendo a confiança no pacote técnico. Com uma gestão cuidadosa e instruções precisas da box, Bortoleto conseguiu recuperar posições e terminou na mesma posição de partida, evidenciando o bom ritmo de corrida que o Audi R26 consegue apresentar fora das largadas.
“Não é novidade que sofremos nas largadas,” admitiu Gabriel Bortoleto. “Isso tem acontecido desde Melbourne. Sempre estamos a perder quatro, cinco, seis posições, dependendo de quem está atrás de nós. O nosso carro funciona bem em qualificação e tem um ritmo de corrida sólido. Mas, quando perdes seis posições logo na largada, para recuperar tens de destruir os teus pneus e assumir muitos riscos em pista.”
O piloto brasileiro sublinha que o principal calcanhar de Aquiles da Audi reside justamente nos arranques, uma fraqueza que obriga a um desgaste prematuro dos compostos e a uma condução mais agressiva para recuperar terreno, algo que pode comprometer a performance a longo prazo nas corridas. “A corrida de hoje só mostrou um pouco da situação em que estamos: bom ritmo de corrida, mas largamos mal. Também estamos fortes na qualificação, embora por vezes surjam problemas pontuais. Vamos ver o que conseguimos fazer mais tarde.”
Quanto às soluções para este entrave, Bortoleto mantém uma postura realista e pragmática. Apesar da equipa ter identificado o caminho para resolver a questão, os tempos de desenvolvimento e fatores externos atrasam a chegada das atualizações necessárias. “Sou uma pessoa realista. Não vejo solução a curto prazo. É lógico que sabemos o que tem de ser feito para resolver, mas demora. Depende de muitas situações fora do nosso controlo e as que estão ao nosso alcance levam tempo para serem implementadas. Por isso, acho que vamos continuar a sofrer um pouco. Mas temos de viver com isso até resolver.”
A Audi enfrenta agora o desafio de acelerar o trabalho de desenvolvimento para não deixar que as largadas continuem a ser um entrave ao potencial do R26 e das suas jovens promessas, como Gabriel Bortoleto, que têm mostrado talento e ritmo para lutar nas posições cimeiras. O GP do Canadá evidenciou que, sem melhorias significativas na partida, a equipa poderá continuar a perder preciosos pontos, mesmo com um carro competitivo.
A próxima etapa será decisiva para perceber se a Audi consegue virar a página e transformar o ritmo de corrida em resultados efetivos, começando por resolver a sangria nas largadas que tem dificultado a progressão da equipa no Mundial de Fórmula 1. Gabriel Bortoleto, apesar das dificuldades, mantém a determinação e a confiança na capacidade da equipa para ultrapassar este obstáculo.




