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Audi vai produzir os SUV Q7, Q8 e Q9 na nova fábrica dos EUA

Publicado a 28 de Outubro de 2026, 07h00  ·  Atualizado a 28 de Outubro de 2026, 08h32  ·  4 min de leitura

O essencial

  • Audi vai construir nova fábrica na Geórgia com investimento de 4 mil milhões de dólares
  • Fábrica produzirá SUV Q7, Q8 e Q9 com capacidade anual de até 200 mil veículos
  • Construção deverá começar em 2027, com produção a arrancar no início da década seguinte
  • Q5 e Q3 continuarão a ser importados do México e Hungria respetivamente

A Audi está a preparar uma das maiores apostas industriais da sua história nos Estados Unidos. A marca alemã pretende construir uma nova fábrica no estado da Geórgia, num investimento estimado em 4 mil milhões de dólares, destinada à produção dos seus SUV de maiores dimensões.

Segundo Gernot Döllner, presidente executivo da Audi, os modelos Q7, Q8 e Q9 deverão constituir a base da produção na futura unidade, localizada nas proximidades de Macon. A informação foi avançada numa entrevista à publicação Automotive News.

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O projeto prevê uma capacidade anual de até 200 mil veículos e a criação de aproximadamente 4500 empregos. Contudo, o investimento ainda precisa de receber a aprovação dos órgãos competentes do Grupo Volkswagen. Caso avance conforme previsto, a construção deverá começar em 2027, com a produção a arrancar no início da década seguinte.

Q7, Q8 e Q9 serão os protagonistas

Q7, Q8 e Q9 serão os protagonistas

A escolha dos três modelos reflete a importância dos SUV de luxo de grandes dimensões no mercado norte-americano, onde a Audi procura reforçar a sua posição perante concorrentes como a BMW, a Mercedes-Benz e as marcas locais Cadillac e Lincoln.

O Q7 já tem uma presença consolidada neste segmento, enquanto o Q8 aposta numa silhueta mais desportiva, de inspiração coupé. Já o Q9 será uma novidade na gama da Audi, com a missão de competir diretamente com modelos como o BMW X7 e o Mercedes-Benz GLS.

A produção norte-americana deverá, no entanto, começar apenas dentro de alguns anos. Até lá, os Q7 e Q9 continuarão a ser fornecidos a partir da fábrica de Bratislava, na Eslováquia, tal como acontece atualmente com outros modelos de grandes dimensões da marca.

O mesmo se aplica ao Q8, cuja próxima geração também está prevista. A Audi já confirmou a continuidade do modelo, embora ainda não tenha revelado todos os detalhes da futura versão.

Quando a nova fábrica entrar em funcionamento, é provável que os três SUV já tenham recebido atualizações importantes ou até dado lugar a novas gerações. A unidade da Geórgia deverá, por isso, produzir versões que ainda não foram apresentadas.

Q5 e Q3 continuarão a chegar do estrangeiro

Q5 e Q3 continuarão a chegar do estrangeiro

Apesar do investimento nos Estados Unidos, a Audi não pretende transferir imediatamente toda a produção dos seus SUV para o mercado norte-americano.

O Q5 continuará a ser importado da fábrica de San José Chiapa, no México, enquanto o Q3 deverá manter a produção na Hungria, pelo menos numa fase inicial.

A possibilidade de fabricar o Q3 nos Estados Unidos não está totalmente excluída, mas ainda não faz parte dos planos confirmados pela marca.

A futura unidade da Geórgia será dedicada exclusivamente à Audi. A administração do grupo chegou a avaliar alternativas, incluindo a utilização de instalações da Volkswagen em Chattanooga, no Tennessee, e a futura fábrica da Scout Motors na Carolina do Sul. A decisão passou, contudo, pela construção de uma unidade própria.

Motores de combustão e híbridos plug-in

A nova fábrica deverá concentrar-se em modelos equipados com motores de combustão, estando também prevista a possibilidade de produzir versões híbridas plug-in.

Não existem, para já, indicações de que a unidade venha a fabricar SUV totalmente elétricos. A estratégia está, assim, alinhada com a procura norte-americana por veículos de maiores dimensões, nos quais os motores de combustão continuam a desempenhar um papel relevante.

Também não é expectável que as versões com motor V6 diesel disponíveis na Europa integrem a oferta destinada aos Estados Unidos, tendo em conta o impacto do escândalo Dieselgate na reputação deste tipo de motorização no mercado norte-americano.

A Audi procura, desta forma, adaptar a produção às preferências dos clientes locais, sem deixar de acompanhar a evolução da eletrificação.

Produção local para reduzir o impacto das tarifas

Produção local para reduzir tarifas

A construção da fábrica na Geórgia tem também uma motivação económica. Atualmente, a Audi depende de veículos produzidos na Europa e no México para abastecer os clientes norte-americanos, ficando exposta às tarifas aplicadas aos automóveis importados.

Ao produzir localmente os modelos de maior dimensão, a marca pretende reduzir essa dependência e tornar a operação mais competitiva num mercado cada vez mais condicionado pelas políticas comerciais.

Ainda assim, o benefício real dependerá das regras em vigor quando a fábrica começar a produzir, bem como da origem dos componentes e da organização da cadeia de abastecimento.

Cerca de metade da produção prevista deverá destinar-se ao mercado norte-americano, embora a capacidade da unidade permita uma margem significativa para ajustar os volumes à evolução da procura.

Decisão final ainda depende da Volkswagen

Apesar de os planos estarem relativamente definidos, o projeto ainda não está totalmente aprovado. O investimento de 4 mil milhões de dólares necessita da luz verde dos órgãos de supervisão do Grupo Volkswagen.

Gernot Döllner mostrou-se confiante de que a decisão poderá ser tomada até ao final de 2026, o que permitiria avançar com o calendário previsto.

Se o plano se concretizar, a Audi passará a fabricar nos Estados Unidos alguns dos seus SUV mais importantes, aproximando a produção de um dos seus principais mercados e reduzindo a exposição às tarifas de importação.

O objetivo é claro: produzir nos Estados Unidos os SUV que os clientes norte-americanos mais valorizam e reforçar a competitividade da Audi num segmento em que a dimensão, o luxo e a produção local podem fazer a diferença.

Ficha técnica

Investimento
4 mil milhões de dólares
Localização
Geórgia, proximidades de Macon
Capacidade anual
Até 200 mil veículos
Empregos criados
Aproximadamente 4500
Início construção
2027
Início produção
Início da década seguinte
Modelos
Q7, Q8 e Q9

Ricardo Carvalho

AutoGear  ·  722 artigos

Jornalista de automóveis desde o ano 2000. Iniciou o seu percurso na Motorpress Lisboa, onde escreveu em revistas como o Guia do AUTOMÓVEL, Auto Magazine e Veículos Comerciais. Escreveu ainda para o semanário Autohoje, onde se especializou em testes e reviews de automóveis.
Mudou-se para a Revista Carros & Motores em 2018, permanecendo até 2025. Em 2026 integrou a redação do Autogear, onde tenta dinamizar o site. É também diretor da "Revista" Comerciais & Pesados, um suplemento trimestral da "Carros & Motores" e o membro português do júri do International Truck of the Year (Camião Internacional do Ano).

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