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Porsche enfrenta tempos difíceis e prepara corte de 5000 empregos

Publicado a 28 de Julho de 2026, 18h00  ·  Atualizado a 7 de Setembro de 2026, 13h38  ·  2 min de leitura

A Porsche vai avançar com uma nova redução da força de trabalho e prevê eliminar mais de 5000 postos de trabalho até 2035. Apesar da dimensão dos cortes, a marca alemã garante que não haverá despedimentos compulsivos.

O novo plano de reestruturação foi acordado com os representantes dos trabalhadores e prevê, em contrapartida, um investimento de 2,1 mil milhões de euros nas fábricas de Zuffenhausen e Weissach. A Porsche compromete-se ainda a manter a garantia de emprego até ao final de 2035.

O chamado Future Package foi negociado com o sindicato IG Metall e a associação patronal Südwestmetall e faz parte da estratégia Sportwagenschmiede 35, criada para recuperar a competitividade da Porsche num período particularmente difícil para a marca.

A fabricante enfrenta uma quebra da rentabilidade provocada sobretudo pela desaceleração do mercado chinês, um dos mais importantes para a Porsche, mas também pelo aumento dos custos de produção.

Atualmente, a Porsche emprega cerca de 42.000 pessoas. A redução de mais de 5000 trabalhadores será feita através de reformas, pré-reformas, saídas naturais e acordos de rescisão voluntária. A empresa garante que não recorrerá a despedimentos compulsivos até 2035.

Mas o corte no número de trabalhadores não será a única medida para reduzir custos. O acordo prevê também alterações nas condições laborais e salariais, com o objetivo de aumentar a produtividade.

Entre as medidas está o adiamento, até 2035, de 3,5% dos aumentos salariais previstos para os trabalhadores abrangidos pelo acordo coletivo da Porsche. A administração e os restantes cargos de topo também vão prescindir de aumentos salariais em 2027 e 2028.

O subsídio de Natal será igualmente reduzido. A componente voluntária paga pela empresa vai passar progressivamente dos atuais 45% para apenas 5% até 2035. Na prática, o prémio máximo deixará de corresponder a um salário completo e ficará limitado a 60% desse valor.

Também o teletrabalho vai sofrer alterações. Os trabalhadores passarão a ter um limite de oito dias de trabalho remoto por mês, contra os atuais 12 dias.

Estão ainda previstas mudanças nos horários das pausas e nos ciclos de produção das fábricas, medidas que procuram aumentar a eficiência e reduzir os custos operacionais.

Michael Leiters, diretor-executivo da Porsche, reconhece que a recuperação da marca dependerá diretamente da capacidade de voltar a ser competitiva. Segundo o responsável, alcançar os objetivos definidos e melhorar os resultados financeiros será essencial para garantir a segurança dos trabalhadores.

O novo plano mostra, assim, a dimensão dos problemas que a Porsche enfrenta. A marca está a tentar reduzir custos e aumentar a produtividade sem abdicar de investimentos importantes nas suas fábricas e sem recorrer a despedimentos compulsivos.

A estratégia será aplicada ao longo da próxima década e pretende preparar a Porsche para um mercado automóvel cada vez mais competitivo, especialmente na China, ao mesmo tempo que a fabricante procura recuperar a rentabilidade que perdeu nos últimos anos.

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Ricardo Carvalho

AutoGear  ·  495 artigos

Jornalista de automóveis, especializado em testes. É diretor da revista Comerciais & Pesados e o membro português do júri do International Truck of the Year. Editor dos sites da Revista Carros e Motores e da Revista Motos, e colaborador permanente do Jornal das Oficinas e da Revista dos Pneus, publicações de referência no pós-venda automóvel. Formado pela Universidade Autónoma de Lisboa. No AutoGear escreve sobre mercado, novidades e mobilidade elétrica.

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