O director da McLaren, Andrea Stella, antecipou um Grande Prémio da Bélgica intenso devido à gestão crítica da energia no circuito de Spa-Francorchamps. A prova promete ser um dos desafios mais exigentes para os motores da geração 2026, que repartem a potência a 50:50 entre o motor de combustão interna (ICE) e as baterias. Fernando Alonso alertou que os pilotos poderão ficar “finito” em algumas voltas caso utilizem a energia demasiado cedo, ficando vulneráveis no longo trecho entre Stavelot e a meta.
Spa apresenta apenas três zonas de travagem intensas — La Source, Les Combes e a chicane do Bus Stop —, limitando as oportunidades para recuperar energia numa volta de 7,004 km. O sector intermédio, com curvas de alta velocidade como Pouhon, não oferece pontos de travagem para recolha de energia, obrigando os pilotos a gerir cuidadosamente o consumo para evitar perder potência nos momentos decisivos da volta. Esta gestão rigorosa gera um equilíbrio delicado que, como em Silverstone, pode proporcionar uma corrida dinâmica, apesar de ser exigente para os condutores.
Em declarações à imprensa, incluindo à RacingNews365, Andrea Stella explicou a complexidade da estratégia de utilização do modo “straight”, que está disponível em cinco zonas do circuito, mas não nas curvas com elevada força lateral como Eau Rouge, Raidillon e Blanchimont. “Spa será uma pista interessante e semelhante a Silverstone, um circuito com grande escassez de energia,” afirmou Stella. “Em Silverstone, conseguimos mitigar essa falta de energia e tivemos uma boa corrida, embora os pilotos continuem a referir a imprevisibilidade da variação de velocidade. É um ponto que devemos levar a sério, porque quando os pilotos falam assim é por uma razão.”
Stella prevê que as longas retas de Spa vão impor desafios adicionais na exploração da unidade motriz: “Será crucial a forma como a energia é distribuída. Em algumas zonas não será possível ativar o modo ‘straight’, mesmo com aceleração total, devido às forças laterais. Também haverá desafios relacionados com a abertura das asas e o ‘grounding’.” O responsável da McLaren destacou ainda a possibilidade de algumas equipas apresentarem pacotes de baixo arrasto, algo que no passado era mais comum em Spa, mas que poderá ser menos incentivado com o modo “straight”. “No passado, as equipas optavam por asas menores aqui, mas não foi o caso recentemente. Será interessante ver se isso muda.”
A expectativa é que a gestão da energia continue a ser um factor decisivo para as ultrapassagens e para o espectáculo na corrida, tal como aconteceu em Silverstone. A exigência técnica de Spa, somada à necessidade de optimizar a utilização dos recursos energéticos, promete uma prova tensa e estratégica, onde a inteligência de pilotagem poderá fazer toda a diferença no resultado final.
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