Aston Martin arrisca ‘mundo de dor’ com plano de Adrian Newey

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Aston Martin prepara um pacote de atualizações para o Grande Prémio da Hungria que pode transformar a sua temporada, mas especialistas alertam para os riscos de a equipa se afastar ainda mais da concorrência. A formação de Silverstone ocupa atualmente o penúltimo lugar no campeonato de construtores, com apenas um ponto conquistado por Fernando Alonso, e espera reverter a situação com uma grande renovação técnica. Contudo, os peritos advertem que a aposta de Adrian Newey pode resultar num “mundo de dor” caso as melhorias não correspondam às expectativas.

O pacote de atualizações promete uma redução significativa de peso e alterações cruciais na aerodinâmica, com a equipa a contar ainda com um novo motor para o Grande Prémio da Holanda, no final de agosto. No entanto, numa conversa no High Performance Racing Podcast, o jornalista Jake Humphrey questionou se a Aston Martin não estará a tentar recuperar um atraso tão grande que a sua nova configuração será quase um carro completamente diferente. “Eles só terão o conhecimento que as outras equipas tinham em Melbourne”, afirmou Humphrey, referindo-se à primeira prova da temporada.

Otmar Szafnauer, antigo director da Alpine e co-apresentador do podcast, reforçou os receios, sublinhando o risco de haver problemas de correlação entre as simulações e o desempenho real do carro. “Se trazes uma grande atualização que não funciona como as ferramentas indicavam, crias problemas de correlação e depois tens de rever tudo”, explicou Szafnauer. Acrescentou ainda que a introdução faseada de melhorias permite corrigir esses problemas atempadamente, algo que a Aston Martin não poderá fazer com uma grande actualização de uma só vez.

Rob Smedley, ex-engenheiro de corrida da Ferrari, concordou com Szafnauer na análise ao risco desta estratégia. Destacou que a equipa está a trabalhar com um novo túnel de vento, um grupo aero quase completamente novo, muitos deles vindos da Red Bull, além de novas ferramentas e simuladores. “Se isto não correlacionar, será um mundo de dor para eles, porque terão de voltar atrás, o que pode desincronizar o carro no túnel de vento e o carro na pista”, alertou Smedley.

Apesar das dúvidas, Szafnauer apontou que a Aston Martin poderá ganhar até 70 pontos de downforce, o que, na prática, poderia traduzir-se numa melhoria de cerca de 2,3 segundos por volta. Ainda assim, Humphrey salientou que mesmo com essa evolução, a equipa dificilmente sairá da cauda do pelotão e não será imediatamente competitiva. Szafnauer concluiu que as atualizações poderão tornar a Aston Martin mais forte do que as Cadillac, mas ainda longe dos principais adversários, um cenário aquém das expectativas de Newey.

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