Fernando Alonso não escondeu a sua frustração perante a falta de “risco” nas ultrapassagens na Fórmula 1, criticando o actual sistema de potência e a facilidade com que se pode ganhar posições. O piloto espanhol considera que a arte do combate roda a roda foi reduzida a uma questão de tecnologia, retirando protagonismo ao talento dos pilotos.
Durante o fim-de-semana do Grande Prémio da Grã-Bretanha, a discussão em torno das ultrapassagens reacendeu-se, especialmente após Kimi Antonelli ultrapassar Lewis Hamilton na recta de Hangar durante a Sprint, garantindo a vitória, e Hamilton envolver-se depois numa intensa luta com George Russell durante a corrida principal. O novo sistema de 50:50 na entrega de potência dos motores, que afecta a gestão da energia das unidades motrizes, tem deixado pilotos vulneráveis: ao gastar a energia da bateria, ficam com metade da potência enquanto o sistema recarrega, tornando-os “presas fáceis” na recta seguinte e praticamente incapazes de se defenderem.
Alonso foi directo nas críticas ao sistema actual na conferência de imprensa, referindo: “Vi um pouco da corrida, e um pouco da Sprint e vi pessoas a ultrapassar a meio da recta com mais bateria. Portanto, não há qualquer contributo do piloto, ou talento do piloto necessário para ultrapassar o carro à frente. Não é preciso travar mais tarde do que ninguém, não é preciso ultrapassar por fora, não é preciso correr qualquer risco. Basta carregar num botão, e ultrapassas se tiveres uma unidade motriz melhor.” Para Alonso, este cenário retira emoção e mérito às manobras que, noutras eras da Fórmula 1, exigiam coragem, precisão e engenho puro ao volante.
Os exemplos citados, como o momento em que Hamilton utilizou toda a bateria para ultrapassar por fora em Copse, ficando depois sem energia nas curvas seguintes e permitindo a Russell recuperar a posição na aproximação a Stowe, ilustram bem a crítica do espanhol. O recurso ao botão de energia tornou-se determinante, deixando para trás o desafio tradicional de ultrapassar pela perícia e ousadia.
A polémica em torno deste tema promete continuar a marcar as próximas rondas do Mundial de Fórmula 1, com pilotos e equipas a debaterem até que ponto a tecnologia deve influenciar o espectáculo e o mérito desportivo. A discussão sobre o equilíbrio entre inovação técnica e verdadeira competição em pista está longe de terminar, com vozes como a de Alonso a exigir uma reflexão profunda sobre o futuro da modalidade.
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