Oscar Piastri lamentou o impacto das novas regras das unidades motrizes de Fórmula 1 de 2026, afirmando que introduziram um “elemento de sorte” no estilo de corrida, especialmente nas voltas iniciais dos Grandes Prémios desta época.
As novas regulamentações têm gerado divisões de opinião desde o arranque do campeonato em Melbourne, com vários exemplos do chamado ‘yo-yo racing’ a surgirem logo nas primeiras provas. Com os monolugares a tirarem partido máximo da energia das respetivas baterias para criar oportunidades de ultrapassagem, o carácter supostamente artificial das disputas ficou ainda mais exposto em circuitos rápidos.
O Grande Prémio da Grã-Bretanha, disputado no passado fim-de-semana, confirmou esta tendência, principalmente durante a Sprint de sábado, graças ao perfil veloz de Silverstone, que proporcionou múltiplas alternâncias de posição. Embora haja quem defenda que este tipo de ação aumenta o espetáculo através de ultrapassagens constantes, vários pilotos, incluindo Max Verstappen e Lando Norris, manifestaram-se contra este novo paradigma.
Entre as alterações introduzidas está também o novo sistema de aerodinâmica ativa, substituindo o antigo DRS, mas é a opção de “boost” da bateria que tem causado diferenças de potência muito significativas entre carros em situações de corrida. Foi precisamente este ponto que suscitou sérias preocupações a Oscar Piastri, que terminou em 11.º lugar em Silverstone após sofrer danos no início da corrida devido a um toque com Liam Lawson.
Depois da prova, Piastri explicou a sua frustração: “É complicado, porque algumas das manobras ainda são realmente boas, mas outras não são. Quando se está a lutar com quatro pilotos, sobretudo nas primeiras voltas, existe agora um enorme elemento de sorte. Aquilo que vivi na Sprint, especialmente com o funcionamento do botão de boost, obriga-nos a comprometer muito cedo a sua utilização”, descreveu o australiano.
Piastri detalhou o episódio vivido com George Russell: “Usei o boost, apanhei o George na reta de forma massiva, mas aproximei-me demasiado da curva e tive de travar. Por isso, foi um desperdício de energia, e só carreguei no botão para manter o Charles [Leclerc] atrás. Ele não o usou, por isso, no final, nem precisava de o ter ativado. É um autêntico jogo de cara ou coroa, basicamente.”
O piloto reforçou ainda que a aleatoriedade do sistema provoca situações frustrantes: “Todo o sistema de deployment à nossa volta faz com que, por vezes, funcione a nosso favor, outras vezes não. Este é um exemplo extremo, mas é frustrante quando conseguimos fazer algo bom no carro e depois somos imediatamente ultrapassados por outro com mais energia.”
A próxima ronda terá lugar em Spa-Francorchamps, um circuito conhecido pelas longas retas e zonas de alta velocidade, onde se prevê que as exigências de gestão de energia e as diferenças de deployment entre carros possam voltar a marcar a diferença no Grande Prémio da Bélgica.
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