O pesadelo de Mitch Evans no Grande Prémio de Xangai deixou o piloto da Jaguar TCS a questionar tudo: depois de garantir a primeira linha da grelha na qualificação, viu-se incapaz de lutar pela vitória e terminou apenas em oitavo, num dia em que Pascal Wehrlein (Porsche) triunfou e reduziu a vantagem do neozelandês no topo do Mundial de Fórmula E para apenas três pontos. O que prometia ser um fim-de-semana de domínio passou rapidamente a uma tarde de frustração, com Evans a perder ritmo e resposta do carro, perante condições de pista húmida que testaram ao máximo a perícia de todos os pilotos.
O Grande Prémio de Xangai, no renovado circuito internacional da cidade chinesa, marcou a primeira metade de uma dupla jornada decisiva para o Campeonato do Mundo de Fórmula E. Wehrlein completou as 31 voltas em 46:18.742, batendo António Félix da Costa (Porsche) por apenas 0,730s, enquanto Jean-Éric Vergne (DS Penske) garantiu o último lugar do pódio. Evans, que largou da segunda posição, terminou a mais de 12 segundos do vencedor, numa prova em que nunca conseguiu encontrar o ritmo certo. O desempenho contrastou de forma gritante com a sua prestação na qualificação, onde apenas falhou a pole position por três décimos para Wehrlein. Com este resultado, Wehrlein soma agora 142 pontos, apenas três atrás dos 145 de Evans, relançando por completo a luta pelo título.
A corrida de Xangai pode muito bem ter sido um ponto de viragem no campeonato. A vantagem confortável de Evans evaporou-se graças à vitória dominante de Wehrlein e ao fraco desempenho do Jaguar #9. Este resultado não só coloca pressão acrescida sobre Evans para a segunda corrida na China, como também reacende as esperanças da Porsche, que colocou dois carros no pódio e consolidou a sua candidatura ao título de equipas. Para além disso, a consistência de Jean-Éric Vergne mantém a DS Penske na luta pelos lugares cimeiros do campeonato. A imprevisibilidade das condições meteorológicas e a forma como afectaram as prestações dos pneus Hankook foram tema de conversa no paddock, com vários pilotos a relatarem dificuldades em encontrar aderência ao longo da prova.
No final da corrida, visivelmente desapontado, Mitch Evans não escondeu a perplexidade perante o que se passou: “Basicamente foi isso. Não sei, mas desde a primeira volta, na Curva 1, não tinha aderência. Foi muito estranho”, explicou o piloto da Jaguar TCS aos jornalistas. “Não percebo porque nunca consegui encontrar aderência durante a corrida. Na verdade, ficou cada vez pior com os pneus dianteiros. Ouvi dizer que havia qualquer coisa errada. Não conseguia rodar o carro e, com a pista molhada, ainda pior. Mas em qualquer condição, não tive andamento. Durante a janela das boxes, não consegui imprimir um bom ritmo nas primeiras voltas e não consegui recuperar como queria. Foi simplesmente esquisito. Quase senti que havia algo mesmo errado. Horas antes estava a lutar pela pole position e, de repente, mal conseguia virar o carro. Não entendo.” Evans recusou-se a comentar se o problema estava relacionado com a afinação do carro ou com o conjunto específico de pneus Hankook utilizado, aumentando o mistério em torno da quebra de rendimento.
Para a Jaguar TCS, este resultado representa uma oportunidade perdida e um alerta sério antes da segunda corrida do fim-de-semana. A equipa vai ter de analisar minuciosamente os dados para perceber se o problema esteve nos pneus, na afinação ou em algum detalhe técnico menos óbvio. Do outro lado da garagem, Nick Cassidy também não foi além do sexto lugar, reforçando a sensação de que a Jaguar terá de reagir rapidamente para não perder o controlo do campeonato. O próximo desafio está logo ao virar da esquina, com a segunda ronda de Xangai a oferecer nova hipótese para Evans responder e tentar recuperar pontos face à pressão crescente da Porsche e de Wehrlein. Com apenas três pontos a separar os dois principais candidatos ao título e Félix da Costa a aproximar-se, a segunda corrida promete ser decisiva para o desfecho desta temporada eletrizante de Fórmula E.
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