O inesperado descalabro de Pascal Wehrlein na última ronda do Campeonato do Mundo de Fórmula E, em Sanya, impediu o piloto alemão da Porsche de capitalizar o abandono dos seus principais rivais e aproximar-se da liderança da classificação. Numa corrida marcada por incidentes e reviravoltas, Wehrlein viu-se penalizado em cinco segundos após um toque com Norman Nato, o que resultou no abandono imediato do piloto francês e atirou o alemão para o 14.º lugar final, fora dos pontos.
O Shanghai E-Prix, marcado para este fim-de-semana, ganha assim ainda mais importância depois de uma ronda em que os três primeiros do campeonato – Mitch Evans (Jaguar), Oliver Rowland (Nissan) e Edoardo Mortara (Mahindra) – também abandonaram, desperdiçando todos uma oportunidade de ouro para consolidar as suas posições. Com seis provas por disputar, Wehrlein mantém-se no quarto posto do campeonato, agora a 27 pontos de Evans, o líder, numa altura em que ainda estão em jogo 180 pontos.
A corrida de Sanya ficará marcada, sobretudo, pelo momento em que a bandeira vermelha interrompeu a acção nas voltas finais. Até então, Wehrlein estava a realizar uma prova consistente, com boas ultrapassagens e uma gestão de energia inteligente, colocando-se em posição de somar pontos substanciais. No entanto, o incidente com Nato e a consequente penalização ditaram um resultado inglório para o piloto da Porsche, numa das provas mais caóticas da temporada.
No rescaldo da corrida, Wehrlein não escondeu a desilusão, mas sublinhou a sua entrega total na luta pelo título. “Estou a dar tudo por tudo”, afirmou o alemão, em declarações à imprensa após a prova. “Senti que estava a fazer uma corrida muito boa até à bandeira vermelha. Estava a fazer boas manobras, a posicionar-me bem e, obviamente, a arriscar mais, o que estava a compensar até à interrupção. Depois disso, tudo se desmoronou um pouco. É uma linha muito ténue.” Wehrlein acrescentou ainda: “O bom é que ainda faltam seis corridas e estamos todos a dar o nosso melhor. Nas últimas corridas, os cotovelos começaram a sair um pouco mais e as coisas estão a aquecer, portanto estamos todos aqui para dar o nosso melhor e tentar ganhar [o campeonato].”
A frustração de ter saído de Sanya sem pontos é palpável, sobretudo porque o campeão mundial em título sabe que oportunidades destas são raras numa temporada tão competitiva. A penalização por contacto com Nato foi apenas mais um episódio numa série de incidentes que têm marcado este campeonato, onde a agressividade e os limites da competição estão cada vez mais à flor da pele. Para a Porsche, a corrida chinesa representou também uma oportunidade perdida de ganhar terreno no campeonato de equipas, onde a concorrência da Jaguar e da Nissan se mantém feroz.
Com o Shanghai E-Prix à porta, Wehrlein e a Porsche sabem que não há margem para novos deslizes. O circuito citadino apresenta um desafio técnico e estratégico, onde a gestão de energia e a capacidade de evitar incidentes serão determinantes para o sucesso. O alemão, ciente do que está em jogo, procurará recuperar pontos e relançar a sua candidatura ao título, especialmente numa altura em que a distância para Evans, embora considerável, está longe de ser inultrapassável.
A próxima ronda dupla em Xangai poderá ser decisiva para o desfecho do campeonato. Uma prestação forte poderá recolocar Wehrlein na luta directa pelo título, enquanto novo desaire poderá deixá-lo irremediavelmente afastado da discussão. A pressão está ao rubro, a rivalidade entre os candidatos intensifica-se e a Fórmula E entra agora na fase mais imprevisível e emocionante da temporada, com a promessa de espectáculo até à última volta.
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