Bernie Ecclestone veio a público com uma defesa contundente do presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, numa altura em que as críticas ao líder máximo da federação têm sido intensas, sobretudo devido a decisões polémicas e mudanças estruturais na Fórmula 1. O antigo responsável máximo da Fórmula 1 sublinhou a dedicação de Ben Sulayem e elogiou a sua postura imparcial, num momento-chave para o futuro do desporto motorizado mundial.
Mohammed Ben Sulayem, eleito presidente da FIA em 2021 e reconduzido para um novo mandato em 2025, viu o seu trabalho ser escrutinado ao pormenor tanto por responsáveis de equipas como pela imprensa internacional. A popularidade junto dos clubes membros da FIA mantém-se robusta, reflectindo-se nas votações esmagadoras a seu favor para o cargo. Recentemente, a FIA anunciou resultados financeiros históricos antes do Grande Prémio da Áustria: um lucro operacional de 6,7 milhões de euros em 2025, representando uma subida de 43% em relação ao ano anterior e uma recuperação impressionante face ao prejuízo operacional de 24 milhões registado em 2021. O volume de negócios disparou para 191,7 milhões de euros, mais 75% do que há quatro anos, evidenciando uma reviravolta sem precedentes na saúde financeira da federação.
Estas conquistas financeiras têm impacto directo na estabilidade e capacidade de investimento da FIA, especialmente numa altura em que a Fórmula 1 enfrenta desafios técnicos e regulamentares. Ben Sulayem é apontado como o principal responsável por esta recuperação, tendo assumido funções numa fase de transição complicada após a saída de Jean Todt. A pressão para modernizar a estrutura e responder de forma eficaz às exigências das equipas e dos promotores tornou-se um dos grandes testes ao seu mandato. Além disso, o presidente da FIA tem tentado reaproximar a Fórmula 1 das raízes que fizeram da disciplina rainha do desporto automóvel uma referência mundial, nomeadamente através da defesa do regresso dos motores atmosféricos V8, V10 ou até V12, reacendendo discussões técnicas e nostálgicas no seio do paddock.
Bernie Ecclestone, numa conversa com órgãos de comunicação seleccionados, fez questão de salientar que “não é tarefa fácil apontar algo que Ben Sulayem tenha feito mal”. O antigo patrão da F1 acrescentou: “Acho que ele está a tentar pôr tudo a funcionar de forma justa e a trazer alguma actualização. Infelizmente, como em tudo, não se pode estar 1.000.000% certo o tempo todo. Mas não vejo nada que tenha feito que não devesse, e há uma ou duas coisas que espero que se resolvam no futuro.” Ecclestone referiu, em particular, o desejo de Ben Sulayem em “voltar aos motores de três litros”, considerando que “não importa se é um V8, V10 ou V12, o importante é que todos fiquem satisfeitos e penso que é o caminho certo”.
Questionado sobre o papel do presidente da FIA na reestruturação financeira da organização, Ecclestone foi peremptório: “É um trabalho difícil, porque herdou situações que não começou. Não era como a Liberty [Media], foi eleito para fazer algo sem saber ao certo o que esperar. Desde que está à frente, tem descoberto o que fazer e o que não fazer, e penso que fez um trabalho extraordinário a nível financeiro. Está a colocar a FIA na posição em que devia estar. Não há nada de errado em a organização gerar lucros, pois há uma estrutura para manter e são necessários fundos para apoiar todos os clubes.” O britânico sublinhou ainda que Ben Sulayem “não recebe qualquer dinheiro, não está ali por interesse próprio, está a fazer o melhor que pode pelo desporto que tutela”.
Com estes resultados, a FIA ganha margem para investir no desenvolvimento do desporto automóvel e nas infra-estruturas dos clubes afiliados, num contexto em que a sustentabilidade financeira é cada vez mais valorizada. A discussão em torno do futuro dos regulamentos técnicos, nomeadamente a possível reintrodução de motores atmosféricos, promete ser tema central nas próximas reuniões do Conselho Mundial do Desporto Motorizado. O foco vira-se agora para a próxima ronda do Campeonato do Mundo de Fórmula 1, com equipas e responsáveis atentos às movimentações da FIA e às decisões que poderão moldar o futuro da modalidade. Ben Sulayem reforça a sua posição como figura central do desporto automóvel internacional, mas sabe que cada escolha será analisada ao mais ínfimo detalhe num ambiente de crescente exigência e escrutínio.
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