Fernando Alonso respondeu de forma contundente à vaga de críticas e insultos nas redes sociais dirigidos à Aston Martin e ao fornecedor de motores Honda, após o início desastroso da equipa no Mundial de Fórmula 1 de 2026. O desaire ficou patente na última prova em Barcelona, onde tanto Alonso como Lance Stroll partiram da última linha da grelha, atrás até dos dois Cadillac, e passaram a corrida a lutar no fundo do pelotão, antes de mais um problema de fiabilidade forçar Alonso a abandonar com mais de 20 voltas por cumprir.
Depois de um inverno de expectativas elevadas, impulsionadas pela contratação do génio Adrian Newey, a Aston Martin chega ao Grande Prémio da Áustria com apenas um ponto conquistado — cortesia de Alonso no Mónaco, após penalização a Sergio Pérez — e envolta numa crise de resultados e confiança. O AMR26 revelou-se lento e pouco fiável desde o primeiro contacto em Barcelona, e o novo motor Honda rapidamente se tornou alvo de críticas entre adeptos e analistas, pela ausência de performance e falhas mecânicas sucessivas.
Este cenário abriu portas a especulação sobre o futuro de Alonso, com rumores em Barcelona de uma eventual saída para a Alpine em 2027, na companhia do seu antigo agente Flavio Briatore. No entanto, o bicampeão espanhol procurou, na antecâmara do Grande Prémio da Áustria no Red Bull Ring, afastar cenários de fuga e, sobretudo, defender publicamente o trabalho da equipa de Silverstone e dos engenheiros japoneses da Honda. “Há sempre rumores, e temos sido muito maltratados pelo exterior”, afirmou Alonso aos jornalistas presentes na Áustria. “É normal, estamos a ter maus resultados, estamos numa má fase, e quando chega a pausa de verão, há sempre rumores. Há rumores nas equipas da frente. No nosso caso, porque estamos a falhar, mas, como disse, o meu compromisso com a Aston Martin vai para além do tempo em que estarei ao volante e acredito neste projecto. Temos as pessoas certas. Temos, obviamente, o melhor dos melhores com o Adrian Newey, temos a Honda.”
O espanhol reconheceu as dificuldades, mas rejeita o tom destrutivo que tem marcado o debate em torno da equipa: “Começámos com o pé atrás, sabemos disso, mas estamos a tentar pôr tudo no sítio o mais depressa possível. Somos um alvo fácil porque estamos no fundo, e há toda esta coisa das redes sociais. Piadas e coisas que se dizem sobre nós, isso talvez esteja no limite do abuso nas redes sociais. Não estamos satisfeitos com a nossa posição, mas somos trabalhadores incansáveis, e a Honda também o é, e a Aston Martin — somos mil pessoas a trabalhar de segunda a domingo, oito horas por dia, para resolver os nossos problemas, e o problema vai ser resolvido.”
Apesar do desânimo pelo rendimento do AMR26, Alonso traçou uma linha entre críticas legítimas e ataques pessoais, sublinhando o respeito devido aos profissionais do projecto. O espanhol lembrou ainda que a recuperação será uma maratona e não um sprint. A Aston Martin prepara um pacote de evoluções significativo para o período da pausa de verão, com Adrian Newey a recusar-se a introduzir pequenas melhorias faseadas e a preferir uma abordagem de ruptura. A Honda, por seu lado, também promete novidades para breve.
Alonso insiste que mantém total confiança na estratégia delineada: “É uma questão de tempo, e acredito no projecto. Confio na minha equipa, estamos todos juntos nisto. Uma das partes mais difíceis é que corremos todas as semanas, enfrentamos os media todas as semanas, e amanhã voltamos ao carro sabendo que somos muito pouco competitivos. Mas nós, a nossa equipa e os nossos líderes, tomámos a decisão na Austrália de esperar até que valesse a pena introduzir um pacote de actualizações pela eficiência de custos e por outras razões. Todos concordámos, e estamos todos à espera disso, e vamos esperar da melhor maneira possível.”
O panorama imediato é sombrio, e nem Alonso esconde que a Áustria pode trazer mais um fim de semana complicado. Ainda assim, o discurso do espanhol é claro: 2026 é encarado como um ano de reconstrução, não de julgamento definitivo sobre o potencial da era Newey-Honda. Se o grande pacote de verão não inverter a tendência, o escrutínio e a pressão aumentarão exponencialmente. Até lá, Alonso mantém-se firme no compromisso e lança um apelo à contenção das críticas destrutivas: “Somos todos trabalhadores incansáveis, e vamos resolver isto juntos.”
A próxima ronda do campeonato está marcada para o Red Bull Ring, onde a Aston Martin terá mais uma oportunidade para inverter o ciclo negativo e tentar recuperar algum terreno face ao pelotão. O foco da equipa está agora em garantir que as futuras evoluções permitam pelo menos regressar à luta pelos pontos, numa temporada que já se tornou uma verdadeira prova de resiliência.
Não perca um segundo da Fórmula 1, Nascar, IndyCar e muito mais na aplicação mais completa do Mundo, basta carregar – AQUI (GRATUITO)
