Solberg confiante no título mundial apesar dos erros em asfalto

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O campeonato do Mundo de Ralis de 2026 continua ao rubro, mas Oliver Solberg encontra-se numa posição delicada após uma série de erros em pisos de asfalto que o afastaram da luta directa pela liderança. Apesar do início de época fulgurante com a vitória no mítico Rali de Monte Carlo, o piloto da Toyota tem somado abandonos consecutivos em provas de asfalto, o que o deixa agora a 49 pontos do companheiro de equipa e líder do campeonato, Elfyn Evans, à chegada ao exigente Rali da Grécia.

Solberg triunfou na abertura da temporada em condições extremas de inverno, mas viu-se forçado a abandonar nas três provas de asfalto seguintes. Na Croácia, saiu de estrada logo na primeira especial, nas Canárias perdeu o controlo do Toyota enquanto ocupava o segundo posto na penúltima classificativa, e no Japão viu-se novamente obrigado a desistir a meio da prova, também quando era segundo classificado. Ainda assim, o jovem norueguês conseguiu subir ao pódio em Portugal e soma já mais vitórias em especiais do que qualquer outro piloto este ano. No entanto, as falhas custaram caro e, com o campeonato a meio, Solberg arranca para o duro Rali da Grécia a partir da terceira posição da estrada – uma vantagem estratégica, sobretudo num evento conhecido por castigar os primeiros a passar.

A luta interna na Toyota ganha contornos dramáticos, com Evans a liderar e a pressionar Solberg a correr atrás do prejuízo. A consistência do galês tem sido a chave, enquanto Solberg admite que a sua abordagem agressiva em asfalto terá sido um erro. “Bem, coloquei-me numa posição difícil com os ralis de asfalto”, reconheceu Solberg, em declarações à imprensa antes do Rali da Grécia. “Claro que agora é fácil dizer que, se tivesse ficado satisfeito com pódios, o cenário seria outro. Mas quando se luta pela vitória daquela forma, é complicado simplesmente decidir não atacar. Podia provavelmente ter conquistado alguns pódios fáceis em asfalto, mas é fácil falar depois. Pelo menos, em terra tenho boas sensações e já obtive bons resultados. Portanto, tudo é possível.”

Questionado sobre se ainda acredita que pode ser campeão mundial este ano, Solberg é perentório: “Acredito que tudo é possível. O Elfyn vai ser o primeiro na estrada em muitos ralis difíceis agora. Sei que nos ralis de verão tenho boas recordações do ano passado, portanto acredito que tudo pode acontecer. Não está assim tão longe. Se conseguir vencer uma ou duas provas, pode ser suficiente para relançar a luta. E depois, com duas ou três provas por disputar, tudo pode estar em aberto.”

Apesar da desvantagem pontual, Solberg mantém o foco nos triunfos sem perder a prudência. “O objectivo tem de ser sempre vencer, mas não será possível arriscar tudo na Grécia. Neste rali, não se pode pensar que se vai ganhar logo de início”, sublinhou. “É preciso primeiro fazer um bom trabalho e ver onde é que isso nos coloca. Mas a partir da Grécia, aí sim, será tudo a fundo até ao final!”

Sobre os desafios que o aguardam este fim-de-semana, o piloto da Toyota explicou: “É preciso ser 50% inteligente e ter 50% de sorte. Por exemplo, em Portugal tive um furo no sábado e perdi 30 segundos, mas foi no final da especial. Outros colegas tiveram furos no domingo logo no início e perderam minuto e meio. Portanto, não é se se vai ter problemas, é quando é que eles aparecem.”

A Toyota tem dominado claramente a época de 2026, conquistando seis das sete provas disputadas, mas Solberg antevê uma Hyundai particularmente forte na segunda metade do campeonato, composta exclusivamente por ralis de terra. “Acho que temos de temer a Hyundai até ao fim da época. Podem ser muito fortes em terra. Já em Portugal mostraram grande andamento. Mesmo no ano passado, os adversários que mais me deram luta na Estónia eram os da Hyundai”, afirmou. “Vamos ser provavelmente uns oito pilotos a lutar pelos lugares cimeiros. E este fim-de-semana, não se trata de quem é mais rápido, mas sim de quem termina com menos problemas, ao contrário de outras provas.”

Com o Rali da Grécia a marcar o início da fase decisiva do campeonato, Solberg sabe que não pode desperdiçar mais oportunidades. O norueguês espera tirar partido da sua posição de partida favorável e regressar à luta pelo título, antecipando uma segunda metade do ano onde cada ponto será crucial. A próxima ronda será decisiva para as aspirações dos principais candidatos e poderá baralhar ainda mais as contas do campeonato, sobretudo se a Hyundai confirmar a evolução prometida e se a consistência de Evans vacilar frente à pressão dos rivais.

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