Cadillac confirma motor próprio de F1 para 2029 e abre porta ao futuro V8

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A Cadillac surpreendeu o mundo da Fórmula 1 ao anunciar que pretende equipar o seu monolugar com um motor próprio já em 2029, reforçando a ambição de se afirmar como construtor de fábrica na categoria-rainha do automobilismo. A equipa norte-americana, que se estreou esta época no Mundial como a 11.ª formação do pelotão, alinhou com unidades motrizes Ferrari na época de estreia, mas nunca escondeu o objectivo de desenvolver e introduzir o seu próprio grupo propulsor na grelha.

No rescaldo do mais recente anúncio, ficou claro que o plano passa por lançar o primeiro motor V6 da Cadillac em 2029, mesmo perante rumores persistentes de que a FIA poderá aprovar uma nova fórmula de motores V8 já em 2031. O CEO da TWG Motorsports, Dan Towriss, explicou aos média durante o Grande Prémio mais recente que a Cadillac está comprometida com o desenvolvimento do V6, mas não fecha a porta à transição para o V8 caso a regulamentação mude. “Estamos dentro do prazo para lançar uma unidade motriz V6 em 2029”, afirmou Towriss. “Fala-se também de um V8 a surgir mais tarde, e penso que, como já foi dito pela GM, estaríamos muito satisfeitos por construir um motor V8 também. Há ainda muito trabalho e negociações a decorrer entre os fabricantes de motores, por isso veremos o que o futuro nos reserva.”

Esta declaração surge numa altura em que o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, sugeriu publicamente a possibilidade de uma nova geração de motores V8 para 2031, proposta que tem ganho apoio entre diversas equipas e construtores. Caso se concretize, a Cadillac poderá ser um dos poucos projectos a preparar-se para ambas as soluções técnicas, mostrando flexibilidade e visão estratégica a longo prazo. No entanto, a curto prazo, a atenção centra-se nas alterações propostas para 2027, que poderão alterar significativamente o equilíbrio entre o motor de combustão e o sistema híbrido, passando de uma repartição 50/50 para um novo formato de 60/40 em favor do motor térmico.

O tema tem sido fonte de debate intenso no paddock, sobretudo devido à relutância da Ferrari – actual fornecedora da Cadillac – em aceitar mudanças tão profundas sem uma análise exaustiva das consequências para o rendimento e a fiabilidade dos monolugares. Dan Towriss, abordando esta questão após a última prova, apelou à cautela no processo de decisão: “Relativamente ao motor de 2027, é um trabalho ainda em curso. Falta muita coisa fazer. É uma negociação complexa, como se pode imaginar. Qualquer alteração pode beneficiar mais uma equipa ou grupo do que outro, e há muito trabalho pela frente. O mais importante é garantir que, apesar da pressão do tempo, não avançamos demasiado depressa. É um tema muito complexo. É necessário muito trabalho de modelação para perceber o impacto destas alterações em pista para os pilotos, sem reabrir a homologação ou mexer demasiado nos chassis.”

Com a chegada da Cadillac à Fórmula 1 e a ambição de passar de cliente a construtora de fábrica, o campeonato mundial prepara-se para uma nova fase de rivalidades técnicas e estratégicas, numa altura em que se discutem as bases do futuro das unidades motrizes. A confirmar-se o calendário apontado, 2029 poderá marcar não só a estreia do motor V6 da Cadillac, como também um novo ciclo de competição no seio da disciplina. A próxima prova do campeonato, marcada para o Circuito de Silverstone, poderá trazer novas reacções dos principais intervenientes sobre o futuro das regras técnicas, enquanto a Cadillac continuará a sua adaptação ao ritmo da Fórmula 1, agora com um olho atento nas decisões que definirão o pelotão nos próximos anos. A evolução da tabela de construtores permanece em aberto, com a Cadillac focada em consolidar-se no pelotão e a preparar, nos bastidores, o salto para um estatuto de referência tecnológica a médio prazo.

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