O terceiro lugar de Pierre Gasly no Grande Prémio do Mónaco voltou a gerar polémica após a decisão da FIA de devolver ao piloto da Alpine o pódio perdido devido a uma penalização por excesso de velocidade na via das boxes. A medida, fruto de um recurso bem-sucedido da equipa francesa, foi alvo de duras críticas por parte de Guenther Steiner, antigo chefe de equipa da Haas, que classifica todo o processo como “um autêntico debacle” e teme pela consistência regulatória na Fórmula 1.
Gasly, que tinha terminado a corrida no terceiro posto, viu inicialmente a penalização de cinco segundos relegá-lo para o sétimo lugar da classificação. A penalização foi aplicada depois do final da corrida, uma vez que o francês não teve oportunidade de a cumprir em pista. No entanto, a Alpine recorreu, alegando possuir novas provas que não estavam disponíveis para os comissários à data da decisão. O recurso foi aceite e a FIA optou por anular a penalização, devolvendo assim a Gasly o lugar no pódio. Os restantes lugares do top-5 ficaram preenchidos por Charles Leclerc (Ferrari) na vitória, seguido de Max Verstappen (Red Bull) e Lando Norris (McLaren), com Gasly novamente no terceiro posto. O tempo de volta mais rápido pertenceu a Lewis Hamilton, da Mercedes, com 1:14.892, mas insuficiente para alterar a luta pelos primeiros lugares.
Este episódio reacende o debate sobre a equidade e uniformidade das decisões dos comissários, sobretudo quando outros pilotos penalizados por excesso de velocidade nas boxes cumpriram as suas sanções durante a corrida, sem possibilidade de recurso ou reversão. Steiner, em declarações ao podcast The Red Flags, não poupou críticas: “Não devia ter sido devolvido [o pódio] porque, se o fazes para ele, também tinhas de o fazer para os outros, e isso já não é possível. Foi um autêntico caos em Monte Carlo nesse aspecto”, afirmou o ex-chefe da Haas, acrescentando: “Isto começou com a linha de medição da velocidade mal colocada ou com informações erradas dadas às equipas. No final, devolver-lhe o pódio foi claramente a decisão errada, porque os outros não podem reverter as suas penalizações. Não se consegue acertar neste tipo de decisões. Por muito que gostasse de ver o Pierre no pódio, devia lá estar pelos motivos certos, não por algo que as regras não preveem ou porque alguém mediu mal um pedaço de estrada. Foi um debacle, na minha opinião.”
A polémica surge num momento particularmente sensível do campeonato, quando a luta pelo segundo e terceiro lugares do Mundial de Construtores está mais renhida do que nunca. A Alpine, com este resultado, recupera terreno na batalha do meio do pelotão, enquanto Gasly reforça a sua posição na tabela de pilotos, aproximando-se de rivais directos como Fernando Alonso (Aston Martin) e Lewis Hamilton. Para a Ferrari, a vitória de Leclerc no Mónaco devolve esperança na perseguição à Red Bull, apesar de Verstappen manter uma liderança confortável.
A decisão da FIA abre agora um precedente delicado, levantando questões sobre como futuras penalizações poderão ser revistas ou revertidas com base em novos elementos apresentados após a prova. Equipas e pilotos aguardam com expectativa as possíveis clarificações do regulamento que a FIA deverá emitir antes do próximo Grande Prémio, em Montreal, no Canadá. Esta etapa poderá ser decisiva para as aspirações de equipas como a McLaren, que viu Norris perder um lugar no pódio por causa da alteração da classificação, e também para Alpine, que ganha uma injecção de moral antes da ronda norte-americana.
O campeonato entra assim numa fase de tensão acrescida, com as decisões dos comissários sob escrutínio e as rivalidades cada vez mais acesas dentro e fora de pista. A expectativa para Montreal é elevada, não só pelo traçado rápido e exigente do Circuito Gilles Villeneuve, mas também pelo impacto que esta decisão poderá ter na abordagem das equipas às zonas de penalização e na gestão táctica das corridas.
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